Catadores integram Conselho do Meio Ambiente

MNCR

O Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) conta, a partir deste mês, com a participação de representantes do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). A inclusão é fruto da IV Conferencia Nacional de Meio Ambiente, que ocorreu em Brasília, de 24 a 27 de outubro de 2013. Os representantes indicados são: Roberto Laureano da Rocha (titular), Ronei Alves (1º suplente) e Maria do Carmo (2º suplente). Eles participaram da 115ª reunião do Conama, realizada no dia 20/08.

A diretora do Departamento de Cidadania e Responsabilidade Ambiental (DCRS) do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Raquel Breda, destaca que a inclusão dos catadores no Conama está em consonância com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).”Garantir a participação do MNCR no Conama é uma forma de reconhecer o trabalho que tem sido realizado pelos catadores e catadoras de todo Brasil, que há muito tem contribuído para um gerenciamento mais sustentável dos resíduos”, disse.

O MMA defende que seja garantido ao catador o espaço e a remuneração adequada dentro do processo de logística reversa, no qual o fabricante das embalagens é o responsável pela reciclagem do material. (MMA)

(Fonte: http://www.doeseulixo.org.br/)

Proteger a Mata Atlântica custaria menos de 0,01% do PIB

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Um estudo publicado na edição desta semana da revista Science, liderado pela bióloga brasileira Cristina Banks-Leite, professora da Imperial College London, na Inglaterra, e professora visitante na Universidade de São Paulo (USP) investigou custos relacionados à conservação da Mata Atlântica brasileira.

RPPN-Alto-da-Boa-Vista-I-e-II-_-03-300x225Resultado de uma extensa pesquisa sobre dados ecológicos e econômicos e do mapeamento de áreas estratégicas para a conservação, o trabalho concluiu que ações de conservação e recuperação da Mata Atlântica custariam ao Brasil 443 milhões de reais – o que equivale a menos de 0,01% do PIB. Esse valor seria destinado a esforços de restauração florestal e iniciativas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e valeria para os 3 primeiros anos – após esse período o investimento diminuiria para menos de 0,0026% do PIB.

“Esse custo é mínimo considerando que o investimento em ações de conservação da floresta traz inúmeros benefícios para mais de 69% da população brasileira que vive na área de abrangência da Mata Atlântica. Estamos falando de serviços ambientais como regulação do clima, prevenção de enchentes e deslizamentos, melhoria na qualidade do ar e proteção do abastecimento de água”, explica Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.

Artigo científico citado:
BANKS-LEITE, C. et alUsing ecological thresholds to evaluate the costs and benefits of set-asides in a biodiversity hotspotScience, v. 345, n. 6200, 29 ago 2014.

(SOS Mata Atlântica)

Decifrar o lixo, decifrar perspectivas

Entrevista especial com Maurício Waldman*

“O meio urbano se tornou a expressão mais pura da Civilização do Lixo”, constata o geógrafo.

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As evidências demonstram que a quantidade de lixo gerada tem crescido consideravelmente nos últimos anos, mas quando se trata de quantificar os dados, “as disparidades nos levantamentos estatísticos constituem controvérsia endêmica entre os especialistas em resíduos”, assinala Maurício Waldman, autor de Lixo: Cenários e Desafios (Cortez Editora, 2010), em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.

Numa “radiografia quantitativa” a partir de estudos franceses, é possível que os resíduos urbanos globais oscilem entre 2,5 e 4 bilhões de toneladas, com uma “margem de erro”, conforme destaca o pesquisador, “note-se bem: uma margem de erro de ‘apenas’ 1,9 bilhão de toneladas de sobras”. No Brasil, a conta gira em torno de “78,4 milhões de toneladas, uma massa de refugos considerável sob qualquer ponto de vida”, pontua. E informa: “A população brasileira aumentou 15,6% entre 1991 e 2000. Entretanto, neste mesmo período, o lixo domiciliar expandiu-se 49%, três vezes o índice demográfico”.

Doutor em Geografia e referência em pesquisas sobre a problemática do lixo no BrasilWaldman está cursando o terceiro pós-doutorado, estudando especialmente a reciclagem dos resíduos sólidos, e alerta para a ampliação acelerada de novas toneladas de lixo produzidas no Brasil. “As cidades brasileiras ampliaram os descartes no biênio 2012-2013, de 201.058 toneladas de lixo por dia para 209.280 toneladas. Uma expansão assombrosa de 4,1% em apenas doze meses! Uma calamidade se pensarmos as formas de gestão de resíduos em curso no país, a começar pelas 20 mil toneladas diárias que sequer são coletadas, dos mais de 3.500 lixões ativos e a continuidade do descaso com o trabalho dos catadores”, menciona.

Waldman chama a atenção para as propagandas em torno do“lixo zero”, lembrando que “não existe erradicação total do lixo”, porque “toda atividade humana gera resíduo, sendo que deste montante devemos excluir os rejeitos, sobras não passíveis de reaproveitamento”.

Maurício Waldman é doutor em Geografia, mestre em Antropologia e graduado em Sociologia pela Universidade de São Paulo – USP. Cursou pós-doutorado em Geociências pelaUniversidade de Campinas – UNICAMP e em Relações Internacionais pela USP.Waldman iniciou em janeiro de 2014 seu 3º pós- doutorado, pesquisa centrada na área do meio ambiente com foco na questão dos catadores, incineração e reciclagem dos resíduos sólidos. A investigação possui respaldo institucional da Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE, de Presidente Prudente, e financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPqMaurício Waldman foi Chefe da Coleta Seletiva de Lixo da Capital paulista eCoordenador do Meio Ambiente em São Bernardo do Campo. Realizou duas traduções de monta: El Ecologismo de los Pobres – Conflictos Ambientales y Lenguajes de Valoración (de Joan Martinez Alier) e Fifty Major Philosophers (de Diané Collinson). Mais informação noPortal Acadêmico do Professor Maurício Waldman:www.mw.pro.br.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Sabe-se que a geração de lixo no Planeta tem crescido incessantemente. Existem dados a este respeito?

Maurício Waldman – Sim e não. Retenha-se que as disparidades nos levantamentos estatísticos constituem controvérsia endêmica entre os especialistas em resíduos. Seguramente, tal assertiva poderia ser estendida à totalidade dos prontuários contábeis devotados ao tema. Citando um exemplo paradigmático, os resíduos urbanos globais oscilariam numa radiografia quantitativa da lavra de especialistas franceses, entre 2,5 e 4 bilhões de toneladas. Note-se bem: uma margem de erro de “apenas” 1,9 bilhão de toneladas de sobras. Assim sendo, é obrigatório ressalvar que qualquer número apresentado pode apresentar discrepâncias de índole diversa.

IHU On-Line – É possível estimar quantas toneladas de lixo são produzidas no Brasil anualmente?

Maurício Waldman – No caso brasileiro, para nos atermos aos últimos dados disponibilizados pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – ABRELPE, os refugos urbanos descartados pelos domicílios brasileiros durante o ano de 2013 girariam em torno de 78,4 milhões de toneladas, uma massa de refugos considerável sob qualquer ponto de vida.

