Crise climática: por que agir agora

Por Bill McKibbenNew York Review of Books | Tradução Eduardo Sukys

Geleira de Pine Island, próxima ao Mar de Amundsen. Seu derretimento acelerou-se abruptamente nos últimos anos. Estima-se que provocará, caso se consume, aumento de 1 a 2 metros no nível dos oceanos, e que desestabilize toda a Camada de Gelo da Antártida Ocidental

Geleira de Pine Island, próxima ao Mar de Amundsen. Seu derretimento acelerou-se abruptamente nos últimos anos. Estima-se que provocará, caso se consume, aumento de 1 a 2 metros no nível dos oceanos, e que desestabilize toda a Camada de Gelo da Antártida Ocidental

Este texto é uma resenha de três obras:

Antarctica: An Intimate Portrait of a Mysterious Continent
[Antártida: Retrato Íntimo de um Continente Misterioso]
De Gabrielle Walker. Houghton Mifflin Harcourt, 388 páginas

What We Know: The Reality, Risks and Response to Climate Change
[O que Sabemos: Realidade, Riscos e Resposta à Mudança Climática]
Um relatório do Painel de Ciência Climática da Sociedade Norte-americana para o Progresso da Ciência], 28 páginas, Março de 2014

Climate Change Impacts in the United States: The Third National Climate Assessment
[Os Impactos da Mudança Climática nos Estados Unidos: Terceira Avaliação Climática Nacional
Um relatório do Programa de Pesquisas Globais dos EUA, 829 páginas, Maio de 2014

 

Podemos estar chegando ao final do jogo da mudança climática. As peças, tecnológicas e talvez políticas, finalmente estão posicionadas para uma ação rápida e poderosa capaz de nos libertar dos combustíveis fósseis. Infelizmente, os jogadores também podem optar por simplesmente mover os peões para frente e para trás durante algumas décadas, o que seria fatal. Mais triste ainda é constatar que a natureza está nos avisando todos os dias de que o tempo está se esgotando. Todo o jogo está praticamente em xeque.

Vamos começar na Antártida, o continente com a menor densidade demográfica e praticamente intocado pelos humanos. Em seu livro sobre a região, Gabrielle Walker descreve muito bem as atividades recentes na vasta placa de gelo, desde as constantes descobertas de novas formas de vida marinha até a busca frenética de meteoritos, que são relativamente fáceis de achar na brancura do gelo. Se você é um daqueles curiosos sobre como é sentir um inverno de 70 graus negativos, a história te dará uma ideia. Gabrielle cita Sarah Krall, que trabalhou no centro de controle aéreo do continente, coordenando voos e servindo como “a voz da Antártida”. Desde seu primeiro encontro com a paisagem, Krall diz que ficou apaixonada:

"Não conseguia conter a minha empolgação… Era tão majestoso, tão belo. Achei que seria sem graça, mas não foi essa a expressão que surgiu em minha mente. A Antártida era simplesmente esplendorosa."

Ao descrever sua caminhada ao redor da borda do Monte Érebo, o vulcão mais ativo do extremo do sul do planeta, Krall acrescentou: “É visceral. Esta terra faz com que eu me sinta pequena. Não diminuída, e sim pequena. Eu gosto disso.”

No entanto, em outro sentido, a Antártida é onde percebemos o quanto somos grandes -- não como indivíduos, mas como espécie. Há tempos, os cientistas perceberam que estamos enchendo a atmosfera com dióxido de carbono ao queimarmos carvão, gás e petróleo. Um instrumento nas encostas do vulcão Mauna Loa, no Havaí, foi criado para medir a abundância desse gás, e descobriu um acúmulo maior de CO² a cada ano. Porém, essa medição não diz muito sobre o passado. Para entender o perigo que enfrentamos, é preciso saber como o planeta respondeu ao carbono na atmosfera no passado distante. Se você pegar um núcleo central de uma placa de gelo, as minúsculas bolhas de ar presas em cada camada podem dar uma boa ideia das quantidades sucessivas de CO². E não há como negar que os núcleos de gelo mais longos podem ser coletados na Antártida.

Walker faz um relato interessante das dificuldades em perfurar o gelo glacial, recuperar núcleos intactos e mantê-los congelados para estudo. Quando a máquina congela durante o processo, a equipe de perfuração europeia solta “bombas de conhaque” pelo buraco para descongelar o mecanismo. A recompensa pelo esforço despendido é um cilindro perfeito e transparente com cerca de três metros, com grandes laterais de cristal e a visibilidade de uma janela. Algo nunca visto por olhos humanos. Era a parte mais antiga do núcleo de gelo contínuo mais antigo da Terra. Coloquei meu rosto perto dele, cuidadosamente para não tocá-lo, segurando minha respiração.

Quando a equipe finalmente recolheu suas brocas, havia obtido o registro climático do mundo de aproximadamente 800.000 anos, através de muitas eras do gelo e períodos interglaciais. E o que descobriram era simples e invariável:

Mesmo quando nosso clima estava em algum em outro período -- alguma forma diferente de equilibrar as várias influências sutis que compõem o vento, o tempo e o calor que experimentamos -- a temperatura e os gases do efeito estufa sempre caminhavam de mãos dadas. Uma temperatura mais alta sempre vinha com um nível mais alto de CO². E também o contrário: temperatura mais baixa significava um nível mais baixo de CO².

Além disso, em toda a história impressa nesse cilindro, nunca houve um nível tão alto de CO² na atmosfera quanto hoje. De acordo com Walker, “em todo o registro [do núcleo de gelo], o valor mais alto de CO² era cerca de 290 partes por milhão de partes de ar. Hoje estamos com 400 e continua aumentando.” Isso quer dizer que a Antártida, por ser imaculada, proporciona o melhor vislumbre possível do momento geológico bizarro que vivemos hoje.

Mas, é claro, a Antártida não é mais imaculada. Os efeitos humanos sobre a atmosfera e o clima podem de fato ser lidos com mais facilidade no Polo Sul do que em qualquer outro lugar da Terra. E os resultados são verdadeiramente horripilantes. Para simplificar, as imensas placas de gelo estão começando a se movimentar a uma velocidade incrível. Ns estreita Península da Antártida, que aponta para a América do Sul, e onde a maioria dos turistas visitam a Antártida, o degelo está ocorrendo tão ou mais rápido do que em qualquer outro lugar do planeta. Foi nesse local que um grande pedaço da plataforma de gelo Larsen B se desprendeu em 2002.

Porém, a península contém quantidades relativamente pequenas de gelo; a maior parte da água doce do mundo está presa nas placas de gelo gigantes da Antártida Oriental e Ocidental. Os cientistas, conservadores por natureza, chegaram à conclusão de que esses depósitos gigantes estiveram relativamente estáveis, pelo menos durante os últimos mil anos: Não é fácil derreter um quilômetro ou dois de gelo, especialmente quando a temperatura do ar raramente, ou nunca, sobe acima do ponto de congelamento. No entanto, como Walker deixa claro ao final de seu relato, os pesquisadores estão cada vez mais preocupados com a estabilidade da Antártida Ocidental especificamente.

