Estudo mostra que quanto mais velha a árvore, mais ela absorve CO2

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Quanto mais velha é uma árvore, mais ela captura dióxido de carbono (CO2) na atmosfera para continuar a crescer, revelou um estudo publicado nesta quarta-feira sobre o impacto das florestas no aquecimento global.

Os resultados dos trabalhos, publicados na revista científica britânica Nature, indicam que em mais de 400 tipos de árvores estudados, são os espécimes mais velhos e, portanto, os maiores de cada espécie os que crescem mais rápido e que, consequentemente, absorvem mais CO2.

Estes cientistas contradizem o postulado segundo o qual as árvores velhas contribuiriam menos na luta contra o aquecimento global.

“É como se para os humanos, o crescimento se acelerasse depois da adolescência ao invés de se retardar”, explicou para a AFP Nathan Stephenson, um dos autores deste trabalho.

As árvores absorvem da atmosfera o CO2, principal gás causador do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global, e o armazenam em seus troncos, seus galhos e suas folhas.

As florestas desempenham, assim, um papel de reservatórios de carbono, mas até que ponto elas retardariam o aquecimento é um assunto em aberto.

“Já sabemos que as florestas antigas estocam mais carbono do que as florestas mais jovens”, explicou Nathan Stephenson. Mas, prosseguiu o pesquisador, “as florestas antigas têm árvores de todos os tamanhos e não está claro quais cresceram mais rápido, capturando assim a maior quantidade de dióxido de carbono”.

Este estudo dá uma resposta clara a esta questão: “para reduzir o dióxido de carbono presente na atmosfera, é melhor ter árvores grandes (ndr: e, portanto, antigas)”, resumiu o cientista.

“Este conhecimento vai nos permitir melhorar nossos modelos para prever como as mudanças climáticas e as florestas interagem”, ressaltou Nathan Stephenson.

Cerca de quarenta cientistas participaram deste estudo, que analisou os dados dos últimos 80 anos de 670.000 árvores de 403 espécies diferentes existentes em todos os continentes.

(Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/)

Empatia e Cuidado: o paradigma e a atitude para uma nova civilização

Auditório das Humanidades
Palestrantes: Leonardo Boff, Bernardo Toro, Ana Maria Schindler

A Empatia e o Cuidado contêm o conjunto de valores para fundamentar a nova civilização da sustentabilidade. São componentes fundamentais da nova inteligência que necessitamos para avançar rumo a uma nova civilização.

Os efeitos da mudança climática se aproximam de ponto irreversível

Parte do CO2 emitido permanecerá na atmosfera por pelo menos 1.000 anos. A pior previsão é que o mar suba 82 centímetros e a temperatura 4,8 graus em 2100

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Os cientistas têm cada vez mais certeza ao afirmar que o homem é o principal responsável pela mudança climática e advertem sobre os danos causados até agora pelas emissões humanas: a elevação do nível do mar, acidificação dos mares e o derretimento glacial se manterão durante séculos se os governos não se conscientizarem de que o aquecimento é real e muito grave, embora venha se suavizando nos últimos anos e alguns já tomem medidas drásticas para combatê-lo. Embora o enfrentem com firmeza, já há efeitos com os quais conviveremos por pelo menos mil anos. Dependendo do cenário, entre 15% e 40% do CO2 emitido pode ficar na atmosfera. Segundo suas previsões, o nível do mar poderia subir entre 26 e 82 centímetros e a temperatura aumentar até 4,8 graus até o final do século.

O Grupo Intergovernamental da mudança climática (IPCC), criado pelas Nações Unidas adiantou, nessa sexta-feira em Estocolmo (Suécia), as principais conclusões de seu último relatório, que representa uma chamada de atenção aos líderes políticos em um momento de crise no qual a luta contra o aquecimento deixou de ser prioridade.