IHU On-Line – Qual é a principal tendência da geração de lixo no Brasil?

Maurício Waldman – O que salta aos olhos é a expansão vertiginosa do lixo brasileiro. Levando-se em conta dados da ABRELPE e do Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM, um recorte matricial é a ampliação exponencial da ejeção de lixos em todo o território nacional. Indo direto ao ponto, este fenômeno fica demonstrado quando observamos que a população brasileira aumentou 15,6% entre 1991 e 2000. Entretanto, neste mesmo período, o lixo domiciliar expandiu-se 49%, três vezes o índice demográfico.

Neste particular, relatório técnico elaborado pela ABRELPEconstata para 2009 um crescimento de 6,6% na geração per capita de resíduos sólidos urbanos com relação a 2008. Mas, para o mesmo ano, o crescimento populacional foi de somente 1%. Nos últimos dez anos, a população do Brasil expandiu 9,65%. Contudo, no mesmo decênio a geração de lixo cresceu mais do que o dobro este percentual, batendo a casa dos 21%. As cidades brasileiras ampliaram os descartes no biênio 2012-2013, de 201.058 toneladas de lixo por dia para 209.280 toneladas. Uma expansão assombrosa de 4,1% em apenas doze meses! Uma calamidade se pensarmos as formas de gestão de resíduos em curso no país, a começar pelas 20 mil toneladas diárias que sequer são coletadas, dos mais de 3.500 lixões ativos e a continuidade do descaso com o trabalho dos catadores.

IHU On-Line – Qual proporção desta tonelagem recebe destino adequado?

Maurício Waldman – Depende do que se entende por “adequado”. Certo é que a Lei 12.305 (de 02-08-2010), instituindo o Plano Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, estabelece como destinações ambientalmente adequadas procedimentos como a reutilização, a reciclagem e a compostagem, um elenco de práticas que desfrutam de consenso entre os especialistas. Por outro lado, admite o chamado “aproveitamento energético do lixo” — processos de incineraçãoWaste to Energy — e a disposição final dos resíduos em aterros sanitários como normas operacionais aceitáveis, inclusive do ponto de vista ambiental. Trata-se de uma posição no mínimo questionável.

IHU On-Line – Por que os incineradores e os aterros seriam questionáveis?

Maurício Waldman – Assinale-se que do ponto de vista legal, oSenado suprimiu na última hora em sessão noturna o dispositivo que enquadrava a queima do lixo como opção apenas na eventualidade de outras medidas não serem viáveis. Com base neste subterfúgio, os senadores encaminharam sem demora o texto para sanção da Presidência, então exercida por Lula. Isso ao arrepio das mobilizações mundiais contrárias à expansão dos incineradores, que em países como o Brasil tem como um dos pontos programáticos mais fortes o apoio aos catadores urbanos. Quanto aos aterros, bastaria recordar as pesquisas de William Rathje, famoso antropólogo estadunidense fundador daGarbology (Lixologia em português), que os classifica como mausoléus de lixos, uma representação emblemática da incúria ambiental da civilização moderna. Formando verdadeiras montanhas de detritos, os aterros sanitários configuram a etapa final da parte do leão de muitos restos urbanos, impostados da condição de parceiros de uma civilização que esgota sem piedade as reservas de insumos naturais, com isso catalisando os pré-requisitos de sua própria autoextinção.

Deste modo, como julgar “adequado” um equipamento cuja função é enterrar materiais que, podendo ser compostados e recuperados, geram, pelo contrário, uma coletânea de estorvos ambientais? Isso é solução?

IHU On-Line – E no Brasil, o que está acontecendo com os materiais descartados nas lixeiras?

Maurício Waldman – Para começo de conversa — para focarmos as questões relacionadas à massa dos itens descartados — é importante sublinhar que o Brasil corresponde a 2,8% da população mundial e praticamente 3% do PIB global. Mas, por outro lado, seria origem de um montante estipulado entre 5,5% do total mundial dos resíduos sólidos. Isso para lembrarmos que a responsabilidade brasileira na geração mundial de lixo é inquestionável.

Embora o fato escape à percepção da maioria da população, oBrasil figura entre os maiores geradores planetários de descartes. Um segundo apontamento diria respeito à modelagem das cifras pelas estatísticas, que em alguns contextos afetam uma exata compreensão do problema. Recorde-se que os relatórios daABRELPE acusam a existência de “alguma iniciativa de coleta seletiva” em 62% dos 5.570 municípios brasileiros em 2013, concentradamente nas regiões Sul (34%) e Sudeste (52%).

IHU On-Line – No que esta definição seria problemática?

Maurício Waldman – Ora, suponha que eu convide alguém para almoçar na minha casa e o convidado indague sobre o que iremos comer. Imagine se eu responder que vamos nos fartar com“algum tipo de comida”. Bem, “algum tipo de alimento” pode ser qualquer coisa: o que sobrou do jantar de ontem, pão amanhecido, uma maçã devorada pela metade ou alguns pedaços de pizza. Na mesma lógica “alguma iniciativa de coleta seletiva” significa que uma cidade pode ter um ecoponto isolado na rodoviária ou uma “ilha recicladora” em algum parque e, apesar desta precariedade, ser brindada com o status de disponibilizar serviço de Coleta Seletiva de Lixo – CSL.

IHU On-Line – Mas a proporção dos materiais reciclados tem aumentado?

Maurício Waldman – De um modo geral, sim. Mas, como sempre, muitos passos aquém do necessário. Em princípio oBrasil tem marcado algumas boas posições no ranking mundial da reciclagem. A recuperação da lata de alumínio atinge índices verdadeiramente icônicos, da ordem de 97,9%, imbatível no mundo inteiro. Quatro outros materiais — latas de aço, papel, plástico e embalagens longa vida — também apresentam porcentagens expressivas de reciclagem: 47%, 45,7%, 58,9% e 27%. Contudo, entenda-se que ocorre uma procura pelas sobras que auferem maior valor nas bolsas de recicláveis. Dito de outro modo, são resgatados os resíduos mais bem posicionados junto aos polos mais capitalizados da economia. Sem contar a irrisória porcentagem da compostagem da fração orgânica do lixo — em torno de 2%, uma das mais baixas do mundo —, ainda assim existem falhas gritantes atingindo ciclos produtivos que deveriam dispor de uma logística mais azeitada.

IHU On-Line – Em qual sentido?

Maurício Waldman – Confira-se o caso da indústria têxtil. Por incrível que pareça, o Brasil está importando plástico PET doParaguai para abastecer a linha de produção de camisetas. Também compra no exterior restos de roupa para fazer estopa. Isso porque a captação no território nacional é insuficiente para atender a demanda das recicladoras. Damo-nos ao luxo de perder em torno de 50% do plástico PET nas sarjetas e desperdiçamos 90% dos restos têxteis. Atentemos que o Brasil importou mais de 223 mil toneladas de resíduos nos anos 2008-2009. Isso num país em que o lixo transborda por todos os lados.

IHU On-Line – A importação de lixo evidencia problemas de gestão?