Geleiras enormes estão se desprendendo da placa de gelo da Antártida Ocidental para o Mar de Amundsen no Pacífico Sul. Talvez seja a parte mais remota do continente mais remoto e, para piorar as coisas, a parte mais interessante desse continente está embaixo d’água. Por isso, os cientistas estão enviando robôs subaquáticos autônomos, os autonomous subs, para estudar a geologia e estão usando satélites para estudar as mudanças na altura do gelo. O trabalho não estava concluído quando Walker convocou a imprensa para o lançamento de seu livro, mas seu relato fornece toda a base de que você precisa para entender o que pode ter sido o anúncio mais triste já feito na era do aquecimento global.

Em meados de maio deste ano, dois documentos foram publicados na Science e na Geophysical Research Letters, deixando claro que as grandes geleiras voltadas para o Mar de Amundsen não estavam mais efetivamente “sustentadas”. Descobriu-se que a geologia da região tem forma de tigela: abaixo das geleiras, o terreno inclina para dentro, ou seja, a água pode e está invadindo a área abaixo delas. A água está literalmente comendo a partir de baixo e liberando as geleiras dos pontos onde estavam presas ao solo. Essa água é mais quente, pois nossos oceanos estão aquecendo continuamente. De acordo com os cientistas, esse colapso em câmera lenta, que ocorrerá durante várias décadas, é “irreversível” agora; já “passou do ponto sem volta”.

Isso significa que três metros de elevação do nível do mar estão sendo acrescentados às previsões anteriores. Não sabemos quando isso ocorrerá e com que rapidez, apenas sabemos que isso ocorrerá.1 E não será só isso. Poucos dias após o anúncio sobre a Antártida, outros cientistas descobriram que a maioria das placas de gelo da Groenlândia apresentam uma geologia subjacente parecida, com a possibilidade de derretimento pela água aquecida. Outro estudo publicado naquela semana mostrou que a fuligem de enormes incêndios florestais, mais frequentes como resultado do aquecimento global, está ajudando a derreter a placa de gelo da Groenlândia, um ciclo incrivelmente vicioso.

De certa maneira, nada disso é realmente novidade. Um dos principais glaciólogos, Jason Box, do GEUS (Geological Survey of Denmark and Greenland – Pesquisa Geológica da Dinamarca e Groelândia), calculou, com base no registro paleoclimático, que os níveis atmosféricos atuais de gases do efeito estufa provavelmente são suficientes para produzir uma eventual elevação de 21 metros no nível do mar.2 Mas uma coisa é saber que a arma está engatilhada, e outra é ver a bala sendo disparada; as notícias sobre a Antártida representam um momento decisivo. Isso não significa que devemos desistir de nossos esforços para redução da mudança climática: na verdade, de acordo com os cientistas, significa que devemos aumentá-los muito, pois ainda podemos afetar a velocidade dessas mudanças e, com isso, o nível de caos que elas produzem. Enfrentar o problema no decorrer de séculos será mais fácil do que em apenas algumas décadas.

Também podemos limitar as várias outras formas de danos além da elevação no nível do mar (desde a intensidade das secas até a praga de insetos portadores de doenças), se limitarmos muito as emissões de carbono agora. Porém, as notícias da Antártida sinalizam, de uma vez por todas, que não é possível “parar o aquecimento global”. Não há uma maneira de resfriar as águas aquecidas que estão derretendo as geleiras. A física não vai nos dar uma trégua. A partir de agora, todos os nossos esforços precisam ser dedicados a impedir um cenário pior.

O drama anunciado em maio sobre as descobertas na Antártida foi o clímax de um ano com um crescente rufar de tambores do mundo científico. Durante esse período, os pesquisadores tentaram, com insistência cada vez maior, transmitir a mensagem ao público e aos políticos. Em março, a Sociedade Norte-americana para o Progresso da Ciência emitiu um manifesto bem direto com o título “What We Know” (O que sabemos), que começa assim:

A grande quantidade de provas em documentos sobre a mudança climática causada por seres humanos significa custos consideráveis e riscos futuros extraordinários para a sociedade e os sistemas naturais.

A declaração segue afirmando que a mudança climática “põe em risco o bem-estar das pessoas de todos os países”.

Algumas semanas depois disso, a Casa Branca publicou sua Avaliação Climática Nacional (National Climate Assessment), “Impactos da mudança climática nos Estados Unidos”, em um site (Globalchange.gov), no qual é possível ver como cadestado ou região do país está sendo afetado pelo aumento da temperatura. A inovação da avaliação é retratar o dano resultante da mudança climática não como uma ameaça remota, mas como uma realidade atual:

Antes considerada um problema para um futuro distante, hoje a mudança climática faz parte do presente… Os americanos estão percebendo as mudanças ao redor.

E é claro que a mudança do clima é a responsável: por exemplo, no momento, metade dos Estados Unidos está em estado de seca, e a seca da Califórnia é a pior desde pelo menos o séc. XVI, com incêndios por todos os lados como prova.

A Avaliação Climática Nacional importa mais por sua mensagem implícita do que por seu conteúdo: ela sugere que o governo de Obama finalmente levará a sério, pelo menos retoricamente, a mudança climática. Isso marca uma mudança. Nas primeiras semanas do primeiro mandato de Barack Obama, funcionários do governo convocaram os líderes ambientalistas para uma reunião na qual disseram que não discutiriam o aquecimento global: em grupos focais, era mais popular falar sobre “trabalhos sustentáveis”. E eles mantiveram sua promessa infame: nas palestras fracassadas da Conferência sobre Mudança Climática de Copenhague em 2009 (o maior fiasco da política externa dos anos de Obama) e na tentativa fracassada no Congresso norte-americano de limitar a emissão de carbono no ano seguinte, a Casa Branca mal sussurrou a palavra “clima”.

Na campanha para a reeleição, em 2012, eles literalmente conseguiram evitar mencionar esse assunto (copiando a postura de Mitt Romney), até que o Furacão Sandy tornou isso impossível, nos últimos antes do pleito. Enquanto realizava a campanha, durante o ano mais quente da história norte-americana, com uma seca devastando o centro do país, a equipe de Obama mantinha um silêncio sepulcral. E quando o presidente falava sobre energia, ele fazia de tudo para deixar claro que apoiava o carbono, em qualquer forma possível. Por exemplo, em cima dos tubos de um oleoduto em Cushing, Oklahoma, ele afirmou:

Sob meu governo, os Estados Unidos estão produzindo mais petróleo hoje do que em qualquer outro momento nos últimos oito anos. Isso é importante saber. Nos últimos três anos, orientei a abertura de  milhões de hectares para exploração de gás e petróleo em 23 estados diferentes. Estamos abrindo mais de 75% de nossas possíveis reservas de petróleo no oceano. Quadruplicamos o número de equipamentos de perfuração, estabelecendo um recorde. Construímos uma quantidade suficiente de tubulação nova para gás e petróleo capaz de dar a volta na Terra e um pouco mais.

