A cada segundo 15 animais silvestres morrem atropelados

Número corresponde a 475 milhões de mortes por ano ou a 1,3 milhão por dia

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A cada segundo 15 animais silvestres morrem atropelados nas rodovias que cortam o Brasil, número que corresponde a 475 milhões de mortes por ano ou a 1,3 milhão por dia. As informações são do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) da Universidade Federal de Lavras (MG), que desenvolveu um método para conscientizar sociedade e Estado sobre o assunto. O centro acaba de fechar uma parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) propondo soluções ao problema.

O CBEE é responsável pelo Projeto Malha, que tem por objetivo reunir, sistematizar e disponibilizar informações sobre a mortalidade da fauna selvagem nas rodovias e ferrovias brasileiras. Com isso, os atropelamentos passam a ser registrados no Banco de Dados Brasileiro de Atropelamento de Fauna Selvagem (BAFS) e as informações coletadas pelo Sistema Urubu, um aplicativo que pode ser usado em smartphones e tablets. “Integramos esse projeto e, neste momento, trabalhamos na assinatura de um termo de reciprocidade com a Universidade Federal de Lavras (UFL) formalizando esta parceria que, até o momento, tem sido informal”, destacou Ivan Salzo, coordenador substituto de Apoio à Pesquisa do ICMBio.

Os documentos devem ser assinados no próximo Seminário de Pesquisa e Encontro de Iniciazação Científica, a ser realizado na sede do ICMBio, em Brasília, entre os dias 16 e 18 de setembro. Na ocasião, o professor e coordenador do CBEE, Alex Bager, vai expor materiais para divulgar o projeto. A intenção é que as Unidades de Conservação (UCs) federais que tenham estradas ou rodovias comecem a usar a metodologia. “O projeto começou em 2013 e agora estamos em processo de evolução. Nesse um ano e meio coletamos muitas informações importantes e agora queremos começar a fazer políticas públicas, em termos nacionais, com os órgãos competentes”, afirmou Bager.

Já integram o Projeto Malha a Floresta Nacional de Silvania, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, a Reserva Biológica União, a Floresta Nacional de Piraí do Sul, a Reserva Biológica Guaribas e o Parque Nacional Serra dos Órgãos. “Eles compartilham a metodologia de coleta de dados e têm uma melhor base para comparar as informações”, disse Salzo. Além dessas unidades, o Parque Nacional da Serra, o Parque Nacional do Iguaçu e a Estação Ecológica Taim também monitoram os atropelamentos, mas sob métodos diferentes. A expectativa é que até 2015 pelo menos 20, das 313 UCs federais administradas pelo ICMBio, façam parte do projeto.

Animais que mais morrem

A maior parte dos animais selvagens mortos por atropelamentos são pequenos vertebrados, como sapos, aves e cobras. Todos os anos, cerca de 430 milhões dessas pequenas espécies morrem atropeladas no Brasil. Outros 43 milhões são representados pelo animais de médio porte, como gambás, lebres e macacos. A menor parte, correspondente a dois milhões de mortes, está relacionada aos animais de grande porte, como onças, lobos e capivaras.

Monitoramento da fauna atropelada na BR-471

A Estação Ecológica Taim (RS) lançou em 2011 o projeto “Atropelamentos da Fauna Silvestre: impacto da BR-471” para minimizar os danos à biodiversidade que a rodovia provoca na Unidade de Conservação (UC). Durante um ano, a administração da unidade fez levantamentos quinzenais de espécies e animais mortos na estrada, assim como monitoramento do tamanho e locais dos atropelamentos. A partir de agora, também será feita a contagem de veículos que passam pela BR e o controle dos 19 túneis construídos sob a rodovia para que os animais atravessem de um lado para o outro sem a necessidade de cruzar a pista.

Uma alternativa

Como uma medida alternativa para reduzir o número de morte por atropelamento dos animais silvestres, o Parque Nacional do Iguaçu (PR) conta com aparelhos de “GPS rastreador” do tamanho de uma caixa de fósforo. O equipamento é instalado em todos os carros que entram na UC e envia informações importantes, como a velocidade do veículo, para uma central monitorada pelos servidores do Parque. “O aparelho estimula a conscientização do visitante. Desde que foi implantado, no início do mês de julho, não houve mais atropelamento no parque”, contou o chefe substituto da UC, Apolônio Rodrigues. (Comunicação ICMBio)

(Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/)

Mudanças climáticas causaram a “cratera do fim do mundo”, diz especialista

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Um evento natural curioso e com proporções enormes ocorreu há três semanas na Sibéria. Uma cratera gigante, com mais de 60 metros de diâmetro, abriu no solo, sem que fosse identificada a presença humana. Os pesquisadores atribuem o fenômeno às mudanças climáticas.

A “cratera do fim do mundo”, como o buraco ficou conhecido, ocorreu próximo a uma das maiores jazidas de petróleo da Rússia, mas os especialistas que visitaram o local garantem que não houve explosão e que nenhuma máquina foi responsável pelo ocorrido.