Maurício Waldman – Sem dúvida alguma. Uma ponderação se impõe: estamos dando solução ao lixo dos outros e permitindo que nossos rios regurgitem garrafas plásticas e os aterros fiquem entupidos com retalhos das confecções. Esses são claros exemplos das falhas estruturais nos esquemas de interceptação das sobras. Neste cenário é difícil ficar deslumbrado com apontamentos indicando crescimento de municípios com CSL, divulgados peloCompromisso Empresarial para a Reciclagem – CEMPRE. Na realidade, mesmo que o número de municipalidades com programas de CSL tenha passado de 405 em 2008 para 766 no ano de 2012, a população brasileira atendida pela CSL passou de 26 para 27 milhões.

Em síntese: um desempenho manifestadamente medíocre. Para arrematar, a eficiência do serviço público é, no geral, muito baixa. A porcentagem de rejeitos na composição gravimétrica se mantém elevada, principalmente pela ausência de investimentos em educação ambiental. A falta de proficiência técnica gera perdas indevidas de materiais coletados. As metrópoles brasileiras enterram fração considerável dos recicláveis colocados pela população nos contêineres das prefeituras. Não fosse o trabalho digno e honrado dos catadores, tecnicamente não existiria reciclagem no Brasil.

IHU On-Line – Este panorama tem se alterado?

Maurício Waldman – Sim, mas do mesmo modo que a reciclagem como um todo. Qual seja: vários passos atrás do que de fato a sociedade precisaria. Rubrique-se que, embora o PNRSreconheça o resíduo sólido reutilizável e reciclável como bem econômico, dotado de valor social, gerador de trabalho, de renda e promotor de cidadania, a resistência em firmar parcerias com entidades dos catadores é manifesta. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, dentre os programas de CSL em curso nos municípios brasileiros em 2008, apenas 43% destes envolviam a participação de cooperativas de catadores. Mesmo assim, tais iniciativas oscilam enormemente quanto à vontade política das prefeituras em calçá-las com apoio efetivo. Certificando esta última postura, a nota oficial divulgada pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis – MNCR, em 05-08-2010, é lapidar. O MNCRalertou que somente 142 municípios brasileiros (2,5% do total) mantêm parceria com associações e cooperativas de catadores.

IHU On-Line – Qual a origem desta ausência de diálogo como os catadores?

Maurício Waldman – Existe toda uma carga de estereótipos que impregnam negativamente a percepção dos catadores junto a um segmento ponderável da opinião pública, particularmente devido à própria natureza da atividade destes trabalhadores, que manipulam materiais classificados pelo código cultural dominante como lixo. Existem muitos relatos de incêndios criminosos de galpões utilizados pelos catadores para a triagem dos recicláveis, apreensões ilegais de carroças, diversos tipos de impedimentos à catação e atos de violência direta perpetrados com apoio de forças policiais. Mantém-se um relacionamento contraditório com os grupos de catadores: necessários por proverem poderosos grupos empresariais das cobiçadas sobras que sustentam suas linhas de produção; rejeitados por força de estigmas culturais, raciais e sociais que se abatem contra a população pobre do país, agravados, no caso da população catadora, por singularidades que os tornam incompatíveis com o padrão sociocultural hegemônico. Apenas a mobilização permanente da categoria, apoiada por organizações religiosas e/ou ambientalistas, tem garantido a manutenção das suas conquistas, a defesa dos seus direitos e o avanço das suas reivindicações.

IHU On-Line – Quais são as principais problemáticas do lixo domiciliar no país? Quais são os resultados da sua pesquisa sobre o tema, considerando o período de 2006-2010?

Maurício Waldman – Num prisma conceitual, a obra do geógrafo Milton Santos, pontuando a importância dos processos nas configurações materializadas no espaço geográfico, nos proporciona um excelente marco teórico. A célebre máxima pela qual o espaço resulta de uma acumulação desigual de tempos é matricial para analisar os refugos e suas variáveis junto à realidade concreta e nas flexões do imaginário social. Retenha-se que a expressão modernidade é das que mais incorrem em afetações ideológicas. Portanto, não pode ser utilizada aleatoriamente. Citando Milton Santos uma vez mais, o geógrafo advertia que a globalização se especifica diferentemente no espaço mundial. Daí ser falho pressupor uma sociedade moderna abstrata. Coerentemente, numa formação socioespacial como a brasileira, uma gestão atendendo a princípios quanto aos materiais descartados não pode copiar metodologias — modernas ou não, tanto faz — em vigor na França, México, Noruega ou Egito. Conforme consta na Pesquisa de Pós-Doutorado pela UNICAMP e em Lixo: Cenários e Desafios, o que se tem no país são resíduos sólidos brasileiros, aos quais cabem soluções brasileiras. Neste quesito, medidas de incentivo e apoio aos catadores, desobrigação tributária da reciclagem, programas de lixo-educação, valorização de materiais autóctones, revisão da matriz energética e, inevitavelmente, a reforma do Estado, são todas urgentes, indispensáveis. Este é o debate central e fundamental. Mas ignorado quando se trata de esclarecer a questão teórica do lixo.

IHU On-Line – Qual é o impacto do lixo nas cidades? Quais os principais entraves gerados por conta da destinação incorreta do lixo? E os impactos em cidades brasileiras?

Maurício Waldman – Esta questão pode ser colocada em mão dupla: os impactos do lixo nas cidades e os que ocorrem a partir das cidades. O meio urbano se tornou, desde o século XIX, o epicentro da civilização moderna, eixo de um estilo de vida cada vez mais identificado com o consumismo e a utilização perdulária dos insumos naturais. Para comprovar esta colocação basta situar o cálculo de que as 29 mais glamorosas metrópoles europeias, visando manter em funcionamento sua engenharia urbana, arrebanham recursos de territórios 1.130 vezes mais extensos do que a área que ocupam. Outra coletânea de dados sobre o apetite urbano por insumos é a informação de que as cidades ocupam 6% da superfície terrestre.

Porém, reclamam para si 60% das águas doces e 75% dos recursos naturais planetários. Na ótica do relacionamento com o ambiente, a titularidade do meio urbano é inquestionável: as metrópoles mantêm o conjunto da biosfera sob seu tacão, submetida na condição de refém das expectativas, desejos e vontades citadinas. Assim sendo, pressionadas por demandas crescentes e correndo o risco de serem asfixiadas sob o acúmulo de dejetos gerados por elas mesmas, as cidades promovem impactos que se estendem numa escala extremamente vasta do espaço-tempo. Em suma: o meio urbano se tornou a expressão mais pura da Civilização do Lixo.

IHU On-Line – No que isso implica?