O documento será estudado pelos governantes do mundo antes de chegar a um acordo multilateral vinculativo para reduzir a emissão de gases de efeito estufa em 2015, que deverá começar a ser aplicado em 2020. “Ainda podemos prevenir os piores efeitos da mudança climática e deixar para nossos filhos e seus filhos um planeta decente. Mas precisamos de governos que ajam como bombeiros e não como piromaníacos”, publicou o Europa Press, citando um quadro do relatório de conselhos para políticos que não foi difundido nessa sexta-feira.

Para conseguir, os autores recomendam começar “o mais rápido possível” um caminho para a energia renovável, proteger os bosques, os oceanos e os recursos hídricos dos quais dependa a economia.

O relatório AR5, principalmente pensado para os representantes políticos, reúne as evidências científicas dos últimos seis anos. Nesta edição, da qual participaram 831 especialistas de 85 países, foi possível compreender com maior exatidão a forma como o nível do mar está subindo, o que aumentou a veracidade das previsões que se desenham em vários cenários possíveis.

O trabalho anterior, difundido em 2007, mostrou evidências suficientes de que a mudança climática é inequívoca e estabeleceu como causa provável as atividades humanas. Foi atacado na época por vários especialistas por conter erros. Entre outros, sobre a velocidade com a qual poderiam desaparecer as geleiras do Himalaia. Outro grupo o revisou depois e concluiu que as principais conclusões continuam sendo válidas.

Os investigadores tem 95% de certeza que o homem é o principal causador

Estas são algumas das previsões dessa edição do relatório:

» Nível do mar. A confiança nas previsões do crescimento do nível do mar cresceram em relação ao relatório anterior, o AR4, graças à melhora da compreensão dos componentes do nível do mar, um maior acordo dos modelos baseados em processos com observações e a inclusão do gelo nas mudanças climáticas. “À medida que o oceano esquenta, as geleiras e as capas de gelo se reduzem e o nível do mar continuará aumentando em todo planeta, mas a um ritmo mais rápido do que experimentamos nos últimos 40 anos” disse Qin Dahe, vice-presidente do grupo de trabalho número 1 do IPCC. As previsões apontam para uma subida de 26 a 82 centímetros até o ano de 2100. A margem é maior do que se estimava em 2007 (entre 18 e 59 centímetros).

» Papel do homem. O estudo diz que é muito possível, com uma probabilidade de pelo menos 95%, que as atividades humanas sejam a causa predominante do aquecimento global no século XX. Esse aspecto aumentou em relação ao último estudo, de 2007, no qual a probabilidade era situada em 90%. No de 2001, estava em 66%.

» Mudanças no clima. O aquecimento é inequívoco e, desde 1950, muitas das mudanças observadas não têm precedentes em décadas ou milênios. A atmosfera e os oceanos aqueceram, as quantidades de neve e gelo diminuíram, os níveis do mar cresceram, e as concentrações de gases de efeito estufa também. Cada uma das últimas três décadas foi sucessivamente mais quente e as ondas de calor serão mais frequentes e duradouras, a superfície da terra esteve muito mais quente que em qualquer década anterior a 1850. Entre 1880 e 2012, o aumento estimado da temperatura foi de 0,85 graus. Os cientistas acreditam que aumente, até o final do século, ao menos 1,5 graus em comparação à era pré-industrial, embora os cenários mais pessimistas indiquem aumento de 4,8 graus.

O texto deve servir aos líderes mundiais para um pacto vinculativo em 2015

» Oceanos. É “virtualmente certo” (99%) que houve aquecimento da parte superior dos oceanos, da superfície aos 700 metros de profundidade, de 1971 até 2010. O relatório considera, com alto nível de certeza, que o aquecimento oceânico é o principal fator do aumento da temperatura, já que representa mais de 90% da energia acumulada entre 1971 e 2010.

» Gelos. Nas últimas décadas, os blocos da Groenlândia e do Antártico foram perdendo massa, enquanto as geleiras continuam diminuindo.

» Carbono. As concentrações de dióxido de carbono, metano e óxido nítrico na atmosfera cresceram até níveis nunca vistos nos últimos 800.000 anos. Essas agrupações de C02 cresceram 40% desde os tempos pré-industriais, principalmente pelas emissões de combustíveis fósseis. Os oceanos absorveram 30% de dióxido de carbono, produzindo a acidificação dos mares.

