Uma alimentação viciada em petróleo

Artigo de Esther Vivas

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Comemos petróleo, ainda que não pareça. O atual modelo de produção, distribuição e consumo de alimentos é viciado em “ouro negro”. Sem petróleo, não poderíamos comer como o fazemos. Num cenário onde vai ser cada vez mais difícil extrair petróleo e este ficará mais caro, como nos vamos alimentar?

A agricultura industrial tornou-nos dependentes do petróleo. Precisamos dele, desde o cultivo, à colheita, passando pela comercialização e até o consumo. A revolução verde, as políticas que nos disseram que modernizariam a agricultura e acabariam com a fome, e que foram implementadas entre os anos 40 e 70, converteram-nos em “yonquis(1)” deste combustível fóssil, em parte graças ao seu preço relativamente barato. A mecanização dos sistemas agrícolas e o uso intensivo de fertilizantes e pesticidas químicos são o melhor exemplo. Estas políticas significaram a privatização da agricultura, deixando-nos, camponeses e consumidores, nas mãos de um punhado de empresas do agronegócio.

Apesar da revolução verde ter prometido que aumentaria a produção de comida e, em consequência, acabaria com a fome, a realidade não foi assim. Por um lado, é verdade que a produção por hectare cresceu. Segundo dados da FAO, entre os anos 70 e 90, o total de alimentos per capita a nível mundial subiu cerca de 11%. No entanto, isto não se repercutiu, como assinala Jorge Riechmann na sua obra ‘Cuidar a (T)terra’, numa diminuição real da fome, já que o número de pessoas famintas no planeta, nesse mesmo período e sem contar com a China ,cuja política agrícola se regia por outros parâmetros, ascendeu, também, em 11%, passando de 536 milhões para 597.

Por outro lado, a revolução verde teve consequências muito negativas para pequenos e médios camponeses e para a segurança alimentar a longo prazo. Em concreto, aumentou o poder das empresas agroindustriais em toda a cadeia produtiva, provocou a perda de 90% da agro e da biodiversidade, reduziu massivamente o nível freático, aumentou a salinidade e a erosão do solo, deslocou milhões de agricultores do campo para os bairros de lata urbanos, desmantelando os sistemas agrícolas tradicionais, e converteu-nos em dependentes do petróleo.

Uma agricultura ‘yonqui’

A introdução de maquinaria agrícola em grande escala foi um dos primeiros passos. Nos Estados Unidos, por exemplo, em 1850, como indica o relatório Food, Energy and Society, a tração animal era a principal fonte de energia no campo, representava cerca de 53% do total, seguida da força humana, com cerca de 13%. Cem anos mais tarde, em 1950, ambas somavam apenas 1%, devido à introdução de máquinas de combustível fóssil. A dependência da maquinaria agrícola (tratores, ceifeiras-debulhadoras, caminhões…) é enorme, e ainda é mais necessária tratando-se de grandes plantações e monoculturas. Desde a produção, a agricultura está “dependente” do petróleo.

O sistema agrícola atual com o cultivo de alimentos em grandes estufas, independentemente da sazonalidade e do clima, aumenta também a necessidade de derivados do petróleo e o elevado consumo energético. Desde mangueiras passando por contentores, acolchoados, redes até tetos e coberturas, tudo é plástico. O Estado espanhol, segundo dados do Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente, está à cabeça do cultivo sob plástico na Europa mediterrânica com 66 mil hectares cultivados, a maior parte na Andaluzia, e em particular em Almeria, seguida, a distância, de Múrcia e Canárias. E, que fazer com tanto plástico uma vez acabada a sua vida útil?

O uso intensivo de adubos e pesticidas químicos são mais um exemplo de como o modelo alimentar é viciado em petróleo. A comercialização de adubos e pesticidas aumentou 18% e 160%, respectivamente, entre os anos 1980 e 1998, segundo o relatório Eating oil: food suply in a changing climate. O sistema agrícola dominante precisa de elevadas doses de adubos fabricados a partir do petróleo e do gás natural, como amoníaco, ureia, etc., que substituem os nutrientes do solo. Multinacionais petrolíferas, como Repsol, Exxon Mobile, Shell, Petrobras contam na sua carteira com investimentos na produção e comercialização de fertilizantes agrícolas.

Os pesticidas químicos sintéticos são outra fonte importante da dependência deste combustível fóssil. A revolução verde, como analisávamos, generalizou o uso de pesticidas e, em consequência, a necessidade de petróleo para os fabricar. E tudo isto, sem mencionar o impacto ambiental do uso desses agrotóxicos, a contaminação e esgotamento de solo e águas, e o impacto na saúde de camponeses e consumidores.