Mesmo que a situação seja assustadora, eventos semelhantes já foram observados em diferentes localidades. “São consequências direta do aquecimento de nosso planeta, que provoca o derretimento dos gelos perpétuos que cobram a tundra siberiana. Porém não é algo catastrófico, já que a Sibéria é um lugar muito sensível às mudanças”, explicou Leonid Rijvanov, doutor em geologia pela Universidade de Tomsk, à Agência Efe.

No entanto, mais do que o tamanho do buraco, a preocupação é com as possíveis consequências disso. O pesquisador esclarece que o gelo contém gás e com a redução da espessura, esse material é disparado como se fosse um vulcão, formando essas fístulas enormes.

A geóloga Maria Leibman, da Academia de Ciências da Rússia, também foi ao local, analisar as possíveis causas do fenômeno. Segundo ela, foi possível identificar uma concentração mais alta que o normal de gás metano, que é altamente inflamável e poluente que outros gases de efeito estufa. A cientista também garante que os níveis de radiação estavam acima do normal.

Outros buracos com as mesmas características, mas em proporções menores, foram identificados na região, o que alerta para a necessidade de estudos mais específicos da área para prevenir novos desastres. (CicloVivo)

Veja no vídeo abaixo os detalhes desta cratera.

(Fonte: http://www.mercadoetico.com.br/)

Anel de Desmame: um símbolo de crueldade da indústria de leite

Se existe uma indústria envolta em mentiras bilionárias é a indústria de laticínios. Já revelamos as atrocidades realizadas pelos produtores de leite, pelo processo da descorna e pelo destino dos bezerros em virarem vitela. Agora você irá conhecer mais um símbolo de tortura da indústria de leite.

A função do anel é impedir que o bezerro beba o leite de sua própria mãe.

A função do anel é impedir que o bezerro beba o leite de sua própria mãe.

Quando nascemos, a natureza nos oferece leite materno de um ser da nossa espécie. É ele que nos fornece os nutrientes necessários para um desenvolvimento saudável. E não é por acaso, pois não precisamos consumir leites de outros animais. Porém, apesar disso, a máfia da indústria de leite perpetua o mito de que necessitamos de leite animal para termos cálcio e outros nutrientes. Um mito que já foi derrubado pela ciência.

No momento que você consome queijo, leite e seus derivados, você está roubando algo que não é seu. Bezerros precisam ser separados de suas mães, para que elas possam produzir leite de maneira excessiva, através de inseminação artificial constante. Sem tais inseminações, a vaca não produz leite.

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Dentre os mais diversos métodos cruéis empregados pelos pecuaristas, está o anel de desmame, que foi criado para que os bezerros não consigam beber o leite suas mães. Esse método é usado também em pequenos produtores ou naqueles que recebem o selo de criação “humanitária”. De acordo com o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), 97% dos bezerros são retirados de suas mães no prazo de 24 horas após o nascimento. [1] Uma vez que os machos não podem produzir leite, eles se tornam inúteis para a indústria leite, sendo vendidos para a indústria da carne, onde vivem em minúsculas baias que impossibilitam a sua movimentação; movimentar-se desenvolveria seus músculos, o que faria com que o objetivo de “carne macia” não fosse atingido.

Já as bezerras ficam isoladas em abrigos solitários por cerca de 2 ou 3 meses, levando o mesmo destino de suas mães, ou seja, uma vida de estupro, infecções e sequestro de seus filhotes.

No vídeo abaixo você confere de perto como um bezerro fica com o anel de desmame, sem poder suprir uma necessidade básica essencial para sua sobrevivência.

(Fonte: http://oholocaustoanimal.wordpress.com/)

Brasil produziu 3 milhões de toneladas a mais de lixo em 2013

Crescimento em relação ao ano anterior foi de 4,1% 

Lixão da Estrutural, em Brasília (DF)/Crédito: Wilson Dias/Ag.Brasil

Lixão da Estrutural, em Brasília (DF)/Crédito: Wilson Dias/Ag.Brasil

Em 2013 o Brasil produziu mais resíduos sólidos: foram 76,4 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 4,1% em relação a 2012, segundo levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). O índice de 4,1% é superior à taxa de crescimento populacional no país no período, que foi de 3,7%.

Diariamente, mais de 20 mil toneladas de resíduos sólidos deixaram de ser coletadas no país, o que significa que 10% dos resíduos sólidos tiveram destino impróprio – acabaram em algum córrego ou nas ruas, por exemplo.

A geração de resíduos é um indicador muito representativo do nível de produção e consumo e, em muitos casos, também de desperdício. O resíduo do nosso consumo é apenas uma parte, e bem pequena, do total dos resíduos gerados durante o processo produtivo de cada produto, desde a extração, processamento, armazenamento e venda. E quem paga esta conta é o consumidor – o custo está embutido, na forma de impostos, no preço do que estiver sendo comprado. Os impostos, as prefeituras cobram para pagar pelos serviços de coleta, transporte, deposição final ou reciclagem. Este custo está também no meio ambiente, produzindo poluição visual, olfativa, obstruindo vias e canais de escoamento de água e, muitas vezes, trazendo riscos de doenças.