Realmente, quando Obama deixar seu cargo, os Estados Unidos terão ultrapassado a Arábia Saudita e a Rússia como os maiores produtores de petróleo e gás do planeta. O país estará usando menos carvão em suas usinas, mas estamos exportando mais. Estas ações resultaram em lucros tremendos para as empresas de petróleo e gás, mas não estão de acordo com a nova realidade física. Mesmo quando houve um enorme clamor do público, por exemplo, a onda de comentários públicos contrários ao oleoduto Keystone, o presidente titubeou. Realmente, os funcionários seniores sabem quão obscuro tem sido esse recorde. O jornalista Mark Hertsgaard, escrevendo para oHarper’s, cita uma série de confidentes de Obama admitindo que suas ações não foram suficientes para atingir as metas internacionais, muito menos para deixar um legado climático sólido.

Ainda assim, parece que algumas mudanças estão ocorrendo. No início de junho, o presidente propôs novos regulamentos para usinas a carvão, com o objetivo de reduzir suas emissões em até um terço até 2030. Esses regulamentos foram fortes o suficiente para disparar o alarme republicano de que o presidente estava iniciando uma “guerra contra o carvão”.

O problema é que fazer mais do que George W. Bush com relação à mudança climática não é apenas pouco, também é irrelevante. Neste caso, a pergunta útil é: o que a ciência exige? Pelo fato de aprendermos durante o mandato de Obama que o Ártico está derretendo rapidamente e que o oceano está se acidificando a uma velocidade incrível, e com base nos boletins mais recentes sobre o Polo Sul citados por mim, precisamos de muito mais. Defender as mudanças com relação ao carvão anunciadas recentemente pela Agência de Proteção Ambiental é, provavelmente, o máximo que Obama pode fazer com o Congresso atual, mas será necessário tirar proveito dessas ações com uma diplomacia inspirada a fim de garantir que a “próxima Copenhague” — uma sessão global de negociações, marcada para Paris em dezembro de 2015, não seja outro fiasco.

Para colocar pressão sobre todos os negociadores, o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, convidou líderes mundiais para uma reunião sobre o clima que será realizada em Nova York, em setembro. Essa reunião provavelmente repetirá os discursos enfadonhos sobre o destino das gerações futuras. Porém, tendo em vista o histórico de vinte e cinco anos de futilidades diplomáticas, muitos de nós que tentaram exigir alguma ação aproveitarão para promover, no cenário de Nova York e com a inundação do furacão Sandy ainda fresca na memória, o que pode vir a ser o maior protesto de rua da história do movimento climático.

O objetivo tornar mais claro o sentido de urgência para medidas contra a mudança climática e influir nas negociações. Já há pelo menos alguns sinais do aumento da consciência sobre esse problema mundial. Cada novo desastre parece convencer cada vez mais a opinião pública sobre a necessidade de ação, assim como a perspectiva preocupante de um El Niño em larga escala começar na metade do inverno no hemisfério sul, trazendo consigo seus prováveis desastres climáticos.

A comunidade financeira começou a questionar o valor em longo prazo dos estoques de combustível fóssil. Instituições com um grande volume de dotações, como a Universidade de Stanford, começaram o processo de venda de alguns de seus títulos em empresas de carvão. De acordo com os analistas, caso o mundo tome alguma atitude relacionada à mudança climática, muitas das reservas nas quais essas empresas baseiam seu valor teriam que ser deixadas debaixo da terra. “Este é um dos debates mais acelerados que já vi em meus trinta anos no mercado de ações”, disse Kevin Bourne, um diretor administrativo do Financial Times Stock Exchange, ao Financial Times durante o outono, no dia em que a Blackrock, a maior gestora de ativos do mundo, lançou um fundo de índice livre de combustíveis fósseis. No entanto, sabemos que será necessário um movimento muito mais forte e barulhento, e principalmente global, para pressionar os personagens principais a executar ações proporcionais ao tamanho do perigo.

Comecei esta resenha com a metáfora de um jogo de xadrez, mas o futebol também serve, pelo poder das forças agora desencadeadas. Como civilização, estamos a 44 minutos do segundo tempo e perdendo de um a zero. Sair tocando a bola de pé em pé, mesmo que permaneçamos no campo de ataque, simplesmente não vai ser suficiente para ganhar o jogo. Temos que fazer lançamentos longos e improváveis.

A boa notícia é que às vezes essas jogadas arriscadas funcionam. Na tarde em que a notícia assustadora sobre a Antártida foi anunciada, uma estatística nos encheu de esperança, vinda da Alemanha. Lá, o único país que levou a sério a mudança climática e trabalhou para mudar sua infraestrutura de energia, um novo recorde de energia renovável foi estabelecido. Naquela mesma tarde, a Alemanha havia gerado 74% de suas necessidades elétricas de fontes renováveis.

Há muito ainda a aprender sobre como armazenar a energia do vento e do sol para dias nublados e sem vento. Precisamos de redes melhores para fazer com que esse sistema de energia funcione perfeitamente, e elas não serão baratas. Porém, se um país localizado em uma latitude muito mais ao norte pode fazer uma economia moderna funcionar com energia proveniente de cima, não de combustíveis fósseis provenientes de baixo, todos nós podemos nos sentir encorajados. Isso pode ser feito. O recurso que conseguiu essa façanha na Alemanha foi a vontade política, que é infinitamente renovável. Se pudermos colocá-la em movimento.

  1. Três metros é aproximadamente o nível da onda de tempestade do Furacão Sandy no Porto de Nova York. Ela transformou grande parte da baixa Manhattan em uma Veneza passageira; imagine isso com a nova realidade. 
  1. Confira Chris Mooney, “Humans Have Already Set in Motion 69 Feet of Sea Level Rise” (Os humanos já colocaram em movimento 21 metros de elevação do nível do mar), Mother Jones, 31 de janeiro de 2013. 

(Fonte: http://outraspalavras.net/)

Lixões a céu aberto resistem, apesar do fim do prazo para substituí-los por aterros sanitários

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A vida real algumas vezes não anda no mesmo compasso das leis. Exemplo disso é a destinação do lixo nas cidades brasileiras. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) determinou que até 2 de agosto de 2014 (sábado) os gigantescos lixões a céu aberto, comuns em todo o país, deveriam ter sido completamente substituídos por aterros sanitários. De acordo com a ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o prazo não será prorrogado. Conforme as regras em vigor, os órgãos públicos que descumprirem a nova política de tratamento do lixo estão sujeitos ao pagamento de multas de até R$ 50 milhões.

No entanto, a situação mudou em ritmo bem menos acelerado do que o exigido pela legislação. A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico feita pelo IBGE em 2008 apontou que 2.810 cidades – ou seja, mais da metade dos municípios existentes no Brasil – ainda destinavam resíduos sólidos para vazadouros a céu aberto. Quatro anos depois, ao menos 3,5 mil lixões estavam ativos, segundo estimativa da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

Só no Nordeste essa é a prática de 1.598 cidades. Entre as capitais, as que mais ficam devendo no quesito manejo de resíduos sólidos são Porto Velho, Belém e Brasília. A situação mais crítica no país, aliás, é do Lixão da Estrutural, no Distrito Federal, o maior da América Latina. Do tamanho de 170 campos de futebol e uma montanha de lixo de 50 metros de altura, o local recebe cerca de 2 mil catadores de material reciclável trabalham 24 horas por dia.