Alimentos viajantes

A necessidade de petróleo notamo-la, também, nas longas viagens que os alimentos percorrem desde onde são cultivados até ao lugar em que são consumidos. Calcula-se que a comida viaje em média cerca de 5 mil quilômetros do campo até ao prato, segundo um relatório de Amigos da Terra, com a consequente necessidade de hidrocarbonetos e com o impacto ambiental. Estes “alimentos viajantes”, segundo esse relatório, geram quase 5 milhões de toneladas de CO2 por ano, contribuindo para o agravamento das alterações climáticas.

A globalização alimentar na corrida ao máximo lucro, deslocaliza a produção de alimentos, como fez com tantos outros ramos da economia produtiva. Produz-se em grande escala nos países do Sul, aproveitando as condições laborais precárias e uma legislação ambiental inexistente, e vende-se a mercadoria, posteriormente aqui a um preço competitivo. Ou produz-se no Norte, graças a subvenções à agricultura nas mãos de grandes empresas, para depois se comercializar essa mercadoria subvencionada na outra ponta do planeta, vendendo abaixo do preço de custo e fazendo concorrência desleal à produção autóctone. Aqui reside o porquê dos alimentos quilométricos: máximo lucro para uns poucos; máxima precariedade, pobreza e contaminação ambiental para a maioria.

No ano de 2007, importaram-se mais de 29 milhões de toneladas de alimentos no Estado espanhol, 50% mais do que em 1995. Três quartos foram cereais, preparados de cereais e rações para a criação industrial de gado, a maior parte provindos de Europa e América Central e do Sul, como indica o relatório Alimentos quilométricos. Inclusive alimentos típicos, como o grão de bico ou o vinho, acabamos por consumi-los a milhares de quilômetros de distância. 87% do grão de bico que comemos aqui vem do México, no Estado espanhol o seu cultivo caiu abruptamente. Que sentido tem esta viagem internacional de alimentos de um ponto de vista social e ambiental? Nenhum.

Uma comida típica dominical da Grã-Bretanha com batatas de Itália, cenouras da África do Sul, feijões da Tailândia, carne de vaca da Austrália, brócolis da Guatemala e sobremesa com morangos da Califórnia e mirtilos da Nova Zelândia gera, segundo o relatório Eating oil: food suply in a changing climate, 650 vezes mais gases de efeito de estufa, devido ao transporte, que se esta comida tivesse sido cultivada e comprada localmente. O número total de quilômetros que o conjunto destes “alimentos viajantes” somam do campo até à mesa é de 81 mil, o equivalente a duas voltas inteiras ao planeta terra. Algo irracional, se tivermos em conta que muitos destes produtos são cultivados no território. A Grã-Bretanha importa grandes quantidades de leite, porco, borrego e outros alimentos básicos, apesar de exportar quantidades semelhantes dos mesmos. Aqui, em Espanha, passa-se o mesmo.

Comendo plástico

E quando os alimentos chegam ao supermercado, que sucede? Plástico e mais plástico, com derivados do petróleo. Assim, encontramos uma embalagem primária que contém o alimento, um pacote secundário que permite uma atraente exibição no estabelecimento e, finalmente, sacos para o levar do “super” a casa. Na Catalunha, por exemplo, dos 4 milhões de toneladas de resíduos anuais, 25% correspondem a embalagens de plástico. Os supermercados empacotam tudo, a venda a granel passou à história. Um estudo encomendado pela Agência Catalã do Consumo concluiu que comprar no comércio de proximidade gera menos 69% de resíduos, do que fazendo-o num supermercado ou numa grande superfície.

Uma estória pessoal ilustra bem esta tendência. Em pequena, em minha casa comprava-se água engarrafada em grandes garrafas de vidro de oito litros, hoje quase toda a água que se comercializa é engarrafada em embalagens de plástico. E tornou-se moda, inclusive, comprá-la em embalagens de seis unidades de litro e meio. Não é de estranhar, pois, que dos 260 milhões de toneladas de resíduos de plástico do mundo, a maior parte sejam embalagens de garrafas de água ou leite, como indica a Fundação Terra. O Estado espanhol, segundo essa fonte, é o principal produtor na Europa de sacos de plástico de um só uso e o terceiro consumidor. Calcula-se que a vida útil de um saco de plástico é de 12 minutos em media, mas a sua decomposição pode demorar 400 anos. Tirem conclusões.

Vivemos num planeta de plástico, como retratava brilhantemente o austríaco Werner Boote no seu filme ‘Plastic Planet‘ (2009), onde afirmava: “A quantidade de plástico que produzimos desde o princípio da idade do plástico é suficiente para envolver até seis vezes o planeta com sacos”. E não só isso, que impacto tem na saúde a sua omnipresença na nossa vida quotidiana? Um depoimento nesse filme dizia: “Comemos e bebemos plástico”. E, como denuncia o documentário, tarde ou cedo, pagaremos a fatura.