Em 2 de agosto terminou o prazo para que os municípios cumpram a determinação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10) de acabar com os lixões e armazenar os resíduos sólidos em aterros sanitários. Mas 41,7% dos resíduos sólidos ainda têm destinação inadequada (lixões ou aterros controlados). “28,8 milhões de toneladas de resíduos seguiram para lixões ou aterros controlados, o que do ponto de vista ambiental pouco se diferenciam dos lixões, pois não possuem o conjunto de sistemas necessários para a proteção do meio ambiente e da saúde pública”, diz o relatório da Abrelpe.

Em 2013, pouco mais de 62% dos municípios registraram alguma iniciativa de coleta seletiva. “Embora seja expressiva a quantidade de municípios com iniciativas de coleta seletiva, convém salientar que muitas vezes estas atividades resumem-se à disponibilização de pontos de entrega voluntária ou convênios com cooperativas de catadores, que não abrangem a totalidade do território ou da população do município”, diz o relatório.

(Fonte: http://www.akatu.org.br/)

Contaminação por plástico atinge 88% de três mil amostras de águas oceânicas

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Um estudo publicado na última semana por cientistas espanhóis no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences afirma que os oceanos estão lentamente se tornando uma espécie de sopa cheia de partículas plásticas microscópicas, passando pelas cadeias alimentares de todo o mundo.

De acordo com a pesquisa, que avaliou 3070 amostras, o problema já atingiu uma escala global, e os principais resíduos encontrados no oceano são polietileno e polipropileno, polímeros usados na fabricação de produtos como sacolas plásticas, embalagens de alimentos e bebidas, utensílios de cozinha e brinquedos, entre outros.

“As correntes oceânicas carregam objetos plásticos que se quebram em fragmentos cada vez menores devido à radiação solar. Esses pedaços pequenos, conhecidos como microplásticos, podem durar centenas de anos e foram detectados em 88% da superfície oceânica analisada”, comentou Andrés Cózar, pesquisador da Universidade de Cádiz.

“Esses microplásticos têm uma influência no comportamento e na cadeia alimentar dos organismos marinhos. Por um lado, os pequenos fragmentos muitas vezes acumulam contaminantes que, se engolidos, podem ser passados aos organismos durante a digestão; sem esquecer das obstruções gastrointestinais, que são outro dos problemas mais comuns desse tipo de resíduo”, explicou Cózar.

“Por outro lado, a abundância de fragmentos plásticos flutuantes permite que muitos organismos menores naveguem neles e colonizem lugares que não teriam acesso. Mas provavelmente, a maioria dos impactos que está ocorrendo devido à poluição plástica nos oceanos ainda não é conhecida”, concluiu o cientista.

Alguns países engajados em acabar com a proliferação dos resíduos plásticos estão começando pelas sacolinhas. Nos Estados Unidos, em muitos estados elas nem são mais utilizadas, sendo substituídas por sacolas reutilizáveis, biodegradáveis e de papel.

Nações insulares, como o estado de Yap, na Micronésia, que têm grande parte da sua economia baseada no turismo do mergulho e sofrem com a poluição causada pelo plástico, foram mais longe e resolveram banir o seu uso. Os comerciantes que distribuírem as famigeradas sacolas terão que pagar multas de US$ 100 por violação.

A União Europa também pretende tomar medidas duras. Novas regras preveem uma redução de 80% no uso de sacolas plásticas até 2019. Na França, um projeto de lei em discussão visa acabar com elas já em 2016, sendo que o país já tem uma taxa de 6 centavos de euro para cada sacola utilizada pelos consumidores.

Campanha

Três de julho é o Dia Internacional Sem Sacolas Plásticas, e a campanha Bag Free World, lançada neste ano para celebrar a data, ressalta o perigo que trazem à biodiversidade e ao meio ambiente.

A campanha conta com a participação de políticos e celebridades, como Joachim Steiner, diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e Jereny Irons, ator britânico.

“Há zero justificativas para ainda fabricá-las [as sacolas plásticas], em qualquer lugar”, declarou Steiner no website da Bag Free World.

Já Irons afirmou que “as pessoas ainda não estão conscientes da seriedade do problema do uso de sacolas plásticas. Espero que o filme Trashed [de 2012, produzido e estrelado pelo ator] permita que as pessoas tenham uma visão desse problema bastante curável, mas global. [O problema] não será resolvido sem a vontade comum e política para fazê-lo.”

No site da campanha, estão disponibilizadas diversas informações sobre a utilização das sacolas plásticas e seu impacto nos ecossistemas. Por exemplo, embora em média elas sejam usadas por apenas 25 minutos, levam entre 100 e 500 anos para se desintegrarem, dependendo do tipo de plástico.

Elas também prejudicam a biodiversidade, principalmente oceânica, já que muitos animais frequentemente ingerem pedaços de sacolas plásticas descartadas, o que os faz sufocarem e morrerem. Segundo o PNUMA, entre 50% e 80% das tartarugas marinhas encontradas mortas apresentam em seus estômagos fragmentos de sacolas plásticas. (Jéssica Lipinski)

(Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/)

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TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES: UM FLAGELO BRASILEIRO

Por Luis Pellegrini

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Das várias formas de impunidade criminal que assolam o Brasil, uma das mais insidiosas e persistentes é a que diz respeito à caça ilegal e ao tráfico de animais silvestres. A cada ano, em nosso país, um número absurdo de animais é pilhado do meio ambiente natural para ser vendido como mercadoria.