Maurício Waldman – Significa que, a partir desta linha de abordagem, não vem muito ao caso a magnitude da cidade. Tampouco sua inserção numa lógica mais tecnificada ou menos tecnificada. O conjunto das cidades está impactado pelos descartes que produzem e pari passu estão impactando o ambiente numa escala sem precedentes. Não importam as distâncias nem as especificidades. É neste seguimento que, para exemplificar, na região do Oeste Paulista — onde atualmente desenvolvo minha terceira investigação de pós-doutorado —, informações coligidas pelo Núcleo de Estudos Ambientais e Geoprocessamento – NEAGEO, da Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE, radiografaram 22 aterros ativos. Existem pistas de que é um para cada município. O único aterro sanitário em operação — situado em Presidente Venceslau — é prova cabal da falácia em imaginar que esta modalidade seja solução para a destinação final dos resíduos. Apesar das boas notas da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – CETESB, órgão do governo paulista, o aterro, ao menos até recentemente, era frequentado por população do lixo, não tratava o chorume e fazia vista grossa para a liberação de gás metano na atmosfera. Isso ocorre numa região onde os horizontes texturais admitem ampla capilaridade para infiltração, em especial pela configuração pedológica, caracterizada por rochas sedimentares com porções de areia e argila. Pelo fato de todo o Oeste Paulista apresentar solos arenosos e nesta senda, com maior capacidade de percolação do chorume em face do meio poroso, é possível concluir que os majestosos recursos hídricos da região estejam em franca destruição. Uma tragédia dentre muitas com foco nos refugos.

IHU On-Line – Neste eixo de análises, qual seria a relação entre lixo e economia?

Maurício Waldman – Este é um verdadeiro nó górdio da economia moderna, comentado mais recentemente pelo economista ecológico catalão Joan Martinez Alier. Porém, consiste num tema antecipado pelo genial filósofo francêsAbraham Moles. Na avaliação desse pensador, o dinamismo do mercado implica a indução do descarte contínuo dos bens, ejetados por um carrossel do consumo. No seu entrosamento mais literal, sua argumentação sinaliza que vivemos numa civilização consumidora que produz para consumir e cria para produzir, um ciclo onde a noção fundamental é a de aceleração. Numa única palavra, vivemos numa Civilização do Lixo. Em termos do sistema de produção de mercadorias, é importante notar que a função deste modelo é impulsionar os ciclos de reprodução do capital. Quanto mais rápida as mercadorias forem substituídas, tanto mais encorpado será o giro do dinheiro. Quanto mais lixo, mais giro de capital.

IHU On-Line – Quais seriam os dilemas em torno da gestão do lixo, tendo em vista as posições defendidas pelos catadores, empresários, defensores do processo de reciclagem e do processo de incineração do lixo?

Maurício Waldman – Os dilemas resultam das contradições que grassam em meio à materialidade social, refletida nas propostas defendidas pelos diferentes atores que disputam os resíduos. É inegável a existência de um rol de problemáticas declinando em antagonismos e crispações no campo empresarial, colocando setores do empresariado uns contra os outros, embates que afetam diretamente o avanço de políticas públicas de apoio aos catadores e de conservação dos recursos naturais.

IHU On-Line – Como ocorrem estes atritos?

Maurício Waldman – Pontuando melhor a afirmação, para as recicladoras os resíduos constituem matéria-prima. Contudo, para muitas empresas do segmento fabril, a reciclagem funciona apenas como uma possibilidade de minimizar custos de produção. Simultaneamente, para os setores envolvidos no esquema Waste to Energy, os rejeitos configuram meramente um combustível, uma sucata energética e não algo reaproveitável. Ou seja: o lixo não constitui insumo para o processo produtivo em si e tampouco é percebido como fator para a minimização de custos. Por sua vez, para os grupos empenhados com o gerenciamento dos aterros e coleta dos rejeitos, o que interessa é a quantidade de refugos domésticos disponíveis para serem coletados. Ignoram, portanto, a reciclabilidade dos materiais e a recuperação da energia. Fechando o círculo, aspectos econômicos envolvidos na atividade não são vistos na mesma perspectiva pelos catadores “avulsos” ou pelas cooperativas. Existem também contraposições entre os que lidam com o comércio de sucatas, entre os que as adquirem e os que retiram estes materiais das ruas, isto é, os catadores.

IHU On-Line – Neste fogo cruzado, como fica a gestão pública?

Maurício Waldman – Percebem-se neste imbróglio discordâncias entre os gestores públicos e a plataforma defendida pelos catadores, discrepâncias dos prefeitos frente às propostas das empresas que atuam com o lixo e todo um leque de contraposições programáticas no seio das próprias administrações. Particularmente, é obrigatório destacar a perpetuação de modelos ultrapassados de gestão, solenemente ignorando a reciclagem enquanto política pública efetiva e, quando muito, voltados para despachar os restos para um aterro sanitário qualquer.

IHU On-Line – Por que, mesmo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, os municípios encontram dificuldades em acabar com os lixões, considerando que não conseguiram cumprir a meta de erradicar os lixões até agosto?

Maurício Waldman – Antes de qualquer pontuação, seria absolutamente fundamental recordar que a caprichosa forma como a política é gerida no país não garante que a aprovação de uma lei pressuponha força normativa. Não é à toa — confirmando a leniência observada no cumprimento das normas legais — que o linguajar popular brasileiro predica que as leis possam “pegar” ou “não pegar”. Nesta linha de arguição, teríamos igualmente “não-leis que pegam”. Este é o caso bastante conhecido da “legislação”autogerida pelos condomínios impondo o uso do elevador de serviço para pobres, pessoas malvestidas, negros, mestiços e outros “indesejáveis”. Este “código legal” apenas deixou de vigorar com a promulgação de lei oficial proibindo essa prática discriminatória e pela pressão social, particularmente a movida pelo movimento negro. E para além da condicionalidade, existem também embaraços quanto à consecução das legislações, sujeitas em ser erodidas pelo mandonismo local, pelos interesses das grandes corporações, pelo arbítrio dos poderes governamentais e por intrusões políticas de todo o tipo. Nessa perspectiva, a cobertura legal assentada nas legislações torna-se letra morta ou é acometida de achaques constantes, visando inviabilizá-las ou pavimentar seu desmanche.

IHU On-Line – Quais os impasses na aplicação da Lei 12.305?

Maurício Waldman – O que estamos observando condiz em tudo com o que acabei de colocar. Os fatos estão aí à vista de todos. Creio que não houve qualquer voluntarismo na forma como se esboçou a legislação. O simples fato de ter circulado duas décadas pelos corredores do poder comprova a força dos interesses que pretendem sufocar qualquer normatização relacionada aos resíduos no país. Mais ainda, a persistência dos segmentos de opinião que percebem a gravidade da problemática do lixo. Contudo, o modo que marcou a atuação dos atores institucionais favoráveis à Lei está diretamente relacionado com as obstruções que têm perpassado pela sua aplicação. Isto pela simples razão de que os impasses jamais poderiam ser imputados exclusivamente aos adversários da Lei. Cabe aqui um papel importante à crítica política, dirigida em especial aos que, transitando por espaços institucionais, imaginaram que o exercício do senso público possa ser sumarizado por discursos pirotécnicos. E pior, que lançar mão de rompantes – tipo Esta Lei já pegou – seja por si só suficiente, desmentidos, aliás, pelo frigir dos acontecimentos. Transparece, pois, numa direção contrária à arrogância destes círculos e de assessorias anexas, que a prática se mantém como critério central da verdade.