A grande distribuição não só generalizou o consumo de enormes quantidades de plástico, mas também o uso do carro para ir às compras. A proliferação de hipermercados, grandes armazéns e centros comerciais fora das cidades obrigou ao uso do carro privado para a deslocação até estes estabelecimentos. Se tomarmos como exemplo a Grã-Bretanha, como indica o relatório Eating oil: food suply in a changing climate, entre os anos 1985/86 e 1996/98 o número de viagens de carro por semana e por pessoa para fazer compras passou de 1,7 para 2,4. O total da distância percorrida, também, aumentou, dos 14 km por pessoa por semana para 22 km, uma subida de 57%. Mais quilômetros, mais petróleo e mais CO2, em detrimento, além disso, do comércio local. Se no ano de 1998, existiam no Estado espanhol 95 mil lojas, em 2004 este número tinha-se reduzido para 25 mil.

Que fazer?

Segundo a Agência Internacional da Energia, a produção de petróleo convencional atingiu o seu pico em 2006. Num mundo, onde o petróleo escasseia, o que vamos comer e como? Em primeiro lugar, é necessário ter em conta que quanto mais agricultura industrial, intensiva, quilométrica, globalizada, maior dependência do petróleo. Ao contrário, um sistema camponês, agroecológico, local, sazonal, menos “dependência” dos combustíveis fósseis. A conclusão, creio, é clara.

É urgente apostar num modelo de agricultura e alimentação antagônico ao dominante, que ponha no centro as necessidades da maioria e o ecossistema. Não se trata de uma volta romântica ao passado, mas sim da imperiosa necessidade de cuidar da terra e garantir comida para todos. Ou apostamos na mudança ou quando não houver mais remédio senão mudar, outros, como tantas vezes, vão fazer negócio com a nossa miséria. Não deixemos que se repita a história.

(Artigo publicado em Publico.es em 5 de maio de 2014. Tradução: Esquerda.net.)
(1)Viciados e dependentes.

(Fonte: http://esthervivas.com/)

 

Brasil retira baleia-jubarte da lista de espécies ameaçadas de extinção

Por Eduardo Carvalho Do G1, em São Paulo

Exemplar de baleia-jubarte registrado no litoral do Brasil; governo retirou espécie da lista de ameaçados de extinção (Foto: Reprodução/Facebook/Instituto Baleia Jubarte)

Exemplar de baleia-jubarte registrado no litoral do Brasil; governo retirou espécie da lista de ameaçados de extinção (Foto: Reprodução/Facebook/Instituto Baleia Jubarte)

O Brasil tirou a baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) da lista de espécies ameaçadas de extinção graças ao aumento da população desses animais no litoral do país, onde cruzam e geram novos filhotes.

A espécie foi reclassificada para “quase ameaçada”, status que demanda a continuidade de trabalhos de conservação. A informação será divulgada nesta quinta-feira (22) pelo Ministério do Meio Ambiente.

Segundo o MMA e o Instituto Baleia Jubarte, há quase três décadas existiam entre 500 e 800 animais vivendo apenas na região de Abrolhos, no sul da Bahia – principal concentração dessas baleias. Em 2011, quando foi realizada a última contagem aérea, foram avistados 14 mil animais. Até o próximo censo, previsto para este ano, o número pode saltar para 20 mil.

No país, elas são encontradas na costa do Espírito Santo e Bahia entre julho e novembro, onde permanecem para procriação. De dezembro até junho, seguem para a Antártica, onde se alimentam de krill (invertebrados parecidos com o camarão).

Impacto humano

Com exemplares que podem medir até 16 metros de comprimento e pesar mais de 40 toneladas, as jubartes foram, por muito tempo, alvo da pesca predatória no Brasil.

“Há quase três décadas existiam entre 500 e 800 jubartes vivendo na região de Abrolhos, no Sul da Bahia. Em 2011, foram avistados 14 mil animais. Até o próximo censo, previsto para este ano, o número pode saltar para 20 mil”

Sérgio Cipolotti, biólogo e coordenador ambiental do Instituto Baleia Jubarte, explica que o declínio de espécimes começou em meados do século 17, quando eles eram caçados para extração de óleo, usado para abastecer candeeiros, responsáveis pela iluminação nas cidades, e consumo da carne.

Com a queda populacional das jubartes e de outras baleias em todo o planeta, criou-se a Comissão Internacional Baleeira (CIB), que teve entre seus principais resultados a imposição de uma moratória de caça a partir de 1986.