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Através de uma rede nacional capilar de caçadores e de traficantes, literalmente milhões de pássaros, sobretudo araras, papagaios e periquitos, cobras, borboletas, camaleões, jabutis, onças, macacos, peixes e tartarugas são aprisionados e vendidos tanto no mercado nacional quanto no estrangeiro. A quase totalidade dessas criaturas silvestres não sobrevivem aos processos de captura e de armazenamento para o transporte. Cerca de 90% delas morre antes de ser comercializada, por ferimentos, por sufocação, ou simplesmente por falta de comida e de água.

Testemunhei pessoalmente, há poucos anos, uma terrível situação desse tipo num posto de gasolina à beira da BR116, nas proximidades da cidade de Jequié, Bahia, durante uma viagem de carro entre Salvador e São Paulo. Após um café, dando uns passos para esticar as pernas, deparo-me com uma enorme pilha de gaiolões empilhados junto à parede lateral do posto. Aproximei-me e o que vi foi uma cena de puro horror: dentro das gaiolas, centenas, talvez milhares de pequenos pássaros, canários da terra, cardeais, galos da campina, azulões, pássaros-pretos, trinca-ferros, periquitos, simplesmente estrebuchavam. A maior parte deles já estava morta, amontoada no chão das gaiolas. Muitos, em desespero, ainda vivos, tinham prendido uma das pernas por entre os arames das gaiolas e, sem conseguir se soltar, se debatiam até morrerem pendurados ou terem suas pernas arrancadas.

Filhotes de arara-azul apreendidos em Corumbá, MS. Foto Neiva Guedes

Filhotes de arara-azul apreendidos em Corumbá, MS. Foto Neiva Guedes

Fui falar com o caixa do posto de gasolina, e ele me explicou que aquela era a carga de pássaros apenas daquela semana, destinada às cidades do sul do país. Porém, dessa vez, o caminhão que viria buscar as gaiolas não aparecera. Os caçadores então foram embora, abandonando a carga. “Por que vocês não chamam a polícia ambiental de Jequié ou de Vitória da Conquista? Ela vem aqui buscar os passarinhos”, perguntei. Foi o que bastou para o rapaz do caixa mudar de semblante. Ele me chamou para mais perto, com ar preocupado, e disse em voz baixa: “Meu amigo, não pronuncie essa palavra, “polícia”, aqui dentro. Não se sabe quem vai ouvir. Você vai seguir viagem pela estrada, e não sabe o que poderá lhe acontecer quando dobrar a primeira curva…”

Isso é o nosso país, o nosso Brasil profundo, acostumado, desde os tempos de Cabral e do saque do pau-brasil, a dilapidar os recursos naturais sem nenhum senso de responsabilidade ambiental.

Até animais do porte de uma onça pintada, o maior felino do Brasil, são alvo da cobiça dos traficantes de fauna silvestre

Até animais do porte de uma onça pintada, o maior felino do Brasil, são alvo da cobiça dos traficantes de fauna silvestre

Tráfico movimenta dez bilhões de dólares ao ano

Mas, dirão alguns, não somos os únicos. É verdade. De acordo com a Organização das Nações Unidas (Onu), o tráfico de animais silvestres é a terceira atividade ilícita mais lucrativa do planeta, perdendo apenas para o tráfico de drogas e para o tráfico de armas. A Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) estima que o tráfico de animais silvestres movimenta mundialmente cerca de pelo menos dez bilhões de dólares por ano.

O Brasil ocupa um lugar de destaque nessa questão, movimentando aproximadamente quinze por cento desse comércio ilícito, o que equivaleria a cerca de um bilhão e meio de dólares ao ano. Por possuir uma das mais ricas biodiversidades do planeta, nosso país é também um dos mais visados pelos traficantes.

O artigo 1º da Lei nº 5.197/67 (Lei da Fauna) define fauna silvestre como “os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento que vivem naturalmente fora do cativeiro”.

Vários tipos de animais que estão na mira de caçadores ilegais e destinados ao tráfico nacional e internacional

Vários tipos de animais que estão na mira de caçadores ilegais e destinados ao tráfico nacional e internacional

Diferentemente do animal doméstico, o animal silvestre não se acostuma ao cativeiro. Quando retirado do seu habitat natural ele reage negativamente, passando inclusive a ter dificuldade de se desenvolver e de se reproduzir em cativeiro.

Essa mesma lei brasileira proíbe a utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha do animal silvestre bem como de seus ninhos, abrigos e criadouros naturais. Uma outra lei, a de nº 9.605/98, determina a pena de detenção de seis meses a um ano e multa para o crime de “Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida”. O tráfico de animais silvestres é uma apropriação indevida de um patrimônio que pertence ao Poder Público e à sociedade, pois o animal silvestre e os seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são propriedade do Estado. A fauna silvestre é um bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida.

Saguis aprisionados por caçadores furtivos.

Saguis aprisionados por caçadores furtivos.