» Irreversibilidade. Muitos aspectos da mudança climática persistirão durante séculos, ainda que as emissões de CO2 se detenham. As temperaturas permanecerão em níveis elevados durante séculos.

Relatório completo de 2013, em inglês

(*) IPCC, na sigla em inglês, Intergovernmental Panel an Climate Change

(Fonte: http://www.cartamaior.com.br/)

Estamos num voo cego: para onde vamos?

Artigo de Leonardo Boff*

As palavras finais da Carta da Terra apelam para uma retomada da humanidade: como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a um novo começo.

 

Leonardo Boff

Leonardo Boff

Quem leu meus dois artigos anteriores “O funesto império mundial das corporações” e “Uma governança global da pior espécie: os mercadores” terá seguramente concluído que na única nave espacial-Terra, seus passageiros viajam em condições totalmente diferentes. Um pequeno grupo de super-ricos ocuparam para si a primeira classe com um  luxo escandaloso; outros felizardos ainda viajam na classe econômica e são servidos razoavelmente de comida e bebida. O resto da humanidade, aos milhões, viaja junto às bagagens sujeita ao frio de dezenas de graus abaixo de zero, semi-mortos de fome, de sede e no desespero. Esmurram as paredes dos de cima, gritando: “ou repartimos o que temos nesta única nave espacial ou, num certo momento, acabará o combustível e pouco importam as classes, morreremos todos”. Mas quem os escutará? Impassíveis dormem depois de um lauto jantar.

Metaforicamente esta é a situação real da Humanidade. Na verdade, estamos perdidos e num voo cego. Como chegamos a esta situação ameaçadora?

Temos  experimentado dois modelos de produção e de utilização dos bens e serviços naturais para atender as demandas humanas: o socialismo e o capitalismo. Ambos fracassaram. Não cabe detalhar os dados. O sistema do socialismo real era  de economia de planejamento estatal centralizado. Chegou a níveis razoáveis de igualdade-equidade nos campos da educação, da saúde e da moradia mas, por razões internas e externas, especialmente por seu caráter ditatorial não conseguiu resolver suas contradições e ruiu.

O sistema capitalista neoliberal de mercado livre com parco controle do Estado também fracassou em razão de sua lógica interna, a de acumular de forma ilimitada bens materiais sem qualquer outra consideração. Produziu duas injustiças graves: uma social a ponto de 20% dos mais ricos controlarem 82,4% das riquezas da Terras e os 20% mais pobres devendo-se contentar com 1,6%; e outra injustiça ecológica devastando inteiros ecossistema e eliminando espécies de seres vivos na ordem entre 70-100 mil por ano. Este sistema quebrou em 2008 exatamente no coração dos países centrais.

O comunismo chinês é sui generis: pragmaticamente combina todos os modos de produção, desde o uso da força física das pessoas, dos animais, até a mais alta tecnológica, articulando  a propriedade estatal com a privada ou mixta, desde que o resultado final seja uma maior produção com mínimo sentido de justiça social e ecológica.

Mas importa reconhecer que está crescendo o convencimento bem fundado de que o sistema-Terra limitado em bens e serviços, pequeno e superpovoado já não suporta um projeto de crescimento ilimitado. Ele perdeu as condições de repor o que lhe tiramos, por isso se torna cada vez mais insustentável. Mas por ser  uma super-entidade viva, a Terra reage de forma cada vez mais violenta: mudanças climáticas bruscas, furacões, tsunamis, degelo, desertificação espantosa, erosão da biodiversidade e um aquecimento global que não pára de aumentar. Quando  vai parar esse processo? Se continuar para onde nos vai levar?