Ugo Versillo, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), explica que no ano seguinte, em 1987, o Brasil proibiu a caça.

A partir deste momento, foram iniciados trabalhos de conscientização para aumentar o número de exemplares, como a identificação das rotas migratórias, quais eram os perigos que esses animais enfrentavam e outros detalhes importantes para a conservação.

No entanto, segundo Versillo, ainda não há o que comemorar. A reclassificação para o status “quase ameaçada” significa, na visão do técnico do ICMBio, que ainda há perigo.

“Uma das grandes preocupações é a questão da colisão com navios. Como aumentou o número de baleias, pode crescer esse tipo de acidente. Temos que definir estratégias para evitá-los, incluindo o uso de tecnologias”, explica.

Na imagem, jubarte dá salto próximo à orla de Salvador; animais podem medir até 16 metros e pesar 40 toneladas (Foto: Reprodução/Facebook/Instituto Baleia Jubarte)

Na imagem, jubarte dá salto próximo à orla de Salvador; animais podem medir até 16 metros e pesar 40 toneladas (Foto: Reprodução/Facebook/Instituto Baleia Jubarte)

Natureza ‘high-tech’

Alexandre Zerbini, brasileiro que trabalha no Laboratório Nacional de Mamíferos Marinhos da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), órgão dos Estados Unidos responsável pelos mares e atmosfera, explica que há várias tecnologias que ajudariam a prevenir a mortalidade desses animais.

Um dos exemplos é a telemetria satelital, que permite investigar habitats críticos e protegê-los de atividades humanas. “Mas há métodos acústicos em desenvolvimento, que poderão transmitir dados em tempo real e evitar áreas onde as baleias se encontram, além de métodos novos de observação, para minimizar colisão com barcos”, explica Alexandre, que também trabalha junto a ONG Instituto Aqualie, que monitora baleias no Brasil via satélite.

“A população de jubartes no Brasil tem crescido a uma taxa de 7,5% ao ano e a quantidade de espécimes que existem atualmente representa cerca de 60% daquela existente antes da caça comercial”

Nos EUA, por exemplo, pesquisadores desenvolveram um aplicativo gratuito para iPad e iPhone que alerta marinheiros quando eles se aproximam de uma área onde baleias estão reunidas. O app envia os últimos dados sobre as direções tomadas por espécimes da baleia, coletados pela NOAA.

O sistema espera limitar o número de colisões mortais entre baleias e embarcações, especialmente navios de grande porte, como cruzeiros e cargueiros. Quando as baleias são detectadas na área, navios podem mudar levemente o curso ou diminuir a velocidade.

Santuário no Atlântico Sul

Um grande projeto apoiado por Brasil, Argentina, Uruguai e África do Sul, é a criação de um santuário no Atlântico Sul, que preservaria as jubartes e outros animais marinhos que fazem do trecho de oceano entre a América do Sul e a África seu habitat.

Desde 2000, o governo brasileiro, liderando o chamado Grupo de Buenos Aires, apresenta a proposta do santuário e defende o uso não letal de baleias. Além de assumir uma postura conservacionista, o país defende que o turismo de observação é um negócio muito mais rentável e gerador de emprego do que a morte do animal.

O projeto, já apresentado e que está em análise científica, deve ser votado em setembro, durante a reunião anual da Comissão Internacional Baleeira, que acontece em Estocolmo, na Suécia. “O santuário quer harmonizar as políticas, de maneira que os cetáceos sejam preservados. A conservação é a atividade mais barata que se tem”, disse.

Para ser aprovado, o santuário precisa ter 75% dos votos dos 88 membros da CIB. Porém, países que apoiam a caça de baleias, como Japão e a Islândia, costumam emperrar a negociação.

(Fonte: http://g1.globo.com/natureza)

DIA INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE

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Nesta quinta-feira (22), o mundo todo irá celebrar mais um Dia Internacional da Biodiversidade. A data foi instituída em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar as pessoas sobre a necessidade de se conservar e proteger a diversidade de vida no planeta.  O tema deste ano é a proteção da fauna brasileira.

Segundo informações do Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade (ICMBio), o Brasil possui mais de 120 mil espécies de animais e 40 mil de plantas. Entre os vertebrados, são 713 espécies de mamíferos, 1.900 de aves, 738 de répteis, 934 de anfíbios, 4.774 de peixes e outras 100 mil de animais invertebrados e o ICMBio é o órgão do Governo Federal responsável por cuidar da biodiversidade no Brasil.