Lógica paradoxal e perversa

A existência do tráfico de animais silvestres, no entanto, obedece a uma lógica ao mesmo tempo paradoxal e perversa. Como explica o advogado e ativista ambiental pernambucano Talden Queiroz de Faria, “na maioria das vezes as pessoas adquirem um desses animais para simplesmente se darem ao deleite de tê-lo em casa, ignorando as consequências negativas que isso pode ter para o animal e para o meio ambiente. Há casos em que o sujeito realmente acredita estar fazendo um bem ao próprio animal ao criá-lo perto de si, achando que isso é uma demonstração de amor pelo mesmo”.

Na verdade, o simples fato de ser retirado do seu habitat natural é causa de grande sofrimento para o animal silvestre, que muitas vezes paga com a própria vida pelo prazer que alguns seres humanos possuem ao tê-los em casa. Ao sair do seu meio ambiente natural esse animal desaprende a conseguir alimento, a se defender dos predadores e a se proteger das situações adversas. O animal silvestre perde as suas características naturais de tal maneira que dificilmente sobreviveria ainda que libertado em um local adequado.

Muitas vezes, quando a polícia ambiental chega, os an imais já estão mortos

Muitas vezes, quando a polícia ambiental chega, os an imais já estão mortos

Normalmente os animais silvestres não são cuidados da forma adequada, já que ficam em espaços reduzidos e comem alimentos inapropriados, e pelo convívio com os seres humanos estão sujeitos a doenças que para os animais são fatais, como é o caso da gripe e do herpes. Por outro lado, existe o risco de ataques e de transmissão de inúmeras doenças por parte desses animais em relação aos seres humanos.

Algumas estatísticas apontam que noventa por cento dos animais traficados morrem antes de chegar ao seu destino final, principalmente devido às condições inadequadas em que são transportados em ônibus e em carros particulares. Dessa forma, de aproximadamente trinta e oito milhões de animais de seus ninhos e tocas, apenas dez por cento chega ao seu destino.

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Muitas vezes os animais ficam escondidos em caixotes ou em malas sem iluminação e ventilação, além de passarem dias sem tomar água ou ingerir qualquer alimento. O traficante muitas vezes faz o animal ingerir drogas ou bebidas alcoólicas, para fazê-lo parecer manso e torná-lo mais comerciável, e outras vezes ele o mutila ou cega. Os pássaros têm as asas cortadas para não poderem fugir e têm os olhos furados para não enxergarem a luz do sol e por consequência não cantarem, o que despertaria a atenção da fiscalização, ao passo que outros animais têm as suas garras e dentes serrados para se tornarem menos perigosos.

Como diz, ainda, Talden Queiroz de Faria, “a pessoa que adquire um singelo animal silvestre em uma feira livre como um papagaio ou um galo-de-campina talvez não imagine que está alimentando a cadeia de um negócio ilegal tão estruturado quanto o tráfico de drogas e que resulta em crueldade e maus tratos contra os animais e em extinção da biodiversidade. Na verdade, por conta da globalização e das altas cifras envolvidas o tráfico da fauna silvestre se modernizou e passou a adotar as mesmas estratégias e rotas do tráfico de drogas. Para se ter uma ideia, basta dizer que a arara-azul-de-lear custa sessenta mil dólares, a jararaca-ilhoa custa vinte mil dólares e o grama de veneno da cobra coral-verdadeira custa mais de trinta e um mil dólares. É por isso que a própria máfia russa já foi acusada de envolvimento com o tráfico internacional de animais”.

Cartazes da Renctas destinados a professores do ensino fundamental e médio. A conscientização ambientalista das crianças é fundamental

Cartazes da Renctas destinados a professores do ensino fundamental e médio. A conscientização ambientalista das crianças é fundamental

Despertar as consciências, o único remédio 

Como é ilusório e utópico esperar que as autoridades governamentais e policiais deem conta do recado em termos de aplicação real das leis vigentes – como esperar que algumas poucas centenas de policiais ambientais sejam capazes de controlar o tráfico em todo o território nacional? – resta-nos apenas o recurso de trabalhar cada vez mais ativamente no sentido de conscientizar os delinquentes ambientais em relação aos crimes que estão cometendo, e as suas consequências.

Por outro lado, o trabalho educativo com as crianças, por exemplo, nas escolas e nos lares, é considerado o modo mais eficaz de se operar mudanças reais e trazer benefícios concretos e permanentes à natureza. É um trabalho de longo prazo, que exige muito empenho, mas que em contrapartida é gratificante e realmente funciona!

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Com relação ao tráfico de aves no Brasil, o ambientalista Cristiano Sousa de Araújo sugere que o IBAMA e as polícias ambientais deveriam atuar em conjunto, realizando, preferencialmente, trabalhos de inteligência (escutas telefônicas autorizadas pela justiça, por exemplo), além de algumas providências simples e de baixo custo, tais como:

1) Vistoriar regularmente os criatórios comerciais, onde muitos pássaros são ilicitamente adquiridos de traficantes e anilhados com anilhas adulteradas como se fossem nascidos no próprio criatório. Com isto garanto que se fechará um grande escoadouro de aves do tráfico. Deve-se, também, realizar exames de DNA, por amostragem, para certificar se os filhotes são realmente nascidos no criatório ou se são provenientes do tráfico.