Somos urgidos a mudar de rumo, vale dizer, assumir novos princípios e valores, capazes de organizar de forma amigável nossa relação para com a natureza e para com a Casa Comum. O documento mais inspirador é seguramente a Carta da Terra, nascida de uma consulta mundial que durou oito anos, sob a inspiração de Michail Gobachev e aprovada pela UNESCO em 2003. Ela incorpora os dados mais seguros da nova cosmologia que mostram a Terra como um momento de um vasto universo em evolução, viva e dotada de uma complexa comunidade de vida. Todos os seres vivos são portadores do mesmo código genético de base de sorte que  todos são parentes entre si.

Quatro princípios axiais estruturam o documento: o respeito e o cuidado pela comunidade de vida(1); a integridade ecológica (2); a justiça social e econômica (3); a democracia, a não-violência e a paz (4). Com severidade adverte:”ou formamos uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscamos a nossa destruição e a da diversidade de vida”(preâmbulo).

As palavras finais do documento apelam para uma retomada da humanidade:”como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a um novo começo. Isso requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Só assim alcançaremos um modo de vida sustentável nos níveis local, regional, nacional e global”(Conclusão).

Repare-se que não se fala de reformas mas de um novo começo. Trata-se de reinventar a humanidade. Tal propósito demanda um novo olhar sobre a Terra (mente), vista como um ente vivo, Gaia, e uma nova relação de cuidado e de amor (coração), obedecendo à lógica universal da interdependência de todos com todos e da responsabilidade coletiva pelo futuro comum.

Este é o caminho a seguir que servirá de carta de navegação para a nave-Terra  aterrissar segura num outro tipo de mundo.

*Leonardo Boff participou da redação da Carta da Terra.

(Fonte: http://www.cartamaior.com.br/)

Alan Watts – O Que Há de Errado Com a Nossa Cultura

Clima, alimentação, saúde e biodiversidade

Artigo de Washington Novaes

 

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Tem sido muito farto, nas últimas semanas, o noticiário sobre vários temas que se inter-relacionam – perdas em várias áreas com mudanças climáticas, inclusive na biodiversidade; valor dessa biodiversidade na alimentação humana, na saúde e em outros setores; perdas de safras brasileiras por causa de “pragas” novas e antigas. Parece estar começando uma discussão que pode ser muito importante e proveitosa para todas as áreas, especialmente neste momento em que várias instituições mostram também que o uso e o consumo de produtos alimentícios e matérias-primas estão afetando toda a Terra, já que em oito meses de um ano consumimos o que ela pode prover em todo o ano – além de reduzirmos a capacidade de retenção de dióxido de carbono, que passa a acumular-se na atmosfera e a acentuar mudanças do clima.

Mais de uma vez, ao longo de 2013, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou em seus pronunciamentos o valor das florestas, que abrigam mais de metade das espécies terrestres de animais, principalmente insetos, e plantas. Pesquisa do Nature Climate Change mostrou (Instituto Carbono Brasil, 13/5/2013) que o clima pode levar à extinção de 57% das plantas; 34% dos animais conhecidos sofrerão com perdas de seus hábitats – só 4% se beneficiariam com temperaturas mais altas. A Amazônia será uma das áreas mais atingidas.

Os problemas no Brasil são muitos, segundo o Livro Vermelho da Flora Brasileira, editado pelo Centro Nacional de Conservação da Flora, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro; 2.118 de 4.617 espécies estudadas estão ameaçadas pela perda e degradação de hábitats, pela expansão de monoculturas extensivas e pelas queimadas, principalmente no Cerrado (já afetado em 50% de sua área por incêndios e desmatamentos; e que já perdeu grande parte de seu estoque de água no subsolo, que alimenta todas as grandes bacias nacionais).

Entre as espécies ameaçadas estão numerosas com alto valor medicinal, inclusive no Brasil – como o barbatimão, com propriedade cicatrizantes; a arnica, eficaz no tratamento de traumatismos e contusões; a pata-de-vaca, com propriedades diuréticas e eficaz em casos de diabetes e obesidade; a gabiroba (ou gueroba), útil em diarreias e afecções no sistema urinário; o araticum (marolo), para cólicas menstruais; a catuaba, afrodisíaca, ansiolítica, antibacteriana, expectorante.