Contradição Atômica: expansão ignora riscos

Artigo de Carlos Bittencourt

Angra 2, a segunda usina nuclear brasileira

Angra 2, a segunda usina nuclear brasileira

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM), acaba de enviar ao Tribunal de Contas da União (TCU) um relatório alarmante sobre o Programa Nuclear Brasileiro. As usinas nucleares de Angra I e II podem ser desligadas nos próximos anos por falta de espaço para o armazenamento do lixo atômico. Além disso, a usina Angra III pode não entrar em operação.

Como se sabe, um dos mais alarmantes problemas da geração de energia nuclear é o armazenamento de seu lixo altamente radioativo. No Brasil não há um depósito final de rejeitos radioativos e o lixo atômico produzido pelas usinas nucleares em operação estão estocados em depósitos provisórios nas próprias usinas. A capacidade de estocagem das usinas de Angra I e II se esgotam em 2020 e 2018, respectivamente. Isso pode obrigar a um desligamento de Angra I em 2019 e de Angra II em 2017.

Angra III que sequer iniciou a sua operação, já vê seu futuro ameaçado.

Mas como em um quadro surrealista, a esse cenário de limitação se soma um cenário de expansão. Como? Perguntaria o desatento.

No mesmo mês em que esse dados vêm à tona, é dado início ao processo de licenciamento ambiental da mina de urânio de Santa Quitéria, no Ceará. O EIA/RIMA já foram apresentados pelas Indústrias Nucleares do Brasil e o plano é que em 2017 a mina já esteja em operação, somando-se assim  à produção de Caetité na Bahia que tem sofrido com morte de trabalhadores e conflitos socioambientais. É sempre bom lembrar que quase nada foi feito frente ao passivo ambiental devido à extração de urânio em Poços de Caldas,  Minas Gerais.

É ou não é uma contradição atômica? Expandir a extração do combustível urânio sem ter onde guardar o lixo derivado do mesmo.

Estamos diante de um momento ímpar para quetionar o  Programa Nuclear Brasileiro. Já que ele não pode se expandir, porque não iniciamos seu desmonte? Investir mais bilhões de Reais em anergia atômica vai contra à tendência mundial de limitação desse setor. Vai contra o traumático exemplo, ainda recente nas memórias, de Fukushima. Iniciando o desmonte desse Programa podemos poupar mais um vasto território de sofrer com a mui danosa mineração de urânio, e deixar Santa Quitéria livre dessa atividade.

Repito: oportunidade única para questionar a energia nuclear e toda sua rede produtiva. Ela representa apenas 3% do total de eletricidade gerado pelo país. Antes que Angra III entre em operação devemos reforçar a campanha por um outro modelo energético. Chega de Nuclear.

(Fonte: http://www.canalibase.org.br/)

Não devemos e não podemos esquecer!

A radioatividade que é liberada em acidentes nucleares causa não só mortes imediatas. O câncer, que pode se manifestar anos depois, é um triste desdobramento da radioatividade. Em Chernobyl, depois de 28 anos, peixes ainda são encontrados contaminados e algumas pessoas nascem com anomalias.

Esperança, a última que morre

Artigo de Chico Whitaker

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Para os que lutam por um Brasil livre de Usinas Nucleares, a primeira quinzena de maio foi pródiga em más notícias, mas também em informações impressionantes.

O Presidente Evo Morales anunciou orgulhosamente que enfim a Bolívia começará a usar a energia atômica. Graças ao apoio da indústria nuclear argentina, pouco preocupada com os problemas que essa tecnologia cria… “Para fins pacíficos”, diz evidentemente o Presidente. Só que a produção de eletricidade é também um fim pacífico, ou seja, não está excluída a construção de usinas nucleares na Bolívia.

Um projeto de lei na Câmara dos Deputados determinava que não fosse construída mais nenhuma usina nuclear no país enquanto não se resolvesse a questão do depósito definitivo de rejeitos radioativos. O parecer do relator na Comissão de Ciência e Tecnologia foi negativo e o projeto foi arquivado (há decisões de Comissões que são “terminativas”, isto é, terminam a tramitação dos projetos). Numa demonstração cabal de que a desinformação sobre o nuclear é um mal que atinge também nossos representantes políticos, a Comissão engoliu o incrível argumento usado pelo relator: países com muito mais usinas ainda não têm depósitos definitivos; por que teríamos nós que parar de construir usinas por não ter depósitos? E pensar que, não fosse a coincidência com a votação do Código Florestal, esse deputado teria participado da comitiva que visitou Chernobyl no ano passado…

Foi derrotada por 465 votos a 110, no Parlamento da Alemanha, uma proposição apresentada pelo Partido Verde desse país, para que ele encerrasse seus acordos nucleares com o Brasil e com a Índia – já que, se não quer o nuclear, a Alemanha não poderia, “moralmente”, apoiá-lo em outros países… O acordo com o Brasil, feito em 1975 pelos militares e totalmente obsoleto, já foi prorrogado tacitamente quatro vezes e corre o risco de o ser pela quinta vez, por mais 5 anos, em 19 de novembro de 2015…