2) Vistoria das anilhas dos pássaros que participam de torneios de canto e fibra realizados por associações e federações de criadores de pássaros. A maior parte dessas aves possui anilhas adulteradas, que são colocadas fraudulentamente em pássaros capturados na natureza, por serem esses considerados os mais aptos aos torneios. Nesses torneios os pássaros alcançam preços altíssimos (um trinca-ferro pode valer R$ 300.000,00 ou até mais), o que estimula fortemente a captura dos mesmos. Com essas vistorias garanto que os torneios praticamente acabarão, devido às apreensões dos pássaros irregulares e às multas aplicadas, diminuindo em muito a demanda pelos pássaros do tráfico.

3) Constante rodízio dos policiais e agentes públicos envolvidos nessas operações, pois o tráfico de aves movimenta elevadas cifras, o que pode facilitar a corrupção.

4) O Ministério Público deve negociar uma espécie de “delação premiada” com alguns infratores que detenham informações importantes para o combate aos crimes ambientais.

A bióloga Juliana Machado Ferreira

A bióloga Juliana Machado Ferreira

Salvar os pássaros, nem que seja um a um

A luta em prol da preservação da nossa fauna e flora silvestres, já envolve, felizmente, um grande número de pessoas conscientizadas e de organizações. Essas ações inclusive transpõem a esfera puramente nacional, acontecendo também no exterior. Em recente conferência no TED, a bióloga brasileira Juliana Machado Ferreira comentou o seu trabalho para salvar pássaros e outros animais da nossa fauna silvestre aprisionados por caçadores ilegais no Brasil. Juliana explica que, às vezes, cargas desses animais são recuperadas e retiradas das mãos dos contrabandistas pela polícia ambiental. Mas então, ela pergunta, o que acontece? Juliana quer, simplesmente, salvar cada passarinho aprisionado, nem que seja um de cada vez. Ela prepara seu doutorado em genética da conservação no Laboratório de Biologia Evolutiva e Conservação de Vertebrados, da Universidade de São Paulo.

Veja, abaixo, o vídeo da conferência de Juliana Machado Ferreira, com legendas em português e tradução integral da sua fala.

Vídeo: TED – Ideas Worth Spreading

Tradução: Fábio Roselet. Revisão: Rodrigo Gomes

Tradução integral da conferência de Juliana Machado Ferreira no TED:

O comércio ilegal de animais silvestres no Brasil é uma das principais ameaças contra a nossa fauna, especialmente aves, e principalmente para abastecer o mercado de animais de estimação. Com milhares de animais retirados da natureza todos os meses, e transportados para longe das suas origens, para serem vendidos principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo.

Estima-se que os diversos tipos de comércio ilegal de animais silvestres no Brasil retiram da natureza quase 38 milhões de animais a cada ano, um negócio no valor de quase dois bilhões de dólares. A polícia intercepta uma parte dessas enormes cargas com animais vivos destinadas ao abastecimento do mercado de animais de estimação, ou apreendem os animais diretamente na casa das pessoas. E é assim que acabamos, a cada mês, com milhares de animais apreendidos.

Polícia ambiental apreende caixas e gaiolas contendo animais silvestres

Polícia ambiental apreende caixas e gaiolas contendo animais silvestres

E para nós entendermos o que acontece com eles, vamos acompanhar o Brad. Aos olhos de muitas pessoas, depois que os animais são apreendidos, eles dizem, “Ehh, a justiça foi feita. Os mocinhos chegaram, e libertaram os lindos animaizinhos maltratados das mãos dos malvados traficantes, e todos viveram felizes para sempre.” Mas será mesmo? Na verdade não. E é aqui que muitos dos nossos problemas começam. Porque temos que resolver o que faremos com todos esses animais.

No Brasil, eles são geralmente enviados primeiro para instalações governamentais de triagem onde, na maioria dos casos, as condições são tão ruins quanto as dos traficantes. Em 2002, esses centros receberam 45.000 animais, dos quais 37.000 eram pássaros. E a polícia estima que apreendemos cerca de cinco por cento do que está sendo traficado. Alguns sortudos, entre eles, Brad, vão para centros de reabilitação depois disso. E nesses lugares eles são tratados. Eles treinam seus voos. Eles aprendem a reconhecer os alimentos que encontrarão na natureza. E eles são capazes de socializar com outros da mesma espécie. (Risos)

Juliana Machado Ferreira verifica gaiolas usadas para a captura e o transporte ilegais de pequenos pássaros

Juliana Machado Ferreira verifica gaiolas usadas para a captura e o transporte ilegais de pequenos pássaros

Mas e então? A Sociedade Brasileira de Ornitologia – agora estamos falando apenas de aves -, alega que temos pouco conhecimento sobre as espécies na natureza. Assim, seria muito arriscado soltar esses animais, tanto para o animal solto quanto para as populações naturais. Eles também afirmam que nós gastamos muitos recursos em suas reabilitações. Seguindo esse argumento, eles sugerem que todas as aves apreendidas de espécies não ameaçadas deveriam ser sacrificadas. No entanto, isso significaria ter matado 26.267 aves, apenas no estado de São Paulo, apenas em 2006.

