Bem-Vindo ao Antropoceno

Por Eduardo Araia

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Se a história geológica da Terra fosse condensada nas 24 horas de um dia, o homem moderno só surgiria quando faltassem três segundos para a meia-noite. À primeira vista seria um obscuro coadjuvante numa movimentada trama de mais de 4,5 bilhões de anos. Mas esse modesto personagem revolucionou o seu roteiro: sobreviveu a glaciações, espalhou-se da África para outros continentes, tomou conta do mundo e interferiu em praticamente todos os ecossistemas.

Sua influência hoje é tamanha que já se discute se o Homo sapiens merece uma época geológica só para si, o Antropoceno – a “idade recente do homem”. Se confirmada, a era dos impactos humanos poria o antropoide de 200 mil anos numa dimensão geofísica comparável à dos asteroides que dizimaram a vida terrestre ou à dos supervulcões cujas erupções cobriram de nuvens os céus do planeta.

Este é um debate que promete render. De um lado há cientistas mais conservadores, para quem o homem, por mais impactantes que sejam os seus feitos, não passa de uma poeira cósmica que ainda não deixou marca registrada no solo terrestre, aquela que, daqui a milhares ou milhões de anos, permitiria a um geólogo alienígena concluir, sem sombra de dúvida, que nossa raça habitou este planeta.

Do outro lado, há um contingente apreciável de acadêmicos preocupados com o futuro e com a rapidez das transformações do planeta, que não se importam em rever conceitos. Muitos estratígrafos – geólogos especializados no estudo da formação e disposição dos terrenos estratificados (aqueles que se apresentam em camadas sucessivas) – têm demonstrado abertura para o tema. Um dos mais destacados é o inglês Jan Zalasiewicz, da Universidade de Leicester, para quem, se o termo já é usado por geólogos e ecologistas, merece ter uma definição aceita.

Fração de Segundo

A história geológica da Terra se estende por 4,5 bilhões de anos e quatro grandes divisões, ou éons: Hadeano, Arqueano, Proterozoico e Fanerozoico (o atual). Cada éon subdivide-se em eras. O éon Fanerozoico (com 543 milhões de anos) tem três: Paleozoico (A), Mesozoico (B) e Cenozoico (C). As eras são divididas em períodos. A atual era Cenozoica (65 milhões de anos), tem dois: o Paleogeno (D) e o Neogeno (E). Os períodos, por sua vez, dividem-se em épocas. O nosso período Neogeno (de 23 milhões de anos) possui quatro épocas, por enquanto: o Mioceno, o Plioceno, o Pleistoceno e o Holoceno (iniciado há 12 mil anos). O Antropoceno – a idade recente do homem – seria uma quinta época. Apenas um ponto na linha do tempo.

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“O Antropoceno é significativo em muitos níveis”, afirmou Zalasiewicz à PLANETA. “Em termos geológicos, ele representa a propagação global de fenômenos que não haviam sido vistos antes na história de 4,5 bilhões de anos do planeta, e cujos efeitos, em muitos casos, vão durar milhões de anos. O conceito reflete a interação de nossa própria espécie com o planeta e nos permite considerar as consequências de nossas ações coletivas no contexto do ‘tempo profundo’ da história da Terra. Por isso, pode tornar-se um fator importante das tentativas socioeconômicas, legais, políticas e filosóficas para controlar coletivamente o nosso impacto no planeta.”

“O conceito do Antropoceno reflete a interação de nossa própria espécie com o planeta e nos permite considerar as consequências de nossas ações coletivas no contexto do ‘tempo profundo’ da história da Terra.”

Jan Zalasiewicz, geólogo

Zalasiewicz começou a ser atraído para o assunto ao perceber a disseminação que a palavra Antropoceno ganha, rapidamente, no meio acadêmico. Em 2007, quando presidia a Comissão de Estratigrafia da Sociedade Geológica de Londres, ele perguntou a 22 colegas presentes num encontro sua opinião sobre o termo. O resultado não deixou dúvidas: 21 consideraram o conceito válido.

Evidências Colhidas

Cientistas reunidos em um encontro na Sociedade Geológica de Londres, em maio passado, compilaram indicadores que tornam plausível a ideia de uma “idade do homem”.

Paisagem alterada De acordo com o geógrafo Erle Ellis, da Universidade de Maryland (EUA), a humanidade já remodelou mais de 75% da superfície do planeta. As áreas de natureza intocada correspondem a apenas 23%. O restante engloba terras cultiváveis, lugares povoados e áreas industriais.

Mudança climática A interferência humana no clima vai alterar a terra, os mares e a atmosfera por milhares de anos, segundo o climatologista australiano Will Steffens. Isso vai acarretar uma acidificação de longo prazo dos oceanos por conta do dióxido de carbono, a qual terá impacto duradouro na formação de rochas no leito marinho.

Solos transformados Represas, mineração, erosão e urbanização já alteraram os solos de forma substancial, diz o geólogo norte-americano James Syvitski, da Universidade do Colorado em Boulder. A retenção de vastas quantidades de sedimentos em represas, por exemplo, diminui a sedimentação em regiões litorâneas.