Mas, como se essas notícias não bastassem, a empresa russa Rosatom, sedenta de negócios de construção de usinas em países pouco explorados pela tecnologia nuclear, anunciou que está instalando no Rio de Janeiro um escritório para a América Latina …

Por outro lado o Ministério Público Federal constatou, junto com o Tribunal de Contas da União, que está se esgotando a capacidade do armazenamento chamado provisório de rejeitos radioativos nas usinas de Angra 1 e 2 (“representando riscos à vida da população”), o que poderá levar até à interrupção de seu funcionamento em mais dois ou três anos. Mas a Eletronuclear afirma que “tem total controle da gestão dos rejeitos” e mantem bloqueada, judicialmente, uma sentença da Justiça Federal de um ano atrás para que se enfrente adequadamente esse problema. Nem convém falar do que nos espera com Angra 3…

E para coroar essa má onda, a Declaração da CNBB sobre a Questão Agrária, aprovada em sua Assembleia Geral de 2014, surpreendentemente não fez nenhuma referência às usinas nucleares, nos parágrafos sobre o meio ambiente e a energia (156 e 157). O que é sem dúvida desanimador, porque desde 2012 a insanidade das usinas nucleares vem sendo denunciada a várias instâncias da CNBB (inclusive, longamente, em sua Assembleia do ano passado). É certo que poderia ter sido “cavada”, nessa Declaração da Assembleia, no bom estilo político tradicional, pelo menos uma pequena frase não comprometedora, como por exemplo: “cuidemos para não cair no que parece ser a armadilha da energia nuclear” … Mas foi melhor assim: seria um falso posicionamento. A ausência total de menção ao tema nas discussões, ao se tratar especificamente da energia, demonstra claramente que o assunto está ainda muito distante das preocupações dos Bispos, assessores, sacerdotes, religiosos e leigos que participaram da Assembleia…

O que fazer? A angustia não nos deixa outra alternativa senão insistir…
Menos mal que pelo menos um jornal publicou, também em maio, uma entrevista com um ex-Ministro do Meio Ambiente da Alemanha, que disse sem rodeios: nenhuma usina nuclear é segura . Ele já tinha estado no Brasil em 2004, quando negociou o encerramento do acordo nuclear Brasil Alemanha de 1975, já referido acima. Nossa Ministra do Meio Ambiente de então, Marina Silva, o apoiava. Mas não pensavam da mesma forma o Ministério de Economia da Alemanha nem nossa então Ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef…
Na entrevista lhe foi perguntado o que achava desse Acordo. Sua resposta: É nostalgia, deveria virar história. Não respondeu tão diretamente a outra pergunta: Aqui não há debate sobre se o país precisa ou não de nuclear. Como esse debate pode começar? Mas temos que fazer a nós mesmos essa pergunta. E completar: começar e recomeçar, muitas vezes…

E ainda bem que foram publicadas (sempre em maio) duas matérias extremamente elucidativas – e impressionantes – para alimentar a luta contra a desinformação. A primeira sobre a construção de um novo “sarcófago” para conter a radioatividade que recomeçou a vazar em Chernobyl (“Enterrando Chernobyl”, na Folha de São Paulo republicando o New York Times de 13 de maio de 2014 – ver www.mundosustentavel.com.br); a segunda sobre os custos da desmontagem das usinas nucleares na Alemanha (“Empresas querem empurrar a conta de usinas nucleares para o governo alemão” – jornal Der Spiegel de 19 de maio de 2014, ver www.xonuclear.net). Essas matérias calam toda e qualquer insistência em dizer que energia nuclear é barata.

Diz-se que a esperança é a última que morre. Mas bom mesmo será acreditar que nunca morrerá. Pelo menos segundo a visão de Deus, pelo que nos conta o poeta francês Charles Péguy em seu belo poema sobre a segunda virtude :

“A fé de que eu mais gosto, diz Deus, é a esperança.
A fé não me impressiona.
Ela não causa espanto. (…)
A caridade, diz Deus, não me impressiona.
Ela não causa espanto. (…)
Mas a esperança, diz Deus, eis algo que me impressiona.
A mim mesmo.
Ela é espantosa. (…)
O que me espanta, diz Deus, é a esperança.
E não consigo me recobrar desse espanto.
Essa pequena esperança que tem ar de não ser nada.
Essa pequena menina esperança.
Imortal.”