Outra área de muita discussão tem sido a da possibilidade de uma dieta de insetos reduzir os problemas que o mundo enfrenta com a fome e a miséria. Insetos constituem mais de 50% dos organismos vivos. E 1.900 espécies já são consumidas por humanos, informa a FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (Eco21, maio de 2013). Com dois quilos de alimentos insetos produzem um quilo de carne, enquanto bovinos precisam de oito quilos de alimentos para gerar um quilo de carne para humanos – além de insetos gerarem muito menos metano e outros gases (um boi gera 58 quilos de metano por ano, segundo a Embrapa Meio Ambiente; com mais de 200 milhões de bovinos, só aí o Brasil gera 1,6 milhão de toneladas anuais de metano).

Quatro áreas no Brasil, no Alto Rio Negro e no Javari – duas delas, terras indígenas -, são consideradas excepcionalmente valiosas para a conservação da biodiversidade, diz a revista Science (no geral, as terras indígenas são apontadas pelos cientistas como o melhor caminho para essa preservação). E na Amazônia foram identificadas 15 novas espécies em áreas como essas, no ano passado. Outros cientistas, da Universidade de Aberdeen, afirmam (mercadoetico, 19/2/2013) que plantas afetadas por problemas são capazes de alertar, por meio de fungos do solo, outras plantas para que estas ativem genes que as protejam. Muitas são capazes de prever a chegada de ventanias e tempestades (Agência Fapesp, novembro de 2013) – e podem ajudar a acionar programas preventivos (que são raros no Brasil).

Também têm estado muito presentes, nos últimos tempos, notícias como as de programas e políticas de valorização da mandioca. Em meio a elas, jornais publicaram a informação de que nossa campeã mundial de natação, Poliana Okimoto, chegou a esse destaque depois de, com o auxílio de uma nutricionista, substituir por mandioca e derivados boa parte de sua dieta alimentar. Fez lembrar o cientista Paulo de Tarso Alvim, para quem, “se a mandioca fosse norte-americana, o mundo todo estaria comendo mandioca flakes e tapioca puffs”. Porque a mandioca é a espécie mais adaptada a solos brasileiros, não precisa nem de fertilizantes nem de agrotóxicos.

E por aí se chega ao noticiário de que parte das consideráveis perdas que estão ocorrendo na agricultura brasileira de exportação se deve à remoção dos defensivos naturais do solo, após a implantação de monoculturas extensivas e uso intensivo de agrotóxicos – consumo em que o Brasil é o líder no mundo. Desprotegido das suas defesas naturais, o solo torna-se muito vulnerável – essa seria uma das causas de termos no momento tantas “epidemias de pragas”, como a que assola as culturas do algodão, e que podem espalhar-se mais.

Com tantas notícias na área de insetos, é inevitável que volte à memória a sentença do respeitado biólogo Edward Wilson de que as formigas dominarão a Terra: elas já são quatrilhões e se reproduzem em velocidade muitas vezes maior que a do ser humano. Também fazem lembrar um catedrático de estruturas de concreto que apontava para um cupinzeiro no Jardim Botânico de São Paulo e dizia: “Essa é uma construção sustentável; ali vivem dezenas de milhares de cupins, em absoluta ordem, trafegando dentro e fora na busca de alimentos e seu armazenamento em câmaras subterrâneas, dotadas de orifícios para liberação de gases da decomposição” – que eles abrem e fecham conforme a temperatura.

Quem porá a biodiversidade no centro das nossas políticas?

(Fonte: http://www.estadao.com.br/)

Uma governança global da pior espécie: dos mercadores

Artigo de Leonardo Boff*

 

6-hands1x1Anteriormente abordamos o império das grandes corporações que controlam os fluxos econômicos e através deles as demais instâncias da sociedade mundial. A constituição perversa deste império surgiu por causa da falta de uma governança global que se faz cada dia mais urgente. Há problemas globais como os do paz, da alimentação, da água, das mudanças climáticas, das migrações dos povos e outras que, por serem globais, demandam soluções globais. Esta governança é impedida pelo egoismo e o individualismo das grandes potências.