Mas, alguns pesquisadores, inclusive eu, algumas ONGs e algumas pessoas do governo brasileiro acreditam que há uma alternativa. Achamos que, se e quando os animais cumprirem certos critérios relativos à sua saúde, comportamento, origem presumida, e tudo o mais que soubermos sobre as populações naturais, então solturas técnicas responsáveis são possíveis. Tanto para o bem-estar do indivíduo, quanto para a conservação das espécies e de seus ecossistemas. Porque estaremos retornando genes à essas populações, que poderiam ser importantes para elas ao enfrentar os desafios ambientais. E também poderíamos retornar potenciais dispersores de sementes, predadores, presas, etc.

Filhotes de papagaios apreendidos com traficantes de animais na cidade de Juazeiro

Filhotes de papagaios apreendidos com traficantes de animais na cidade de Juazeiro

Todos esses foram soltos por nós. No topo, as tartarugas estão apenas “desfrutando a liberdade”. No meio, esse cara fez um ninho algumas semanas após a soltura. E embaixo, o meu favorito aquele macho pequeno ali, quatro horas após a sua soltura ele já estava junto com uma fêmea silvestre. Bem, isso não é novidade, as pessoas têm feito isso no mundo todo. Mas ainda é um grande problema no Brasil. Acreditamos que temos realizado solturas responsáveis. Temos constatado animais soltos acasalando na natureza, e tendo filhotes. Assim, esses genes estão realmente voltando para as populações. No entanto, tais registros ainda são uma minoria se comparados com a falta de conhecimento. Então eu digo, vamos estudar mais, vamos esclarecer essa questão, Vamos fazer tudo o que pudermos. Estou dedicando minha carreira a isso. E estou aqui para pedir a todos e a cada um de vocês para fazer o que estiver a seu alcance. Fale com o seu vizinho, ensine seus filhos, verifique se o seu animal de estimação veio de um criador legalizado. Precisamos agir, e agir agora antes que esses sejam os únicos exemplares restantes. Muito obrigado.

(Fonte: http://www.brasil247.com/)

Lixo com prazo vencido

Por Viviane Tavares*

Lixão da Vila Estrutural, no Distrito Federal - Brasília

Lixão da Vila Estrutural, no Distrito Federal – Brasília

Municípios não conseguem dar fim aos lixões, que causam mal à saúde humana e ao meio ambiente.

O prazo para que os municípios brasileiros desativassem os lixões a céu aberto terminou no último dia 2 de agosto, mas a meta não foi alcançada pela maioria das 5.564 cidades que contam com esse tipo de descarte do resíduo solido, mas especialistas apontam que, além da falta de recurso, falta interesse por parte dos gestores públicos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12305/2010) estipulou o ano de 2012 – dois anos após a sanção da política – como data limite para que os municípios apresentassem o Plano de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos (PGIRS), que mostra caminhos para o fim dos lixões, além de uma série de obrigações como a implantação da logística reversa e da coleta seletiva. Com isso, garantiria mais recursos federais destinados à área. Quase nada foi cumprido até agora.

De acordo com a pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) em cidades com até 300 mil habitantes, 32,5% delas ainda enviam os resíduos para lixões e 61,4% para aterros sanitários. Em relação ao Plano de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos, 51,6% afirmam possuir e 45,7% disseram não contar com este planejamento.

O CNM alega que essas ações não puderam ser concluídas porque para cumprir a Lei dos Resíduos Sólidos os governos municipais deveriam contar com apoio financeiro por parte da União o que, segundo eles, é escasso. De acordo com a nota publicada pela CNM na última semana, entre 2011 e 2013, o Ministério do Meio Ambiente recebeu 577 planos de gestão, mas apenas 96 se transformaram em contratos e oito estão em execução. As que ainda não estão em curso, tiveram a mesma justificativa: não puderam “executar as políticas por entraves burocráticos e contingenciamento do orçamento”. De acordo com o Portal da Transparência, o repasse dado entre entes para a temática resíduos sólidos e resíduos sólidos urbanos chega a R$ 72 milhões. A CNM aponta que até agora foram desembolsados R$ 308,6 milhões para o programa.

Em entrevista coletiva realizada no dia 28 de julho, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, confirmou que um dos principais problemas para se adequar a lei é a verba municipal. “Todo mundo sabe que é preciso investir R$ 70 bilhões [para cumprir a lei] e a arrecadação total dos Municípios não chega a R$ 100 bi” questionou Ziulkoski e completou: “Para alcançarmos a plenitude da lei, temos que implantar a coleta seletiva, que custa o dobro da atual. Tem a logística reversa. A lei é grande e complexa. O Distrito Federal tem a maior arrecadação do País e não tem aterro. Ainda é lixão”. Em sua fala, o presidente da CNM criticou ainda o fato de o lixão ser enquadrado em crime ambiental.