Aterros

Um estudo da Associação Brasileira de Limpeza Públicas e Resíduos Especiais (Abrelpe) mostra que 40% de todo o lixo produzido no Brasil tem destinação inadequada. Já foi bem pior. Em 1989, mais de 88% das unidades de destinação de resíduos sólidos eram lixões a céu aberto e somente 1% eram aterros sanitários.

A relação, em 2008, foi de 50,8% de lixões contra 27,7% de aterros sanitários – o tipo mais indicado de tratamento. Os 22,5% restantes eram aterros controlados, que são o meio termo entre uma categoria e outra, porque o chorume ainda continua a ser lançado no solo, embora em menor proporção. Isso mostra que a melhora vem, mas em passos lentos.

“Regras muito rígidas”

Quem está de olho no futuro dos lixões no Senado é a Subcomissão Temporária de Resíduos Sólidos. Na quarta-feira (6), a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) pode apresentar seu relatório resumindo tudo o que foi dito por especialistas em seis audiências públicas relacionadas com o tema. Na avaliação da senadora, um conjunto de elementos levou os municípios a descumprir o prazo. No Amazonas, cita ela, todos eles apresentaram o planejamento de como desativar os lixões, mas não podem executar pela falta de dinheiro e de acesso dos municípios a verbas federais.

- As regras são muito rígidas para que os municípios consigam esse dinheiro – lamenta.

Na avaliação do presidente do colegiado, senador Cícero Lucena (PSDB-PB), que relatou o projeto que deu origem à lei de resíduos sólidos na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), os quatro anos foram suficientes para implantar as determinações da PNRS. No entanto, acredita ele, “faltou vontade política”.

“Governo não cumpriu sua parte”

Como exemplo, ele conta que apresentou, em 2010, emenda da comissão ao Orçamento da União para viabilizar, com R$ 217 milhões, suporte financeiro e técnico do governo federal à implantação das medidas previstas na lei em cidades com até 50 mil habitantes. Entretanto, apenas R$ 9 milhões foram liberados. No ano seguinte, uma nova emenda de Cícero visava qualificar agentes ambientais, mas nada foi liberado.

- O governo federal não fez a sua parte para acabar com os lixões e lavou suas mãos quanto a isso. Os prefeitos também são responsáveis, embora muitos tenham esbarrado em condições técnicas.

Ele defende a prorrogação do prazo de quatro anos para acabar com os lixões, mas com regras que forcem a adequação das cidades à política nacional de resíduos sólidos. O governo federal, no entanto, deve partir para a briga e aplicar multas. A estratégia é criticada pela própria Vanessa Grazziotin, que considera a possibilidade de mudar a lei:

- Tenho muita dúvida sobre multar, porque os municípios tiveram vontade de fazer, mas faltaram os meios para isso – pondera a senadora.

A destinação do lixo nas cidades brasileiras será o tema do próximo número da revista Em Discussão, produzida pela Secretaria de Comunicação do Senado Federal. A publicação pode ser acessada na página do Jornal do Senado na internet. (Agência Senado)

(Fonte: http://www.mercadoetico.com.br/)

Atropelamento de animais silvestres em rodovias chega a 450 milhões por ano no Brasil

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Os índices de atropelamentos de fauna silvestre nas rodovias brasileiras são alarmantes e a morte causada pelo choque com veículos é considerada um dos fatores que impactam diretamente a conservação da biodiversidade no País.  Os atropelamentos atingem 450 milhões de animais anualmente, segundo estimativas do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), da Universidade Federal de Lavras. Isso quer dizer que a cada segundo, 17 animais são mortos vítimas de atropelamentos no Brasil.

Um exemplo dos atropelamentos como ameaça a espécies acontece no Mato Grosso do Sul. Pesquisadores do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, relataram que, de Abril de 2013 a Março de 2014, em apenas três trechos de rodovias do Mato Grosso do Sul (pouco mais de 1 mil quilômetros nas BRs 262, 163 e 267), foram encontradas 1124 carcaças de 25 espécies diferentes de animais silvestres de médio e grande porte, como a anta brasileira, com 36 registros. Nesta pesquisa, a grande vítima desses acidentes foi o cachorro do mato, com 286 indivíduos mortos (confira lista completa ao final).

Tais números são extremamente relevantes para algumas dessas espécies que se encontram ameaçadas de extinção na natureza (IUCN Red List of Threatened Species e Lista Vermelha Nacional do ICMBIO – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), como a anta, listada como Vulnerável à Extinção especialmente por causa de seu ciclo reprodutivo muito longo (cerca de dois anos). A pesquisa identificou ainda que diariamente uma ou até duas antas são mortas a cada 1000km de rodovias no Estado.

“O problema é de fato muito grave e acontece por uma série de razões, entre elas, a negligência do motorista, que muitas vezes ultrapassa a velocidade permitida ou ainda atropela por fatores culturais, de superstição, por exemplo”, afirma Patrícia Medici, coordenadora da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (IPÊ). A pesquisadora ainda relata que em alguns casos, pequenas medidas podem fazer a diferença para solucionar o problema. “Em 2006, no Pontal do Paranapanema no Estado de São Paulo, na SP-613 [que corta o Parque Estadual Morro do Diabo], foram instaladas placas educativas e radares a fim de reduzir os atropelamentos de fauna. Apenas com essas medidas, a mortalidade de antas por atropelamento foi reduzida de uma média de seis antas por ano para uma anta a cada três anos”, afirma Patrícia.

Rede Estrada Viva

Para combater os atropelamentos de fauna no Estado do Mato Grosso do Sul, foi criada a Rede Estrada Viva, composta por profissionais de diferentes áreas e diversas organizações socioambientais. A Rede vai atuar junto a diversos atores direta ou indiretamente envolvidos com as tomadas de decisão para a proteção de espécies da fauna nas estradas. De 29 a 30 de Julho, esses profissionais reuniram-se em Campo Grande (MS) para desenvolver um planejamento estratégico que contempla: compilação de dados já existentes sobre o tema, comunicação e sensibilização dos mais diversos públicos para o problema, e sistemas de mitigação dos impactos das estradas na vida de animais silvestres. Algumas das ações já estão pautadas para serem implementadas nos próximos meses. A ideia da Rede Estrada Viva é também divulgar o tema para o Brasil, fazendo com que aumente o interesse por informações e soluções para o problema dos atropelamentos em todos os Estados.

“O problema não é só com a fauna silvestre, mas com toda a sociedade. Um atropelamento de espécie de médio a grande porte, por exemplo, além de afetar o animal, causa perda de vidas humanas. Há também o dano material que geralmente esses atropelamentos causam. Por essa razão, medidas mitigatórias são urgentes”, afirma Alex Bager, coordenador do CBEE e um dos criadores do Urubu Mobile, aplicativo para celular que permite que qualquer pessoa colabore com a redução da mortalidade de fauna silvestre por atropelamento.