Uma governança global supõe que cada país renuncie um pouco de sua soberania para criar um espaço coletivo e plural onde as soluções para os problemas globais pudessem ser globalmente atendidos. Mas nenhuma potência quer renunciar uma unha sequer de seu poderio, mesmo agravando-se os problemas particularmente aos ligados aos limites físicos da Terra, capaz de atingir negativamente  a todos através dos eventos extremos.

Constata-se que vigora uma cegueira lamentável na maioria dos economistas. Em seus debates – tomemos como exemplo o conhecido programa semanal da Globonews Painel – onde a economia ocupa um lugar privilegiado. No que pude constatar,  ouvi, raríssimos economistas incluir em suas análises os limites de suportabilidade do sistema-vida e do sistema-Terra que põem em cheque a reprodução do capital. Prolongam o enfadonho discurso econômico no velho paradigma como se a Terra fosse um baú de  recursos ilimitados e a economia se medisse pelo PIB e fosse um subcapítulo da matemática e da estatística. Falta pensamento. Não pensam o que sabem. Mal se dão conta de que se não abandonarmos a obsessão do crescimento material ilimitado e em seu lugar não buscarmos a equidade-igualdade social, só pioraremos a situação já ruim.

Queremos abordar um complemento do império perverso das grandes corporações que se revela ainda mais desavergonhado. Trata-se da busca de um Acordo Multilateral de Investimentos. Quase tudo é discutido a portas fechadas. Mas na medida em que é detectado, se retrai, para logo em seguida voltar sob outros nomes. A intenção é criar um livre comércio total e institucionalizado entre os Estados e as grandes corporações. Os termos da questão foram amplamente apresentados por Lori Wallach da diretoria do Public Citizen’s Global Trade Watch no Le Monde Diplomatique Brasil  de novembro de 2013.

Tais corporações visam saciar o seu apetite de acumulação em áreas relativamente pouco atendidas pelos países pobres: infra-estrutura sanitária, seguro-saúde,  escolas professionais, recursos naturais, equipamentos públicos, cultura, direitos autorais e patentes. Os contratos se prevalecem da fragilidade dos Estados e impõem condições leoninas. As corporações, por serem transnacionais, não se sentem submetidas às normas nacionais com respeito à saúde, à proteção ambiental e à legislação fiscal. Quando estimam que por causa de tais limites o lucro futuro esperado não foi alcançado, podem, por processos judiciais, exigir um ressarcimento do Estado (do povo) que pode chegar a bilhões de dólares ou de euros.

Estas corporações consideram a Terra como de ninguém, à semelhança do velho colonialismo. Quem chega primeiro se apropria e extrái o que pode. E conseguem que os tribunais lhes garantam este direito de adquirir terras, mananciais de águas, lagos e outros bens e seviços da natureza.  Elas, comenta Wallach, “não têm obrigação nenhuma para com os países e podem disparar processos quando e onde lhes convier”(p.5). Exemplo típico e ridículo é o caso do fornecedor  sueco de energia Fattenfall que exige bilhões de euros da Alemanha por sua “virada energética”que prometeu abandonar a energia nuclear  e enquadrar mais severamente as centrais  de carvão. O tema da poluição, da diminuição do aquecimento global e da preservação da biodiversidade do planeta são letra morta para esses depredadores, em nome do lucro.

A sem-vergonhice comercial chega a tais níveis que os países signatários desse tipo de tratado “se veriam obrigados não só a submeter seus serviços públicos à lógica do mercado  mas tambem a renunciar a qualquer intervenção sobre os prestadores de serviços estrangeiros que cobiçam seus mercados”(p.6). O Estado teria uma parcela mínima de manobra em questão de energia, saúde, educação, água e transporte, exatamente os temas mais cobrados nos protestos de junho de 2013 por milhares de manifestantes  no Brasil.

Estes tratados estavam sendo negociados com os USA e o Canadá, com a ALCA  na América Latina e especialmente entre a Comunidade Européia e os USA.