IHU On-Line – Como o senhor vê as propostas em torno da produção de biogás a partir do uso de resíduos sólidos?

Maurício Waldman – Esta proposta é bastante atraente, mas cabem correções e reparos. Acredito que antes de pautarmos políticas para aproveitar o metano dos aterros, precisamos retroagir nos processos e radiografarmos o problema na origem. Nesta averbação se impõe o imperativo em reciclar nos próprios lares os restos culinários. A saber: no geral a reciclagem da fração úmida ou orgânica do lixo domiciliar recebe pouquíssima atenção dos cidadãos, das autoridades e dos especialistas. Seria cômico se não fosse sério consignar que, mesmo na literatura técnica e nos planos de gestão do lixo em todos os níveis administrativos, sequer se destaca que os orgânicos podem ser reciclados. Nesta vertente, temos imensa potencialidade colocada pelos refugos orgânicos.

IHU On-Line – Como isso poderia ser feito?

Maurício Waldman – É perfeitamente possível compostá-los nas residências. É o que comprova a notável iniciativa de entidades como Morada na Floresta, atuante na capital paulista, que tem divulgado e estimulado o uso residencial de minhocários.Reciclar resíduos orgânicos em casa permanece como prática essencial para solucionar o problema do lixo urbano. Entenda-se que no país as sobras de cozinha constituem fração majoritária dos descartes residenciais. Normalmente 60% do total. Mesmo os resíduos municipais da cidade de São Paulo — a mais cosmopolita das metrópoles brasileiras — perfazem 51% de orgânicos da sua composição. Tais emolumentos estatísticos falam por si mesmos. Implantando-se a compostagem residencial, mais da metade do lixo simplesmente desaparece, se tornando um recompositor de solo da melhor qualidade. Deste modo, transformamos um problema em solução a beneficiar o conjunto da sociedade.

IHU On-Line – Existem experiências realizadas nesta direção?

Maurício Waldman – Sim, claro. São muitas as experiências significativas de países europeus, sempre a partir da segregação na fonte. Hoje em dia, menos de 3% dos resíduos orgânicos do lixo domiciliar da Áustria é encaminhado para os aterros. NaAlemanha e nos Países Baixos mais de 80% da população colabora com a coleta seletiva de orgânicos.

Aproximadamente 33% dos belgas composta o lixo culinário. Complementando, seria oportuno registrar a possibilidade de geração de metano nas residências, poupando o contribuinte dos caros e nem sempre eficientes equipamentos geridos pelo Estado. Para comprovar, existe o sucesso dos planos chineses de geração de metano no âmbito doméstico. Em 2004, 15 mihões de domicílios chineses utilizavam biogás alimentado pelo próprio núcleo residencial. Esse número cresceu para 27 milhões de lares em 2010. No decênio 2003-2013, foram construídos 41,7 milhões de biodigestores de pequena escala no meio rural da China. Gestores públicos dos EUACanadá e de muitos países europeus têm demonstrado simpatia pelo biogás residencial, basicamente por solucionar na raiz dois graves problemas: a destinação final do lixo e a produção de energia.

IHU On-Line – Neste contexto, qual seria a melhor maneira de erradicar o lixo produzido ou reaproveitá-lo de algum modo, considerando o contexto brasileiro?

Maurício Waldman – Certifique-se de que não existe erradicação total do lixo. O chamado Zero Waste pode até encantar os ouvidos. Contudo, deve ser avaliado com base em dados objetivos. Objetivamente Lixo Mínimo soaria mais correto. Assinale-se que toda atividade humana gera resíduo, sendo que deste montante devemos excluir os rejeitos, sobras não passíveis de reaproveitamento. Claro que existe um avanço contínuo do aparato tecnológico abrindo brechas para o ingresso de materiais dantes descartados nos circuitos da recuperação. A caixinha longa vida e o isopor comprovam este raciocínio. Não eram recicláveis, mas passaram a ser. Todavia, tal como registrado em Lixo:Cenários e Desafios, a questão mais profunda que o lixo nos coloca é a questão do estilo de vida, dos padrões de consumo, das perspectivas imaginárias que modelam o comportamento da maioria das pessoas. No Brasil como em qualquer parte do mundo, o que a Era do Lixo está expondo de modo radical é a impossibilidade de mantermos o modus vivendi e o modus operandi que lastreou o surgimento e a difusão da civilização ocidental. Ao menos da forma como se tornou conhecida. Hoje, nos deparamos com uma versão contemporânea do enigma filosoficamente colocado pela Esfinge pela mitologia da Grécia antiga. É como se o lixo estivesse nos dizendo: Decifra-me ou devoro-te.

IHU On-Line – Então na sua avaliação o mundo já chegou numa situação limite em relação à quantidade de lixo produzido e às possibilidades de dar um destino adequado a ele, ou o desenvolvimento de tecnologias dará conta de solucionar esse problema?

Maurício Waldman – Seria uma vez mais meritório advertir que os lixos já assumiram os contornos de uma calamidade civilizatória. Em termos mundiais, apenas a massa de lixo municipal coletado, estimada em 1,2 bilhão de toneladas, supera nos dias de hoje a produção global de aço, orçada em 1 bilhão de toneladas. Por sua vez, as cidades, estacas geográficas da Modernidade, ejetam 2 bilhões de toneladas de refugos, superando no mínimo em 20% a produção planetária de cereais. Os números falam por si mesmos. Hoje, o mundo está mais voltado para gerar refugo do que produzir carboidrato básico. Neste quadro marcado por uma profunda inversão de valores, não creio que mais tecnologia seja a solução. Por sinal, a crise do lixo que presenciamos resultou exatamente da imposição radical de gradientes técnicos no ambiente de vida.

IHU On-Line – Qual seria a solução?

Maurício Waldman – Caso o problema seja técnico, precisamos então rever o que entendemos por técnica. Entre os antigos gregos, a noção de tekhne — origem das palavras técnica e tecnologia — estava impregnada de noções estéticas, incluindo a beleza e o bem-estar das populações. É exatamente disto que precisamos: repensar padrões, rever prioridades, reconsiderar ações e procedimentos. Precisamos acima de tudo de mais Humanidade, mais respeito ao meio ambiente e às futuras gerações. Debate este em cujo seio o Lixo desponta como uma preocupação essencial. (Por Patricia Fachin)

(Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/)

ONU diz que aquecimento global pode ficar mais grave e irreversível

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Os impactos gerados pelo constante aumento nas emissões mundiais de gases de efeito estufa podem ser cada vez mais graves e até irreversíveis. Esta é a conclusão do estudo mais recente feito pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que será divulgado oficialmente no próximo mês.

Os efeitos do aquecimento global são sentidos em todo o mundo, mas o alerta da ONU é de que se as emissões não forem controladas com urgência, as consequências podem ser drásticas. Um dos pontos destacados pela organização é o derretimento da camada de gelo que cobre a Groenlândia, que pode até levar séculos, mas, se acontecer, tende a elevar o nível do mar em até sete metros. O resultado, adicionado ao aumento do degelo na Antártida, seria a inundação de diversas áreas costeiras em todo o mundo.