Dia de Urubuzar

Uma das ações já planejada com o apoio da Rede Estrada Viva, e que acontecerá no dia 15 de Novembro, é o Dia Nacional de Urubuzar. A proposta vem do CBEE/UFLA com o objetivo de fazer com que as pessoas se mobilizem, por meio de qualquer atividade, para lembrar a importância do tema para a conservação da biodiversidade brasileira. Vale fazer palestra, distribuir informações sobre o problema dos atropelamentos da fauna nas estradas, utilizar o aplicativo Urubu, entre outras ações. Quem participar poderá divulgar as ações no Facebook do evento: www.facebook.com/groups/urubuzar

*Lista das espécies encontradas nos trechos das BRs 262, 163 e 267 (1.161 km), em MS, durante monitoramento de abril de 2013 a março de 2014:

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(Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/)

O ser humano provoca a sexta extinção em massa do planeta

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A extinção em massa da fauna não é nenhuma novidade: ocorreram cinco nos 600 milhões de anos em que os animais povoam a Terra, causadas por vários tipos de catástrofes planetárias como o vulcanismo intenso, os impactos de meteoritos e outros ainda não esclarecidos. A novidade da sexta extinção da história do planeta, a que estamos vivendo agora, é que a causa somos nós, os seres humanos. Em certo sentido, somos piores que um meteorito.

A reportagem é de Javier Sampedro, publicado pelo jornal El País, 24-07-2014.

Os últimos dados, apresentados em uma coletânea de ensaios na revista Science, são terríveis, com 322 espécies de vertebrados terrestres extintos desde o ano de 1500, e com o resto sofrendo uma redução média de 25% no número de indivíduos, o que, na verdade, é pior que as extinções por seu efeito nos ecossistemas. O quadro é ainda mais complicado entre os invertebrados, com declínios de 45% na população de 2/3 das espécies examinadas. Os cientistas criaram o termo defaunação (semelhante a desflorestação) para se referir a esse grave fenômeno.

A extinção é tão conatural à evolução biológica quanto a morte é para a vida: as espécies nascem e morrem, assim como os indivíduos. Mas ocorreram cinco extinções nos 600 milhões de anos de história animal que se destacam por seu poder devastador. A pior de todas não foi a mais popular – a dos dinossauros -, mas outra que ocorreu 200 milhões de anos antes: a extinção do período Pérmico, que varreu do mapa metade não apenas das espécies, mas das famílias que abarcam milhares de espécies. Os braquiópodos e os corais se salvaram nos pênaltis, mas 70% de nossos ancestrais vertebrados não tiveram tanta sorte.

Os geólogos ainda não chegaram a coincidir sobre suas causas: pode ter sido por uma crise de temperatura, com a superfície marinha superando os 28 graus e arruinando o estilo de vida dos animais que viviam aí, e depois destroçando todo o resto em uma cascata autoalimentada e catastrófica. Mas também está documentada uma mudança brusca no ciclo global do carbono em que se baseia toda a biologia. Também entraram em erupção osvulcões da Sibéria e, sobretudo, na época foi formado o supercontinente Pangea, que abarcava todos os atuais em uma única massa de terra. Na geologia, quando as coisas começam a mudar, não param no meio do caminho.

“Claramente a defaunação é tanto um componente ubíquo da sexta extinção em massa do planeta quanto um dos principais eixos impulsionadores da mudança ecológica global”, afirmaRodolfoDirzo, da Universidade de Stanford na Califórnia, e o primeiro autor de um dos artigos apresentados na revista Science, com o título sucinto de ‘Defaunação no antropoceno’. O antropoceno não é um período geológico convencional, mas foi adotado por especialistas em química atmosférica, como o prêmio Nobel Paul Crutzen, para denominar a época em que a atividade humana começou a gerar efeitos globais. Dirzo e seus colegas consideram que o antropoceno começou há uns 500 anos, embora existam outras opiniões.

“Nos últimos 500 anos”, dizem os cientistas da Califórnia, Rio Claro (Brasil), México, Oxfordshire e Londres, “os humanos desencadearam uma onda de extinção, ameaça e declínio das populações locais de animais que pode ser comparada, tanto em velocidade quanto em magnitude, com as cinco extinções em massa anteriores da história da Terra”. Nas escalas dos geólogos, 500 anos é realmente um piscar de olhos: nem sequer os efeitos do impacto de um meteorito têm uma duração tão curta, muito menos a formação do supercontinente Pangea.

A extinção em massa que acabou com os dinossauros é a que mais captou a imaginação popular

extinção em massa que acabou com os dinossauros – menos seus descendentes voadores, as aves – é a que mais captou a imaginação popular, com dois Steves (Jay Gould e Spielberg) entre os principais coadjuvantes. Seu nome técnico é “extinção K-T”, ou limite entre o Cretáceo (K, por kreide, giz ou calcário em alemão) e o Terciário (T). O que pouca gente se lembra é que não foram extintos apenas os dinossauros, mas também 80% das espécies animais existentes naquele momento, há quase 66 milhões de anos. Adeus aos amonóides, aos belemnites e à maioria dos corais. Dos inoceramus ninguém se lembra. A razão desta destruição em massa, terceira em importância na história do planeta, foi provavelmente um enorme meteorito que caiu perto do México nessa época, um impacto que eclipsou o sol por éones. Mas também houve um terrível período de vulcanismo, em um novo exemplo do caráter “pé-frio” dos eventos geológicos.

O termo defaunação quer enfatizar que o problema não se limita à extinção de espécies inteiras, mas que abarca também o desaparecimento de populações locais e a redução do número de indivíduos de cada população. “Embora as extinções tenham uma grande importância evolutiva”, explica Dirzo, “o declínio do número de indivíduos nas populações locais, e as mudanças na composição de espécies de uma comunidade, costumam causar um maior impacto imediato na função dos ecossistemas”. Os autores reconhecem que as extinções têm mais impacto nos meios de comunicação, mas ressaltam que “são apenas uma pequena parte da perda real de biodiversidade”.

Segundo diferentes estimativas, entre 16% e 33% de todas as espécies vivas de vertebrados estão ameaçadas ou “em perigo” de forma global, e somente nos últimos 500 anos, 322 foram extintas. Pior ainda, o número de indivíduos foi reduzido em uma média de 28%, com casos extremos como os elefantes, cuja população diminui a tal ritmo que sua extinção em breve é algo quase seguro. O elefante é um dos pouquíssimos animais com autoconsciência – se reconhecem no espelho – que nos acompanham neste vale de lágrimas evolutivo, junto com o golfinho e os grandes macacos.

“O declínio destas espécies animais afetará em cascata o funcionamento dos ecossistemas”, asseguram Dirzo e seus colegas, “e finalmente o bem-estar humano”.

Mesmo que seja só por causa disto, a defaunação deverá ganhar importância nos próximos anos.

(Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/)

Faltam líderes para enfrentar a crise ecológica e ambiental

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Vivemos um período especial da história. Nos próximos 20 a 30 anos, a humanidade terá de fazer escolhas inéditas sobre o futuro que desejará ter, quais os valores que serão passados para as próximas gerações, como produzir e consumir, e como deixará o planeta para a sobrevivência de seus semelhantes e descendentes.

A atual escassez de lideranças, seja nos níveis local, regional ou global, deve ser uma preocupação, pois por meio delas é que seria possível enfrentar as crises ecológica e ambiental, que já começam a causar graves consequências sociais (tempestades, inundações, furacões, estiagens prolongadas, etc) em todo o mundo. Sem falar nas guerras e sérios conflitos armados entre países, diante dos quais as estruturas das Nações Unidas se mostram frágeis.