Maurício Waldman, professor da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e pós-doutor em resíduos sólidos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) acredita que as ações não foram realizadas por falta de interesse por parte dos gestores públicos. “Os municípios não fizeram o plano porque não quiseram. O que tem é uma má vontade. E isso acontece porque o poder público é omisso, porque preferem soluções que gerem grandes obras”, informa e completa, analisando as dificuldades dos municípios em realizar o plano de resíduos: “Se tivessem políticas mais inteligentes, seriam menos sobrecarregados e mais atuantes. Já tem alguns anos que as faculdades oferecem curso de gestão e engenharia ambiental. Não está faltando profissional para auxiliar nisso. A realidade é que ninguém quer ser controlado por um plano. O poder público não está preocupado com o processo, ele está preocupado com os resultados finais. Mas o caminho certo seria pensar a educação ambiental, fortalecer as cooperativas de catadores de lixo, porque se não fossem eles, as pessoas iriam ver que é o caos do lixo”, pontua.

O professor diz ainda que a população poderia ser colaborativa. “Em Berlim, 30 a 40% do lixo é resolvido em casa, com toda uma rede de reciclagem que atende a 48% do lixo. O poder público nem toca nisso, podendo, assim sobrar mais dinheiro para saúde e educação. O lixo pode ser uma solução. Ele se torna um problema quando falta educação ambiental, quando falta interesse no que diz respeito a soluções boas de verdade”, opina.

Como informado pela matéria ‘O que fazer com o lixo?’, da Revista Poli nº 25, os 2.906 lixões do país estão distribuídos por 2.810 municípios de acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. “Trocando em miúdos, 50,5% das cidades brasileiras têm como principal forma de destinação de seus resíduos os lixões”.

Impactos ambientais e na saúde

E a pergunta que não quer calar: Que mal tem os lixões? O professor da Unoeste explica que ele produz tóxicos poluentes para o solo, para a água e muito danosos à saúde humana. “O chorume é uma substância tão perigosa como a dioxina e o plutônio, considerando que os três são derivados do lixo: um nuclear, outro da queima e o outro por enterrar o material orgânico, que deveria ser compostado. O lixão é por definição um condomínio de patógenos. Ele tem as características do que chamamos de três “A”, de abrigo, água e alimento. Então, esses patógenos fazem a festa. Já tem estudos dos anos 1990 que comprovam que uma tênia permanecesse durante anos num lixão, além de tantos outros que causam, por exemplo, dermatites, hepatite. Não é à toa que a lei de crimes ambientais considera o lixão como crime”, explica. Nesta lista de doenças causadas pelo lixão podem ainda ser incluídas a peste bubônica, salmonelose e leptospirose.

Para a saúde ambiental, esse tipo de descarte dos resíduos também é um problema como explica Mauricio. “É preciso lembrar os problemas ambientais que os lixões causam na água. A contaminação da água por chorume é de 120 a 200 vezes pior que o esgoto, que já é complicado por ter uma alta demanda bioquímica de oxigênio, causando morte da vida marinha. Imagina o chorume? E o pior é a ignorância da população. A gravidade do problema não é muito disseminada, as pessoas sequer têm acesso aos riscos que correm”, avalia.

Aterro sanitário é solução?

Como afirma a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o local mais adequado para receber os lixos são os aterros sanitários, que devem seguir determinadas regras para sua liberação e funcionamento como, por exemplo, a licença ambiental de órgãos ambientais estaduais e instalações adequadas. Uma das iniciativas apontadas pela CNM são as ações consorciadas entre vários municípios, para a implantação de aterros sanitários.

Mauricio Waldman discorda dessa solução, embora reconheça como um pouco melhor do que os lixões a céu aberto. “Não dá pra defender como a melhor solução. A saída é consumir de forma responsável os recursos. Se consumiu, reutiliza, recicla, mas vale lembrar que essa coisa de lixo zero é bobagem, não existe”, avalia e completa: “Para cair por terra essa história de que é difícil, é caro, um dos únicos problemas urbanos que podem ser resolvidos em um prazo relativamente curto é o lixo. Se começar com a compostagem do lixo, que não precisa de grandes instalações como um aterro, já seria uma grande saída para uma considerável parcela do lixo. Mas, as soluções inteligentes são, infelizmente para os gestores, baratas. Não precisa fazer grandes instalações, então não dá dinheiro para empreiteira, não gera voto”, explica.

*Viviane Tavares – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)

(Fonte: http://www.ecodebate.com.br/)

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O relógio da Terra mostra-nos alguns dos impactos causados pelo Homem na Terra. As estatísticas nele apresentadas, que estão a ser actualizadas ao vivo, podem ser verificadas nos sites seguintes:


População mundial: US Census Bureau
Taxa de crescimento populacional: CIA World Factbook
População prisional: UK Homeoffice
Divórcios (apenas para os Estados Unidos): Wikipédia
Imigração ilegal nos Estados Unidos: Wikipédia
Abortos: Wikipédia
Mulheres que morrem durante procedimentos abortivos incorrectos: Organização Mundial de Saúde
Taxa de infecções por HIV: Avert
Taxa de incidência de cancro: UICC
Temperatura média da Terra: Wikipédia
Extinções de espécies: National Wildlife Federation
Produção de petróleo: CIA World Factbook
Produção de carros: Mation Master
Produção de bicicletas: Earth Policy
Produção de computadores: Top Secret
Estatísticas de mortalidade: Organização Mundial de Saúde