O relatório será divulgado oficialmente em setembro, quando autoridades de todo o mundo se reunirão para debater novas metas e propostas. No entanto, o jornal norte-americano The New York Times recebeu uma prévia do documento e divulgou as informações.

O material foi feito comparando dados de estudos anteriores com os atuais, para que fosse possível analisar os cenários diferentes. Assim foi identificado que entre 1970 e 2000 as emissões de gases de efeito estufa subiam 1,3% ao ano. Já na década de 2000 a 2010 a taxa de aumento foi para 2,2% ao ano. O país que detém o maior percentual de emissões é a China, em consequência da imensa atividade industrial. O país é responsável por metade das emissões mundial.

O gás mais comum é o CO2, resultante da queima de combustíveis fósseis. Por causa desse agravante é necessário criar estratégias para reduzir a dependência mundial de petróleo e, inclusive, parar a extração deste material. Segundo a ONU, as reservas de petróleo armazenam uma quantidade quatro vezes maior do que o limite possível para a redução das emissões.

Se a Terra continuar aquecendo neste padrão atual, os cientistas preveem um cenário devastador para as próximas décadas. A hipótese é de que haja destruição em massa de plantas e animais, déficit na produção de alimentos, inundações costeiras, aumento da pobreza e fome, além de perdas econômicas em todo o mundo.

(Fonte: http://ciclovivo.com.br/)

Ação humana é responsável por 90% dos incêndios florestais

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Ação humana é responsável por 90% dos incêndios florestais. Mudanças de comportamento podem minimizar o problema 

Com a intensificação do período de seca, os incêndios florestais aumentam na mesma proporção em que a umidade relativa do ar diminui. O problema se agrava em áreas do cerrado, presentes em dez estados e no Distrito Federal, e a mudança de comportamento ajuda a evitar o alastramento do fogo no bioma. Atitudes simples como não jogar bitucas de cigarro pela janela do carro aparecem entre as ações que podem contribuir para conter as queimadas (leia quadro abaixo).

A atividade humana é uma das principais causas de queimadas nesta época do ano. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), 90% dos incêndios florestais têm de origem antrópica – fruto da ação do homem. Na maioria dos casos, decorrem do uso incorreto do fogo para a renovação de pastagens, da caça e de ações criminosas em represália à criação e gestão de unidades de conservação. Em menor escala, há casos de queimadas que começam, de maneira natural, por conta de raios.

O território atingido pelos incêndios florestais tem apresentado aumento. De acordo com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, a queima proposital de resíduos sólidos perto de áreas verdes é o motivo mais recorrente dos incêndios atendidos durante os chamados na capital federal. Apenas em junho deste ano, 395,16 hectares de vegetação foram consumidos pelo fogo – aumento de 77,8% em relação aos 222,23 hectares verificados em junho de 2013.

BRIGADISTAS

Para combater os focos de incêndios florestais, o governo federal adotou medidas como o reforço do efetivo que atua em campo. Ao todo, 1.589 brigadistas foram contratados para formar as equipes do Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PrevFogo) em todo o país. Os profissionais ficam em pontos estratégicos nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste e se concentram em atividades de prevenção e manejo nas unidades de convenção.

Do total, 175 brigadistas atuam nas unidades de conservação federais contempladas pelo projeto Cerrado-Jalapão, em Tocantins, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em cooperação com o governo alemão e em parceria com o ICMBio e outros órgãos. “As equipes fazem a prevenção por meio de aceiros (desbaste de um terreno em volta de matas para impedir propagação de incêndios) e participam das atividades de pesquisa”, explica a analista ambiental Ângela Garda, do ICMBio.

O efetivo desempenha um trabalho contínuo de prevenção, combate e conscientização nas áreas de maior risco. “Os brigadistas têm papel fundamental no resultado das ações de manejo integrado do fogo, pois não são apenas combatentes de incêndio, são agentes comunitários de sensibilização e se envolvem na queima controlada, educação ambiental e pesquisa”, justifica Ângela. Segundo ela, a meta é reduzir a área atingida pelas queimadas com a implantação do manejo integrado e adaptativo do fogo. “(Os incêndios) são ameaças à proteção do patrimônio natural”, alerta.

JIPES 

Veículos especiais são usados pelas equipes de prevenção e combate ao fogo. Na região do Jalapão, quatro marruás – jipes desenvolvidos para operações militares – fazem o transporte de brigadistas e materiais a pontos de difícil acesso nas unidades de conservação. A aquisição somou o investimento de R$ 800 mil, financiados pelo projeto Cerrado-Jalapão. Os automóveis tornaram o trabalho mais eficiente nas unidades de conservação, já que deslocam as equipes com mais rapidez e segurança aos focos de incêndio e áreas estratégicas para ações de prevenção.

A nível nacional, o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado) é a ferramenta estratégica de combate aos incêndios florestais no bioma. O documento traça ações táticas e operacionais que são implantadas por meio da articulação entre União, Estados, municípios, sociedade civil, setor empresarial e universidades.

FIQUE ATENTO 

Veja como ajudar a evitar queimadas:

– Não jogue bitucas de cigarro pela janela do carro

– Não fume em matas e locais com muita vegetação

– Impeça crianças de brincar com fogo em áreas verdes

– Evite fazer fogueiras em áreas de vegetação

COMO FUNCIONA?

Confira os principais elementos nos casos de incêndios florestais:

– O combate busca suprimir o chamado triângulo do fogo: calor, oxigênio e combustível (vegetação, no caso das queimadas)

– Para os incêndios de pequenas proporções, as brigadas usam abafador, bomba costal e motobomba

– Diante de queimadas de maiores proporções, são aplicados recursos como caminhão-pipa, helicópteros e aviões agrícolas para aspersão de água

SAIBA MAIS 

Segundo maior bioma da América do Sul, o cerrado ocupa 24% do território brasileiro, em uma área total de cerca de 2 milhões de km2. Está presente no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Bahia, Piauí, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, o que soma 1.330 municípios. Nessa região, ficam as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata).

Em decorrência da diversidade biológica, o cerrado é caracterizado como a savana mais rica do mundo. Ao todo, 11.627 espécies de plantas nativas, 199 diferentes mamíferos e 837 exemplares distintos da avifauna habitam o bioma, além de 1,2 mil espécies de peixes, 180 répteis e 150 anfíbios. O cerrado conta, ainda, com diversas populações que sobrevivem de seus recursos naturais, incluindo etnias indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outros povos tradicionais. (Lucas Tolentino – MMA)

(Fonte: http://www.ecodebate.com.br/)

Perda de água chega a quase 40% nas maiores cidades do Brasil

A cada 10 litros de água tratada nas 100 maiores cidades do país, 3,9 litros (39,4%) se perdem em vazamentos, ligações clandestinas e outras irregularidades. O índice de perda chega a 70,4% em Porto Velho e 73,91% em Macapá. Os números são do Ranking do Saneamento, divulgado hoje (27) pelo Instituto Trata Brasil, com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento de 2012.