Estas observações foram feitas por Sérgio Besserman, economista, ambientalista, professor de economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), ex-diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e membro do Conselho Diretor da WWF Brasil na palestra proferida nesta quarta feira, segundo dia do Seminário Sebrae de Sustentabilidade em Cuiabá. O tema da palestra foi “Liderança e Gestão Sustentável”. Cerca de 350 pessoas estavam presentes.

Desde a Revolução Industrial, os hábitos e o modo de vida da sociedade humana mudaram totalmente, disse Besserman. Se por um lado se passou a viver mais, devido ao desenvolvimento científico que gerou antibióticos e vacinas, por outro a produção industrial e o consumo cresceram velozmente, especialmente no século XX, sem considerar o ritmo da natureza para repor os recursos naturais (matérias primas).A ciência econômica não se preocupava com o capital natural e o tratava como bem infinito, até que por volta da segunda metade do século XX os cientistas começaram a apresentar estudos sobre o ritmo insustentável do crescimento econômico e da população mundial.

Para Besserman, as populações menos favorecidas são as que mais sofrem os efeitos do desequilíbrio ambiental e consequências como o aquecimento global e a falta de água. As mudanças climáticas, que devem provocar o aumento da temperatura na Terra em 2 graus, nos próximos anos, e a extinção acelerada de espécies são sinais de muitos problemas pela frente. Para a economia, é certamente uma grande preocupação, pois as matérias primas serão cada vez mais caras, escassas e os processos produtivos terão de se tornar muito mais eficientes. Ficará muito mais difícil ser competitivo e ser um negócio sustentável.

“Os economistas se esqueceram de que não existe almoço grátis”, disse Besserman, brincando. “Achamos que podíamos usar os recursos naturais sem se preocupar, que nunca iam faltar. Pensávamos que seria possível sempre substituir capital natural por capital humano, que a tecnologia resolveria tudo. Era uma ideia imbecil, fruto da onipotência narcísica do homem”, disparou.

O palestrante citou as grandes conferências da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável – Estocolmo, Rio 92 e Rio+20 – como marcos dos debates mundiais sobre o tema. Ele lamenta que apesar das informações, dos alertas dos cientistas, dos estudos que apontam os perigos do aquecimento global e da extinção acelerada das espécies, países, governos e mercado continuam encarando devagar os problemas. “Estamos longe de ganhar esta guerra”, enfatizou Besserman.

Ele se referiu ao estudo Limites da Terra, da Universidade de Estocolmo de 2009, segundo o qual doze limites do planeta estão sendo ultrapassados. Três deles e mais graves são: escassez de nitrogênio no solo, mudanças climáticas e crise da biodiversidade. Segundo geólogos, os impactos que a humanidade está promovendo e possíveis consequências equivaleriam a cinco apocalipses, citou o economista. “No nosso curtíssimo tempo de existência, estamos provocando uma severa crise na natureza”, resumiu. O tempo da natureza e do cosmos é outro e não significa que o homem vai destruir o planeta, acrescentou. Estamos dificultando o futuro e a nossa própria sobrevivência.

Em termos de oportunidades para os negócios, Besserman falou que nos próximos dez a vinte anos, haverá uma janela pequena de escolhas. O momento de tentar recuperar o que foi perdido já se foi. De agora em diante, resta procurar se adaptar e ser recipiente às mudanças que vão ocorrer. As principais consequências serão sentidas na agricultura, nas cidades e na saúde. As grandes empresas estão estudando as mudanças climáticas e planejando seus negócios e investimentos de acordo com as previsões de temperatura e transformações de culturas e processos produtivos. Os pequenos negócios precisam se preparar também.

“Vamos escolher continuar a fazer negócio como fazemos e deixar a temperatura do planeta subir até 6 graus ou vamos mudar tudo?”, provocou Besserman. Ele finalizou a palestra sugerindo a inserção do custo do aquecimento global nos produtos e serviços. “Não tem outra saída. Consumo consciente é bom para resolver o atrito, mas preço é o que resolverá”, ressaltou.

Para o economista, ao pagar pelo custo do aquecimento do planeta, consumidores e empreendedores iriam exigir que lideranças regionais, nacionais e globais surgissem e atuassem contra as mudanças climáticas e a crise da biodiversidade de maneira concreta. “A crise ecológica e ambiental causará problemas humanos principalmente para os mais pobres. Será uma crise social”, profetizou. (Agência Sebrae de Notícias)

(Fonte: http://www.ecodebate.com.br/)

Fim dos lixões: municípios poderão fazer acordo com MP para cumprir metas

Diante da decisão do governo de não estender o prazo para que municípios acabem com os lixões e passem a armazenar os resíduos sólidos em aterros sanitários, uma das alternativas para as cidades que não cumpriram a meta é assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público, que fiscalizar a execução da lei.

Segundo a procuradora do Trabalho do Paraná e coordenadora do projeto Encerramento dos Lixões e Inclusão Social e Produtiva de Catadores de Materiais Recicláveis do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Margaret Matos de Carvalho, os municípios que não se adequarem à lei, poderão ser punidos.

“A partir de 2 de agosto, a lei não vai permitir que sejam depositados materiais recicláveis e resíduos orgânicos em nenhum aterro. Então, aqueles que demostrem interesse de cumprir as obrigações, que firmem acordo com o Ministério Público. Se não fizer absolutamente nada, nem tomar providências, nem assinarem o TAC, vão responder por ação civil pública, por improbidade administrativa e crime ambiental”, disse.

Na avaliação da procuradora, não há dúvida que houve falta de vontade política para cumprir as metas. “Um prefeito não pode alegar desconhecimento da lei nem falta de recursos. Foram realizados muitos seminários e eventos para mobilizar os municípios. O governo abriu várias linhas de financiamento”,  listou. Segundo Margaret, são necessários R$ 300 mil por município para a organização da coleta seletiva, compostagem e de cooperativas de catadores.

Desde 2013, o projeto do CNMP realiza seminários por todo o país para discutir a uniformidade no tratamento do tema. “As empresas de coleta de lixo tem um único modelo:  fazer o buraco e enterrar tudo, e o Brasil engole isso a muitos anos. O meio ambiente não suporta mais, não só em área como em perda de matéria-prima”, avaliou Margaret.

Segundo a procuradora,  a legislação, que tramitou por 20 anos no Congresso, prevê prioritariamente a inclusão de catadores na coleta seletiva, como forma de dar uma destinação social para o ciclo do lixo. “A política nacional, ao mesmo tempo determina o fim dos lixões e a emancipação dos catadores”.