É certamente essa esperança que explica o anuncio, no último dia dessa quinzena de maus ventos, do Fórum Social Temático sobre Energia, a se realizar em agosto em Brasília. Aí se discutirão não somente as usinas nucleares mas todo o sistema de produção de energia no Brasil, contrapondo por exemplo, entre outras opções, as mega hidro-elétricas à produção descentralizada de eletricidade com fonte solar ou eólica (www.fst-energia.org).

(Fonte: http://www.canalibase.org.br/)

Pesquisa revela que alguns produtos da Adidas, Nike e Puma são quimicamente tóxicos

greenpeacePara além de todos os impactos que a realização da Copa do Mundo no Brasil vem trazendo, estudo do Greenpeace Alemanha aponta agora que, dentro dos gramados, também há graves problemas.

A pesquisa revelou que produtos da Adidas, Nike e Puma voltados ao mercado de futebol se mostraram quimicamente tóxicos. Trinta e três itens, incluindo chuteiras, luvas de goleiro e a ‘Brazuca’, bola oficial da Copa, tiveram suas substâncias analisadas. A famosa chuteira ‘Predator’, da Adidas, contém quatorze vezes mais substâncias tóxicas do que o permitido pela própria empresa.

“Marcas como a Adidas fornecem equipamento para alguns dos maiores times do mundo, e dizem estar proporcionando um lindo jogo. No entanto, nossas pesquisas revelam que eles estão jogando sujo. Com seus lucros exorbitantes durante a Copa, pedimos que essas marcas parem de estragar o futebol e limpem seus produtos”, explica Manfred Santen, coordenador da campanha de Detox do Greenpeace.

Laboratórios independentes encontraram compostos químicos como os perfluorados (PFC), nonilfenol (NPE), ftalatos e dimetilformamida (DMF) em produtos de todas as três empresas, que são largamente consumidos no mundo. Essas substâncias podem afetar o meio ambiente e influenciar a cadeia alimentar, além de serem cancerígenas, desregularem o sistema hormonal e afetarem a reprodução.

Dezessete de vinte e uma chuteiras e metade das luvas de goleiro testadas apresentaram PFCs particularmente perigosos, com PFOA, que pode afetar o sistema imunológico e reprodutivo. Atrás da ‘Predator’, a chuteira ‘Tiempo’, da Nike, contém 5,93 microgramas por m² de PFOA, nível considerado alarmante. Um par de luvas Adidas ‘Predator’ também mostra excesso de substâncias tóxicas em relação aos limites propostos pela empresa.

A bola ‘Brazuca’, por sua vez, é composta por NPEs, uma substância que, quando em contato com o ambiente, libera nonilfenol, conhecido por causar a feminilização de peixes machos na Europa e modificar outros organismos aquáticos. O nonilfenol é proibido nas produções têxteis de países da União Europeia e nos EUA, mas na China e em outros países, onde as grandes marcas de roupa estabelecem suas linhas de produção, o uso é liberado. NPEs também foram encontrados em mais de dois terços das chuteiras e em metade das luvas, indicando um uso intenso desse composto químico.

Ftalatos e dimetilformamidas foram detectados em todas as 21 chuteiras. O DMF, usado como solvente em chuteiras manufaturadas, é classificado como tóxico para reprodução e pode causar lesões se entrar em contato com a pele.

“Apesar de seus compromissos, a Nike e a Adidas não estão limpando sua produção de substâncias tóxicas. Em nome das comunidades locais afetadas pela água contaminada, dos torcedores e dos jogadores, pedimos a retirada de qualquer composto químico tóxico dos produtos citados e a publicação de um plano para a erradicação do uso do PFC”, defende Santen.

Detox

Desde seu lançamento em 2011 pelo Greenpeace, a campanha Detox já convenceu vinte marcas de roupas e acessórios, de luxuosas e pret-à-porter até esportivas, a se comprometerem com o fim do uso de compostos químicos tóxicos em suas cadeias de produção até 2020. Enquanto algumas empresas reconhecem a urgência da situação agindo de acordo com o combinado, outras como a Adidas e Nike se escondem atrás da papelada e da ‘maquiagem verde’. (Greenpeace)

(Fonte: http://www.brasildefato.com.br/)

Consumo que virou consumismo

Artigo de Marcus Eduardo de Oliveira*

CONSUMISMO

Foi a partir do crescimento exponencial da economia global, alterando substancialmente as relações existentes “dentro” do meio ambiente, que se estabeleceu a suprema e inadiável necessidade de uma reflexão mais detalhada e mais cuidadosa entre a economia e a ecologia.

Até a chegada da Revolução Industrial, a economia “cabia” dentro da ecologia; o sistema econômico era pequeno em relação à grandeza de um sistema ambiental que lhe fornecia matéria e energia, servindo ainda de “baú” para a absorção de toda a produção econômica.