A cada 10 litros de água tratada nas 100 maiores cidades do país, 3,9 litros se perdem em vazamentos, ligações clandestinas e outras irregularidades

A cada 10 litros de água tratada nas 100 maiores cidades do país, 3,9 litros se perdem em vazamentos, ligações clandestinas e outras irregularidades

O estudo considerou a perda no faturamento, ou seja, a diferença entre a água produzida  e a efetivamente cobrada dos clientes. De acordo com o instituto, o indicador de referência para a perda de água por faturamento é 15%. Dos 100 municípios da lista, quatro têm nível de perda menor ou igual ao patamar. Em 11 deles, as perdas superam 60% da água produzida.

De acordo com o presidente executivo da entidade, Édison Carlos, as perdas se refletem diretamente na capacidade de investimento das empresas e podem comprometer a expansão e qualidade dos serviços. “A perda é um reflexo da gestão da empresa. Qualquer autoridade que pensa em saneamento como um negócio, teria que atacar as perdas. Quando a empresa tem perdas muito altas, não consegue nem custear o próprio serviço”, avaliou. “Qualquer litro de água recuperado é um litro a mais que ele vai receber”, acrescentou.

Apesar dos registros, os municípios fazem pouco para reduzir as perdas de água por faturamento, de acordo com o estudo. Entre 2011 e 2012, mais da metade das cidades pesquisadas (51) não reduziu em nada as perdas ou até piorou os resultados no período. Segundo o Trata Brasil, os números sugerem que “diminuir perdas de água não vem sendo uma prioridade entre os municípios brasileiros”.

Apenas 10% dos municípios analisados na pesquisa registraram melhoria de mais de 10% na redução de perdas de água. Em média, de acordo com o levantamento, a melhora nas perdas dos municípios ficou em 0,05% na comparação entre 2011 e 2012.

As soluções, segundo Carlos, variam de acordo com o tamanho e as características de cada município. Em cidades com índices de perda muito elevados, por exemplo, a instalação de equipamentos como controladores de vazão e pressão tem reflexos rápidos na perda por vazamentos.

Em relação ao saneamento, o ranking mostra que, nos 100 maiores municípios do país, 92,2% da população têm acesso à água tratada. Em 22 das cidades, o atendimento chega a 100%, atingindo a universalização do serviço.

No entanto, os dados de coleta e tratamento de esgoto são bem inferiores. A média de população atendida por coleta de esgoto nas cidades avaliadas é 62,46%. Os números do tratamento são ainda menores: em média, 41,32% do esgoto do grupo de maiores cidades do país é tratado. Entre as 10 cidades com piores índices no quesito, três são capitais: Belém, Cuiabá e Porto Velho, sendo que as duas últimas têm tratamento de esgoto nulo.

Considerando acesso à água, coleta e tratamento de esgoto e o índice de perdas, o estudo fez um ranking com os 20 municípios com melhores e os 20 com piores resultados em saneamento. Além disso, o instituto traçou uma perspectiva de universalização dos serviços nos próximos 20 anos, como quer o governo federal, com base na evolução dos indicadores entre 2008 e 2012.

Entre as 20 cidades com melhores resultados, todas atingiram ou atingirão a meta nos próximos anos. No entanto, nos 20 municípios com piores notas, entre eles seis capitais, apenas um deve atingir a universalização se o ritmo de melhoria se mantiver. “É um dado preocupante, na medida em que a gente tem uma meta clara para duas décadas”, avalou Édison Carlos.

De acordo com o presidente do Trata Brasil, a situação só será revertida se as políticas de saneamento entrarem na agenda de prioridades dos gestores públicos e a população pressionar por avanços no setor. “Tem que ser prioridade, principalmente dos prefeitos, mesmo as cidades em que os serviços são operados por empresas estaduais. Isso não tira a responsabilidade dos prefeitos, que têm que brigar por metas mais rápidas e mais amplas. É preciso foco”, avaliou. “O eleitor, o cidadão, tem que cobrar. É investimento, não é milagre”, comparou. (Luana Lourenço)

(Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/)

Poder econômico do agronegócio deixa sociedade refém de seus interesses

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O agronegócio é hoje o setor que mais oferece doações de campanhas aos candidatos à Presidência da República. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até o momento os 11 candidatos já arrecadaram um total de R$ 31,2 milhões, sendo que cerca de 40% dessas doações vieram de setores ligados ao agronegócio.

A maior doação recebida, até agora, veio da JBS, responsável em repassar R$ 11 milhões de reais ao comitê de campanha dos três candidatos mais bem colocados: Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) com R$ 5 milhões cada, e o PSB, agora com Marina Silva, com R$ 1 milhão.

Na mesma linha estão outras empresas do agroindústria, como Seara (R$1 milhão), Coopersucar (R$ 1 milhão), Laticínios Bela Vista Ltda (R$ 350.000), Agropecuária Nova Guaxupé Ltda (R$ 15 mil) e Fazenda Lua Nova Ltda (R$ 15 mil).

Esses números mostram que a dependência financeira dos partidos ainda dita as regras quando o assunto é plataforma política.

Não à toa, em recente sabatina realizada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os principais candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff  e Aécio Neves, destacaram em sua plataforma de campanha pontos que só tendem a beneficiar o setor.

Cada um, a sua maneira, fez questão de tranquilizar os empresários do agronegócio com promessas que vão da criação de um “Superministério da Agricultura” até a aprovação de um pacote exclusivo de decisões que beneficiará a esfera agropecuária.

Implicações

Os recursos privados constituem a principal fonte do financiamento de campanhas. Na prática, o financiamento privado acaba afrontando o artigo 14 da Constituição Federal, que diz que “a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei”.

Para Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST, esse é um processo recorrente a todas as eleições.

“O apoio privado é um vicio eleitoral, as eleições estão terceirizadas. Todo parlamento é comprado, e vai responder a quem pagou, ou seja, a quem mais contribuiu. É uma eleição completamente comprometida, quem decide é o Capital”, diz.

Uma relação de confiança é estabelecida entre o agronegócio e os possíveis governos, uma vez que já é possível saber com antecedência quais partidos serão possivelmente eleitos.

Para Gilmar, isso permite que o agronegócio não tenha seus interesses ameaçados em pelas reivindicações feitas por movimento sociais e ambientais.

“Essa é uma lógica que impede a participação popular no processo eleitoral, o que só contribui para o desinteresse cada vez maior da população brasileira. O atual modelo agroexportador seguido pelo Brasil também favorece os grandes investimentos privados. É um pleito não democrático”, salienta.

Para o Sem Terra, apenas com ações que sustentem a Reforma Política, como o caso do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político – que acontecerá entre os dias 1 a 7 de setembro – é que o cenário será modificado.

“O nosso sistema econômico beneficia o agronegócio. Criou-se uma espécie de dependência com o setor. Esses investimentos nada mais são do que uma retribuição por todas as facilidades que o governo federal tem concedido ao setor nos últimos anos. É preciso uma Reforma Política ampla, que estimule de fato a participação popular. Só assim, o povo será impelido a viver ativamente a política. Se dependermos dos atuais trâmites impostos pelo governo nada tende a mudar”, finaliza.