Além da coleta seletiva, os trabalhadores podem ser inseridos nos sistemas de logística reversa. “Esses produtos que, em tese não seriam coletados por catadores, por serem tóxicos ou perigosos, ainda serão coletados por pessoas, então não existe lógica de deixar as cooperativas de catadores de fora”.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos determina a construção prioritária de seis cadeias de logística reversa: de óleos lubrificantes, agrotóxicos, lâmpadas, eletroeletrônicos, pneus e pilhas, e ainda trata de embalagens em geral. “Temos uma iniciativa pioneira no Rio de Janeiro de coleta de embalagens de óleo lubrificante que é feita por catadores que têm espaço, treinamento e equipamentos adequados para a atividade”, citou a procuradora. (Andreia Verdélio)

(Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/)

Governo descarta ampliar prazo para municípios acabarem com lixões

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O governo federal não vai dar mais prazo para que os municípios acabem com os lixões e passem a armazenar os resíduos sólidos em aterros sanitários. O prazo acaba no próximo sábado (2), mas até agora menos da metade dos municípios conta com destinação adequada do lixo.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, uma ampliação pode ser discutida no Congresso Nacional. Para ela, a repactuação do prazo para a adequação deve vir acompanhada de um debate ampliado sobre a lei, levando em conta a realidade de cada município. “A necessidade de repactuar o prazo deve ser tratada no Congresso Nacional. O governo apoia uma discussão ampliada sobre a lei. Ampliar o prazo sem considerar todas as questões é insuficiente. Não se trata de empurrar com a barriga”, disse a ministra hoje (31). Segundo ela, é preciso  entender a lógica econômica dos municípios, a dificuldade que eles têm para operar, e considerar, ainda, o tamanho dos municípios e sua localização.

O Brasil tem atualmente 2.202 municípios que contam com destinação adequada dos resíduos sólidos, o que representa 39,5% das cidades do país. Por outro lado, 60% do volume de resíduos já está com destinação adequada.

Enquanto o assunto não é debatido no Congresso, o governo vai trabalhar com os ministérios públicos para “construir soluções” de acordo com a realidade de cada município. Uma reunião está marcada para o dia 22 de agosto para debater o assunto. Segundo a ministra, entre as soluções que podem ser apresentadas estão termos de compromisso e termos de ajustamento de condutas com os municípios.

Nos últimos quatro anos, desde que a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada, o governo federal disponibilizou R$ 1,2 bilhão para municípios e estados para ações de destinação de resíduos sólidos, incluindo a elaboração de planos e investimentos em aterros. Segundo a ministra, menos de 50% desses recursos foram executados, por causa de situações de inadimplência de municípios ou dificuldades operacionais.

Para a ministra, nos últimos quatro anos, houve um engajamento dos municípios para buscar soluções, e o número de cidades com destinação adequada dobrou. Mas, segundo ela, existem vários tipos de dificuldades peculiares de cada município. “Há uma diversidade de situações no país, não é só uma questão de tornar os recursos disponíveis, precisa trabalhar uma capacidade para os municípios darem respostas”, disse a ministra.

Dos 27 estados, apenas Maranhão, Rio de Janeiro e Pernambuco concluíram seus planos estaduais de resíduos sólidos. Para a ministra Izabella, o grande desafio é conseguir o engajamento dos governos estaduais. “Se não tiver uma coordenação dos governos estaduais, a União não pode coordenar na ponta todos os municípios, é necessária a coordenação, o engajamento e a governança dos estados”, disse.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em 2010 e determina que todos os lixões do país deverão ser fechados até o próximo sábado (2). Pela lei, o lixo terá que ser encaminhado para um aterro sanitário, forrado com manta impermeável, para evitar a contaminação do solo. O chorume deve ser tratado e o gás metano terá que ser queimado. Quem não cumprir a legislação estará submetido às punições previstas na Lei de Crimes Ambientais, que prevê multa de R$ 5 mil a R$ 50 milhões. (Sabrina Craide)

(Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/)

O ambientalismo radical do Papa Francisco

A exploração da terra “é o nosso pecado”, diz o pontífice.

francis-environNo dia 5 de julho, o Papa Francisco fez algo discretamente revolucionário. Em uma palestra na universidade italiana de Molise, Francisco caracterizou as preocupações com o meio ambiente como “um dos maiores desafios da nossa época”, um desafio que é teológico, bem como político, por natureza. “Vejo a América (…) tantas florestas, todas cortadas, que se tornaram terra de cultivo (…) que não podem mais dar vida”, refletiu ele, citando as florestas da América do Sul, em particular. “Este é o nosso pecado, explorar a Terra. (…) Esse é um dos maiores desafios da nossa época: converter-nos a um desenvolvimento que saiba respeitar a criação”. E o pontífice não termina aí; ele está planejando lançar uma encíclica ou carta papal, sobre a relação do homem com o meio ambiente.

É fácil ser simplista sobre as observações de Francisco – poucas pessoas enxergam o corte das florestas tropicais da Amazônia como um desenvolvimento encorajador. E um papa que defende a proteção ambiental não é algo inteiramente novo; afinal, o The Guardian apelidou Bento XVI de o “primeiro pontífice verde” por seu trabalho nessa área. Mas, ao caracterizar a destruição do meio ambiente não apenas como um pecado, mas sim como o nosso pecado, o maior pecado dos tempos modernos, o papa está fazendo mais do que condenar a inação pública sobre as questões ambientais.

Por delimitar uma posição ferozmente pró-ambientalista, embora limitando o seu discurso sobre questões polêmicas como a homossexualidade, Francisco está usando seu púlpito para moldar ativamente o discurso público sobre a natureza da criação (de fato, as questões ambientais fizeram parte de sua primeira missa papal). Ao fazê-lo, ele está implicitamente endossando uma visão surpreendentemente positiva da relação do indivíduo com o mundo criado e, com ele, uma visão profundamente otimista do que significa ser humano – e encarnado – de maneira geral, abrindo a porta para uma mudança radical de ênfase, embora não de doutrina, quando se trata da visão da Igreja Católica da humanidade.

A visão cristã da relação do indivíduo com a natureza – a “criação”, assim chamada no contexto teológico – tem tradicionalmente girado em torno de interpretações da exortação em Gênesis 1, 28: “E Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sejam fecundos, multipliquem-se, encham e submetam a terra; dominem os peixes do mar, as aves do céu e todos os seres vivos que rastejam sobre a terra’”.

Muitos citam a ideia de domínio para justificar uma visão antropocêntrica do mundo, em que a natureza existe apenas para fornecer ao homem a sua generosidade – uma posição que, muitas vezes, é mais prevalecente nos círculos evangélicos, especialmente nos Estados Unidos.

Alguns tipos de legislação, como a Louisiana Science Education Act [Lei sobre o Ensino de Ciências] do estado de Louisiana, nos Estados Unidos, que visa a adoção de um currículo “equilibrado” (leia-se: negação das mudanças climáticas) sobre a mudança ambiental nas escolas, tem recebido o apoio de organizações como o grupo criacionista Discovery Institute e o grupo cristão de defesa da liberdade religiosa, Alliance Defending Freedom. A Cornwall Alliance, cuja declaração foi assinada por luminares da direita religiosa, lançou uma série de 12 vídeos em 2010, intitulada “Resisting the Green Dragon” [Resistindo ao Dragão Verde], sobre os perigos do ambientalismo.