O que revelam estas estratégias? Uma economia que se autonomizou de tal maneira que somente ela conta, anula a soberania dos países, se apropria da Terra como um todo e a tansforma num imenso empório e mesa de negócios. Tudo vira mercadoria: as pessoas, seus órgãos, a natureza, a cultura, o entretenimento e até a religião e o céu. Nunca se toma em conta a possível reação massiva da sociedade civil que pode, enfurecida e com justiça, se rebelar e pôr tudo a perder.

Graças a Deus que, envergonhados, mas ainda obstinados, os mercadores com seus projetos estão se escondendo atrás de portas fechadas. Mas não desistem. Em qualquer momento podem ressurgir pois são possuídos pela fúria da acumulação que não aceita limites, nem aqueles impostos pela Mãe Terra, pequena, limitada e agora doente.

*Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor

(Fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/)

O funesto império mundial das corporações

Artigo de Leonardo Boff*

 

capitalismoO individualismo, marca registrada da sociedade de mercado e do capitalismo como modo de produção e sua expressão política o (neo)liberalismo, revelam toda sua força mediante as corporações nacionais e multinacionais. Nelas vigora cruel competição dentro da lógica do ganha-perde.

Pensava-se que a crise sistêmica de 2008 que afetou pesadamente o coração dos centros econômico-financeiros nos USA e na Europa, lá onde a sociedade de mercado é dominante e elabora as estratégias para o mundo inteiro, levasse a uma revisão de rota. Ainda mais que não se trata apenas do futuro da sociedade de mercado mundializada mas de nossa civilização e até de nossa espécie e do sistema-vida.

Muitos como J. Stiglitz e P. Krugman esperavam que o legado da crise de 2008 seria um grande debate sobre que tipo de sociedade queremos construir. Enganaram-se rotundamente. A discussão não se deu. Ao contrário, a lógica que provocou a crise foi retomada com mais furor.

Richard  Wilkinson, epidemiologista inglês e um dos maiores especialistas sobre o tema desigualdade  foi mais atento e disse, ainda em 2013 numa entrevista ao jornal Die Zeit da Alemanha:”a questão fundamental é esta: queremos ou não verdadeiramente viver segundo o princípio que o mais forte se apropria de quase tudo e o mais fraco é deixado para trás?”.

Os super-ricos e super-poderosos decidiram que querem viver segundo o princípio darwinista do mais forte e que se danem os mais fracos. Mas comenta Wilkinson: “creio que todos temos necessidade de uma maior cooperação e reciprocidade, pois as pessoas desejam uma maior igualdade social”. Esse desejo é intencionalmente negado por esses epulões.

Via de regra, a lógica capitalista é feroz: uma empresa engole a outra (eufemisticamente se diz que se fizeram fusões). Quando se chega a um ponto em que só restam apenas algumas grandes, elas mudam a lógica: ao invés de se guerrearem, fazem entre si uma aliança de lobos e comportam-se mutuamente como  cordeiros. Assim articuladas detém mais poder, acumulam com mais certeza para si e para seus acionistas, desconsiderando totalmente o bem da sociedade.

A influência política e econômica que exercem sobre os governos, a maioria muito mais fracos que elas, é extremamente constrangedor, interferindo no preço das commodities, na redução dos investimentos sociais, na saúde, educação, transporte e segurança. Os milhares que ocupam as ruas no mundo e no Brasil intuíram essa dominação de um novo tipo de império, feito sob o lema:”a ganância é boa” (greed is good) e “devoremos o que pudermos devorar”.

Há excelentes estudos sobre a dominação do mundo por parte das grandes corporações multilaterais. Conhecido é o do economista norte-americano David Korten ”Quando as corporações regem o mundo”(When the Corporations rule the World, Berret-Koehler Publisher 1995/2001)). Mas fazia falta  um estudo de síntese. Este foi feito pelo Instituto Suíço de Pesquisa Tecnológica (ETH)” em Zurique em 2011 que se conta entre os mais respeitados centros de pesquisa, competindo com MIT. O documento envolve grandes nomes, é curto, não mais de 10 páginas e 26 sobre a metodologia para mostrar a total transparência dos resultados. Foi resumido pelo Professor de economia da PUC-SP Ladislau Dowbor em seu site. Baseamo-nos nele.