Para o professor em sociologia da Universidade Federal de Brasília (UnB), Sérgio Sauer, é difícil desvincular as doações privadas dos benefícios futuros que esses grupos e empresas tendem a receber.

“Doações de empresas, de qualquer setor da economia, sempre trazem algum tipo de compromisso, seja ele direto ou não. Cria-se um mecanismo, uma necessidade de troca. Um favor que mais cedo ou mais tarde alguém terá que pagar”.

Prova disso é o crescimento de grupos como a JBS, que só entre os anos de 2006 e 2009 multiplicou seu faturamento em 1900%, e que consegue do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) vertiginosos empréstimos e investimentos, bem como maior participação em programas subsidiados, como o Programa de Investimentos Sustentáveis (PIS).

Segundo o professor, essa situação reforça a narrativa de que esse é o setor que mais gera riquezas, mas consolida uma economia pouco sustentável, baseada na exportação de recursos naturais.

“Na atual conjuntura, os apoios do agronegócio feitos em suas diferentes facetas geram compromissos políticos e exigem apoio ao setor, reforçando especialmente as demandas por desoneração fiscal e por mais investimentos em infraestrutura”, finaliza. (Maura Silva, da Página do MST)

(Fonte: http://www.ecodebate.com.br/)

Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day) chega cada ano mais cedo

A cada ano, a humanidade esgota mais cedo sua cota de recursos naturais do planeta. Relatório conjunto de organizações ambientais confirma aumento no consumo de recursos, afirma Jörg-Andreas Krüger, do WWF na Alemanha.

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Com base em estatísticas oficiais de 150 países, o World Wide Fund For Nature (WWF) e othink tank internacional Global Footprint Network registraram nesta terça-feira (19/08) o Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day) de 2014 – um dia antes que no ano anterior. Ele marca o momento em que a humanidade consumiu todos os recursos naturais produzidos pelo planeta no decorrer de 12 meses.

De 5 de outubro em 2000 a 19 de agosto em 2014, o dia em que a humanidade esgota seu orçamento ecológico anual vem chegando cada vez mais cedo, a cada ano. O WWF e o Global Footprint também publicam há 40 anos o relatório bianual Living Planet (Planeta vivo), sobre o consumo de recursos naturais. Sua edição mais recente sairá em setembro.

A Deutsche Welle entrevistou* a respeito Jörg-Andreas Krüger, chefe do Departamento de Biodiversidade do fundo mundial pela natureza WWF na Alemanha.

Como surgiu o Dia da Sobrecarga da Terra?

Ele nasceu de uma ideia do movimento ambientalista. Queríamos criar um sistema de informação que mostrasse ao público e aos tomadores de decisões a necessidade de, no futuro, refletir mais sobre nossas resoluções.

A cada dois anos, publicamos o relatório Living Planet, como indicador da situação da biodiversidade global.Além disso, o Dia da Sobrecarga da Terra mostra como estamos administrando nossos recursos naturais.

Qual é então, essa “cota de recursos” disponível na natureza?

É uma soma total do que usamos em termos de áreas aráveis ou de construção, do que desmatamos, o que pescamos nos rios e oceanos, e naturalmente o dióxido de carbono que emitimos na atmosfera, por todas as atividades da economia. Portanto, é a totalidade do nosso consumo de matérias-primas naturais e renováveis.

Para estabelecê-lo, precisamos medir os recursos globais que a Terra produz e o que pode colocar à disposição dos seres humanos. Em comparação com o que usamos efetivamente, essa é a “pegada ecológica” que deixamos.

O Dia da Sobrecarga da Terra chega a cada ano mais cedo. Por quê?

Simplesmente por usarmos cada vez mais recursos naturais e renováveis.

Quem é responsável pelo aumento do consumo?

Por um lado, podemos colocar a culpa em quem toma decisões – nos políticos, portanto. Por outro, podemos responsabilizar consumidores ao redor do mundo. Em termos do consumo de recursos naturais, numa comparação global notam-se grandes diferenças entre os países.

Por exemplo, se cada pessoa no mundo consumisse como um alemão, precisaríamos de 2,6 planetas. Na comparação com os Estados Unidos, até mesmo quatro planetas.

Há países, principalmente na África e na Ásia, cujos habitantes vivem abaixo da capacidade de recursos naturais. Quer dizer: as nações industrializadas consomem adicionalmente as reservas dos outros países, e ainda exportam a pegada ecológica delas. Um país como a China, por exemplo, chegou ao limite da sua biocapacidade, e a demanda continua a crescer. Um grande problema para o futuro!

O que diz o relatório Living Planet 2014, a ser divulgado no próximo mês?

Que os cidadãos dos países industrializados deveriam usar os recursos de maneira mais eficiente. Vamos ver que a pegada ecológica cresceu mais uma vez. A pegada ecológica das nações abastadas, porém, não aumentou nos últimos 40 anos. Atualmente identificamos um aumento nos países de renda média, ou seja, os antigos países em desenvolvimento, como os do Brics. Isso é perigoso para a Terra e um grande desafio para a política, pois são países populosos.

Qual é o impacto desse consumo excessivo sobre o meio ambiente?

Há uma enorme perda de biodiversidade. As florestas estão minguando. Há muitas regiões com enormes problemas de abastecimento de água, e a mudança climática tem um grande impacto sobre a agricultura, os solos e o nosso ecossistema como um todo.

O que precisa acontecer para conseguirmos sair dessa “zona vermelha”?

Precisamos de uma indústria mais eficiente. Não podemos continuar a desperdiçar recursos naturais como no passado. Devemos alocar as verbas em investimentos sustentáveis. E necessitamos de um controle mais rigoroso por parte dos governos, que devem tomar decisões corretas em favor da sustentabilidade. Além disso, cada consumidor individual deve agir de forma mais inteligente.

O que cada um de nós pode fazer?

Pode-se, por exemplo, usar energias renováveis e comprar produtos que sejam sustentáveis. Devemos comprar apenas o tanto de que precisamos e o que podemos usar.

*Entrevista realizada por Charlotta Lomas, da Deutsche Welle, DW.DE

(Fonte: http://www.ecodebate.com.br/)

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O relógio da Terra mostra-nos alguns dos impactos causados pelo Homem na Terra. As estatísticas nele apresentadas, que estão a ser actualizadas ao vivo, podem ser verificadas nos sites seguintes:


População mundial: US Census Bureau
Taxa de crescimento populacional: CIA World Factbook
População prisional: UK Homeoffice
Divórcios (apenas para os Estados Unidos): Wikipédia
Imigração ilegal nos Estados Unidos: Wikipédia
Abortos: Wikipédia
Mulheres que morrem durante procedimentos abortivos incorrectos: Organização Mundial de Saúde
Taxa de infecções por HIV: Avert
Taxa de incidência de cancro: UICC
Temperatura média da Terra: Wikipédia
Extinções de espécies: National Wildlife Federation
Produção de petróleo: CIA World Factbook
Produção de carros: Mation Master
Produção de bicicletas: Earth Policy
Produção de computadores: Top Secret
Estatísticas de mortalidade: Organização Mundial de Saúde