Essa perspectiva, no entanto, não está limitada aos protestantes. Considere-se o político católico Rick Santorum, que, em uma cúpula sobre energia, em 2012, no Colorado, rejeitou a ameaça das mudanças climáticas. “Nós fomos colocados na Terra como criaturas de Deus para ter domínio sobre a Terra, para usá-la com sabedoria e custodiá-la com sabedoria, mas para o nosso benefício, não para o benefício da Terra”, disse ele.

Tais posturas hostis sobre o ambientalismo estão enraizadas em uma questão muito mais profunda: em que medida deve o “eu” ser entendido como existente contra ou a favor da natureza? Em muitas tradições cristãs e, particularmente, entre a direita cristã, o indivíduo e o mundo criado estão em contradição – um produto da expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden e da declaração de Deus em Gênesis 3,17, “maldita seja a terra por sua causa. Enquanto você viver, você dela se alimentará com fadiga”.

O ato do pecado original, em outras palavras, estabelece uma relação inerentemente combativa entre o homem e a natureza; qualquer conflito é parte do “plano de Deus”. Como afirmou Elijah Dann, professor de religião e filosofia na Universidade Simon Fraser, no Canadá, em um artigo no Huffington Post sobre a mentalidade evangélica, “de alguma forma, pensar que podemos corrigir as instabilidades climáticas é [visto como] uma negação do juízo de Deus contra a desobediência humana”.

Além disso, qualquer tentativa de “consertar” o mundo natural é um esforço indesejável de mudar a ênfase da alma para o corpo. Como Dann escreve, “quando os cientistas nos anos 1970 estavam começando a se preocupar com o meio ambiente, eles eram vistos como se estivessem se engajando em uma forma secular de salvação – para salvar o planeta – e, como tal, eram uma afronta a Deus. A ênfase deve sim estar na salvação das almas”. O secular e o sagrado estão, nessa visão de mundo, totalmente separados: concentrar em salvar o mundo físico é prejudicar a alma imortal.

Ainda assim, esse ponto de vista, embora muitas vezes expressado vocalmente no discurso político e teológico norte-americano, está longe de ser o único. Outra vertente do pensamento cristão interpreta a mesma referência ao “domínio” em Gênesis como uma exortação à “proteção”. O mandamento representa tanto uma responsabilidade quanto um privilégio. Essa perspectiva tem produzido movimentos silenciosos de “cristianismo verde” nas últimas décadas, a partir da proliferação da ideia de “cuidado com a criação” entre os evangélicos, desde o Environment Justice Program iniciado pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos em 1993, aos comentários do Papa Francisco em sua missa inaugural de “sermos ‘protetores’ da criação, protetores do plano de Deus inscrito na natureza, protetores uns dos outros e do meio ambiente”.

“Cada árvore, cada lagoa, cada membro de cada espécie é único e especial para Deus”. A mentalidade de proteção promovida por Francisco surge de uma teologia mais ampla, que vê o mundo criado como inerentemente sagrado por ter sido feito por Deus.

A “queda” do mundo pode ter danificado a relação homem-natureza, mas o ideal pelo qual devemos trabalhar é o ideal da reconciliação. Tais interpretações também abraçam a ideia cristã da encarnação salvífica – que Cristo representa não apenas a Deus, em forma humana, mas, na verdade, Deus tornando-se homem. Se Deus pode entrar no mundo físico, segue a lógica, então o mundo físico é ainda mais sagrado (ou mesmo redimido do pecado original) por tal presença. A tradição católica franciscana – da qual o Papa Francisco busca não só inspiração, mas também de onde escolheu o seu nome – está enraizada nessa perspectiva.

Como escreveu Patrick Carolan, presidente da Rede de Ação Franciscana, no U.S. Catholic, “como parte da tradição franciscana, enfatizamos a ‘hecceidade’, a especialidade única de cada vida particular e de cada coisa inanimada, que é amada individual e particularmente por Deus. Cada árvore, cada lagoa, cada membro de cada espécie é única e especial para Deus”.

O Papa Francisco defende o seu apelo por uma ação ambiental, argumentando que “a criação não é uma propriedade que podemos governar à vontade; ou, menos ainda, é propriedade de apenas alguns: a criação é um dom, é um dom maravilhoso que Deus nos deu, para que nós cuidemos dela e a utilizemos para o benefício de todos, sempre com grande respeito e gratidão”.

O movimento cristão ecofeminista, que se desenvolveu a partir de perspectivas feministas e “mulheristas” no campo da teologia, também floresceu tanto no pensamento protestante como no pensamento católico. Algumas ecofeministas como a quaker Grace Jantzen acreditam que a demanda por uma custódia positiva emana da própria estrutura do mundo.

Em seu livro, “God’s World, God’s Body” [Mundo de Deus, Corpo de Deus], Jantzen argumenta que a relação de Deus com o mundo é análoga à relação entre o corpo e a alma. Com base na doutrina cristã generalizada da imago dei – que o homem é criado à “imagem e semelhança” de Deus (como em Gênesis 1,16) – Jantzen sustenta que o nosso estado encarnado estabelece a criação como o “corpo” de Deus. Ao contrário das escolas de pensamento do “domínio”, as escolas de custódia assumem que o mundo criado é inerentemente bom – que há uma concórdia inerente, ao invés de conflito, entre o físico e o espiritual.

Em suas observações recentes, o Papa Francisco não foi tão longe quanto Jantzen. Mas o seu foco sobre a necessidade de uma gestão do ambiente coloca-o dentro dessa tradição pró-ambientalista e dentro de uma teologia mais ampla que está disposta a celebrar, em vez de rejeitar, a matéria como uma dádiva de Deus.

O que é radical é a vontade de Francisco de apresentar o ambientalismo não apenas como um desafio, mas como um dos “maiores” desafios do nosso tempo. Ao sublinhar a importância do ambientalismo em sua teologia geral, Francisco está fazendo mais do que simplesmente defender um conjunto de princípios. Ele também está, publicamente, enfatizando – com o alcance vertiginoso concedido a um homem da sua posição – um entendimento da natureza, em contraste com a dicotomia combativa tão prevalecente no costumeiro discurso político-religioso, intrinsecamente positivo em seu tratamento do mundo físico. É uma visão que é, radical e profundamente, pró-vida.

O artigo é de Tara Isabella Burton, publicada na revista The Atlantic, 11-07-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

(Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/)

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O relógio da Terra mostra-nos alguns dos impactos causados pelo Homem na Terra. As estatísticas nele apresentadas, que estão a ser actualizadas ao vivo, podem ser verificadas nos sites seguintes:


População mundial: US Census Bureau
Taxa de crescimento populacional: CIA World Factbook
População prisional: UK Homeoffice
Divórcios (apenas para os Estados Unidos): Wikipédia
Imigração ilegal nos Estados Unidos: Wikipédia
Abortos: Wikipédia
Mulheres que morrem durante procedimentos abortivos incorrectos: Organização Mundial de Saúde
Taxa de infecções por HIV: Avert
Taxa de incidência de cancro: UICC
Temperatura média da Terra: Wikipédia
Extinções de espécies: National Wildlife Federation
Produção de petróleo: CIA World Factbook
Produção de carros: Mation Master
Produção de bicicletas: Earth Policy
Produção de computadores: Top Secret
Estatísticas de mortalidade: Organização Mundial de Saúde