Dentre as 30 milhões de corporações existentes, o Instituto selecionou 43 mil para estudar melhor a lógica de seu funcionamento. O esquema simplificado se articula assim: há um pequeno núcleo financeiro central que possui dois lados: de um,  são as corporações que compõe o núcleo e do outro, aquelas que são controladas por ele. Tal articulação cria uma rede de controle corporativo global. Esse pequeno núcleo (core) constitui uma super-entidade(super entity). Dele emanam os controles em rede, o que facilita a redução dos custos, a proteção dos riscos, o aumento da confiança e, o que é principal, a definição das linhas da economia global que devem ser fortalecidas e onde.

Esse pequeno núcleo, fundamentalmente de grandes bancos, detém a maior parte das participações nas outras corporações. O topo controla 80% de toda rede de corporações. São apenas 737 atores, presentes em 147 grandes empresas. Ai estão o Deutsche Bank, o J.P. Morgan Chase, o UBS, o Santander, o Goldes Sachs, o BNP Paribas entre outros tantos. No final menos de 1% das empresas controla 40% de toda rede.

Este fato nos permite entender agora a indignação dos Occupies  e de outros que acusam que 1% das empresas faz o que quer com os recursos suados de 99% da população. Eles não trabalham e nada produzem. Apenas fazem mais dinheiro com dinheiro lançado no mercado da especulação.

Foi esta absurda voracidade de acumular ilimitadamente que gestou a crise sistêmica de 2008. Esta lógica aprofunda cada vez mais a desigualdade e torna mais difícil a saída da crise. Quanto de desumanidade aquenta o estômago dos povos? Pois tudo tem seu limite nem a economia é tudo. Mas agora nos é dado ver as entranhas do monstro. Como diz Dowbor: ”A verdade é que temos ignorado o elefante que está no centro da sala”.  Ele está quebrando tudo, cristais, louças e pisoteando pessoas. Mas até quando? O senso ético mundial nos assegura que uma sociedade não pode subsistir por muito tempo assentada sobre a super exploração, a mentira e a anti-vida.

A grande alternativa é oferecida por David Korten que tem trabalhado com Joanna Macy, uma das mais comprometidas educadoras com o novo paradigma e com um futuro diferente e otimista do mundo. A grande virada (The Great Turning) se dará com a passagem do paradigma “Império” para o da “Comunidade da Terra”. O primeiro dominou nos últimos cinco mil anos. Agora chegou seu ponto mais baixo de degradação. Uma virada salvadora é a renúncia ao poder como dominação imperial  sobre e contra os outros na direção de uma convivência de todos com todos na única “Comunidade da Terra”, na qual seres humanos e demais seres da grande comunidade de vida convivem, colaboram e juntos mantém uma Casa Comum hospitaleira e acolhedora para todos. Só nesta direção poderemos garantir um futuro comum, digno de ser vivido.

*Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor

(Fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/)

 

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O relógio da Terra mostra-nos alguns dos impactos causados pelo Homem na Terra. As estatísticas nele apresentadas, que estão a ser actualizadas ao vivo, podem ser verificadas nos sites seguintes:


População mundial: US Census Bureau
Taxa de crescimento populacional: CIA World Factbook
População prisional: UK Homeoffice
Divórcios (apenas para os Estados Unidos): Wikipédia
Imigração ilegal nos Estados Unidos: Wikipédia
Abortos: Wikipédia
Mulheres que morrem durante procedimentos abortivos incorrectos: Organização Mundial de Saúde
Taxa de infecções por HIV: Avert
Taxa de incidência de cancro: UICC
Temperatura média da Terra: Wikipédia
Extinções de espécies: National Wildlife Federation
Produção de petróleo: CIA World Factbook
Produção de carros: Mation Master
Produção de bicicletas: Earth Policy
Produção de computadores: Top Secret
Estatísticas de mortalidade: Organização Mundial de Saúde