Após a economia global atingir escalas de crescimento sem precedentes na história, tornou-se clara a existência de limites da natureza para continuar “servindo” à atividade produtiva.

O sistema econômico então passou a “engolir” o sistema ecológico. A economia já não mais “cabia” dentro do sistema ecológico. A visão de progresso ilimitado, propugnada especificamente por um sistema econômico expansivo que engendra esforços para produções em larga escala, e, em curto espaço de tempo, está além da capacidade de suporte do planeta.

A capacidade de oferta de recursos naturais, bem como a “disposição” em receber os resíduos vindos da atividade econômica tornou a ecologia “pequena” frente a uma economia cada vez mais expansiva, mais produtiva, mais poluidora e muito mais destruidora das bases e do patrimônio da natureza.

O salto do crescimento econômico global foi absurdamente avassalador: a economia saiu de um PIB global de US$ 4,5 trilhões, em 1950 para, 50 anos depois, atingir US$ 50 trilhões. De 2000 para cá, o PIB mundial cresceu em mais US$ 25 trilhões.

O crescimento contínuo da atividade econômica é, simplesmente, incompatível com uma biosfera finita. Insistir num acentuado crescimento físico da economia, tendo em conta a finitude dos recursos naturais e energéticos é incorrer gravemente em mais custos (ambientais) que benefícios (econômicos).

Quanto mais as economias modernas crescem, mais se dilapidam os principais serviços ecossistêmicos; mais vidas humanas, fauna e flora se perdem em decorrência de alterações climáticas, fruto de ações antrópicas, “patrocinadas” pela atividade expansiva de uma economia que pretende ser rotulada de “moderna”; como se o sinônimo de modernidade fosse, de fato, a aquisição material.

Mais produção, para atender a mais consumo, faz o planeta “pedir socorro”. O consumo humano ultrapassou em 40% a capacidade de reposição dos bens e serviços naturais produzidos pela Terra.
No mundo, ao ano, são mais de 70 milhões de veículos consumidos. O consumo da humanidade em bens e serviços em 1960 atingiu o equivalente a US$ 4,9 trilhões (dólares de 2008); em 1996, chegou a US$ 23,9 trilhões e, dez anos depois, atingia mais de US$ 30 trilhões.

Na França, a média do consumo de proteínas é de 115 gramas/dia, ao passo que em Moçambique é de apenas 32 gramas. Cada cidadão dos Estados Unidos, na média, consome 120 quilos de carnes ao ano (10 quilos por mês), enquanto um angolano consome 24 quilos/ano, (2 quilos/mês).

Os 315 milhões de estadunidenses comem 9 bilhões de aves todos os anos. Na Ásia inteira, com mais de 4,0 bilhões de pessoas, consome-se 16 bilhões de aves ao ano. Há 150 carros para cada mil habitantes na China, enquanto nos países da OCDE essa relação é de 750, e na Índia, apenas 35.

Os gastos com cosméticos ao ano, somente nos EUA, chegam à importância de US$ 8 bilhões. A Europa gasta com cigarros, também ao ano, mais de US$ 50 bilhões e mais US$ 105 bilhões são dispendidos em bebidas alcóolicas. A Terra não suporta isso.

A Terra é um “ser vivo” que se mexe e não suporta tamanha agressão. Da reflexão entre a economia e a ecologia, que começamos a falar no início, faz-se necessário surgir, brevemente, um caminho alternativo que rompa, definitivamente, com a cultura do consumo que “virou” um consumismo desenfreado.

*Marcus Eduardo de Oliveira é Economista. Especialista em Política Internacional e Mestre em Integração da América Latina (USP). Professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO, em São Paulo.

(Fonte: http://www.ecodebate.com.br/)

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O relógio da Terra mostra-nos alguns dos impactos causados pelo Homem na Terra. As estatísticas nele apresentadas, que estão a ser actualizadas ao vivo, podem ser verificadas nos sites seguintes:


População mundial: US Census Bureau
Taxa de crescimento populacional: CIA World Factbook
População prisional: UK Homeoffice
Divórcios (apenas para os Estados Unidos): Wikipédia
Imigração ilegal nos Estados Unidos: Wikipédia
Abortos: Wikipédia
Mulheres que morrem durante procedimentos abortivos incorrectos: Organização Mundial de Saúde
Taxa de infecções por HIV: Avert
Taxa de incidência de cancro: UICC
Temperatura média da Terra: Wikipédia
Extinções de espécies: National Wildlife Federation
Produção de petróleo: CIA World Factbook
Produção de carros: Mation Master
Produção de bicicletas: Earth Policy
Produção de computadores: Top Secret
Estatísticas de mortalidade: Organização Mundial de Saúde