Mudanças biológicas O homem está abrindo caminho para uma ampla extinção de espécies ao destruir florestas e contribuir para o aquecimento global. Também está criando novas formas de vida, na agricultura e na biotecnologia. A agricultura e os meios de transporte levam organismos antes restritos a determinadas regiões para outros cantos do mundo. Tudo isso será perceptível para os geólogos do futuro a partir dos fósseis de nossa época.

Zalasiewicz comanda hoje o Grupo de Trabalho do Antropoceno na Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS, na sigla em inglês), cuja missão é avaliar se a época proposta possui de fato méritos para fazer parte da cronologia geológica. O grupo reúne “uma ampla diversidade de cientistas e pessoas que atuam em humanidades”, diz o geólogo, e está reunindo evidências para apresentar à comissão. A decisão final sairá das conclusões dos membros da ICS e do organismo que o abriga, a União Internacional de Ciências Geológicas.

“Antes eu pensava no começo da Revolução Industrial como o marco inicial do Antropoceno. Mas estou começando a inclinar-me para o estabelecimento desse marco na Segunda Guerra Mundial.”

Paul Crutzen, químico

Embora alguns jornais e revistas importantes tenham indicado o 34º Congresso Internacional de Geologia (ICG, na sigla em inglês), em agosto de 2012, em Brisbane, na Austrália, como um marco decisivo no debate, os cientistas advertem para não se esperar novidades importantes sobre o tema na ocasião. Os geólogos são uma comunidade cautelosa de cientistas, compreensivelmente recalcitrante para reconhecer como mudança consolidada algo que, em termos geológicos, ainda está na incubadeira.

Para alguns cientistas, o Antropoceno ainda nem começou. Em termos estratigráficos, ele só ficaria mais patente nas próximas décadas, com o aumento considerável no nível do mar, por exemplo. “Brisbane é prematuro para nós”, avalia Zalasiewicz. “Temos o objetivo de montar uma proposta para a ICG seguinte, no prazo de cinco anos. Fazer alterações na Escala de Tempo Geológico é um processo lento e cuidadoso, devido ao papel fundamental da Escala de Tempo para a geologia. O Antropoceno é, em muitos aspectos, uma questão mais complexa do que a consideração de intervalos anteriores do tempo geológico.”

O surgimento da agricultura foi responsável por desmatamentos e maior emissão de CO2 no ar.

Seja qual for o resultado do processo, é inegável que o termo já entrou para o glossário científico. Cunhado na década de 1980 pelo biólogo norte-americano Eugene Stoermer, o conceito começou a ser popularizado em 2000 pelo químico holandês Paul Crutzen. Vencedor do prêmio Nobel de 1995, pela descoberta dos efeitos danosos de compostos na camada de ozônio, Crutzen assistia a um simpósio no México no qual seu presidente referia-se várias vezes à presente época geológica, o Holoceno, iniciada há cerca de 12 mil anos, com o fim da última glaciação. Incomodado com a recorrência no uso do termo, o químico não resistiu e pediu a palavra: “Precisamos parar com essa história. O Holoceno já ficou para trás. Agora estamos no Antropoceno!”

No intervalo para o café sua intervenção já era o assunto mais comentado, sinal de que a ideia ressoava no meio científico. Em 2002, o holandês desenvolveu o conceito em um artigo publicado na revista científica Nature e com isso pesquisadores de diversas disciplinas passaram a utilizá-lo. Não demorou muito para a palavra se tornar comum em órgãos de divulgação científica.

Uma vez que se aceite o Antropoceno como época geológica, é necessário definir quando o período começou. Ao divulgar o termo, Crutzen pensava inicialmente no início da Revolução Industrial, em meados do século 18, quando os níveis de gás carbônico começaram a se acumular na atmosfera, uma alteração confirmada por amostras de núcleos de gelo. A maioria das pessoas que usa a palavra adota esse ponto de vista, mas o próprio Crutzen está revendo a ideia. “Estou começando a inclinar-me para o estabelecimento do marco na Segunda Guerra Mundial”, o início da era nuclear”, disse à PLANETA.

Para o paleoclimatologista norte-americano William Ruddiman, da Universidade da Virgínia, o começo do período deveria ser estabelecido bem antes: no início do Holoceno. Ele lembra que a agricultura se disseminou há cerca de 8 mil anos, desflorestando várias regiões do planeta, gerando um incremento de gás carbônico na atmosfera capaz de evitar uma nova idade do gelo. Outros cientistas consideram que o Antropoceno deveria ser datado em meados do século 20, quando se iniciou uma acelerada expansão do crescimento demográfico e do consumo dos recursos naturais.

As indefinições não impedem que a expressão se espalhe. Alguns cientistas e pensadores veem nela uma espécie de sinal de arrogância da raça, reveladora do fato de que “possuímos” a Terra e a estamos exaurindo – um exemplo da hybris (soberba) da mitologia grega, cuja punição divina era fazer o pecador voltar aos limites que havia transgredido. No geral, a palavra Antropoceno é usada como um imenso sinal amarelo no que se refere aos impactos humanos sobre nossa morada planetária. Crutzen já declarou que esperava que a disseminação do termo fosse “um alerta para o mundo”.

As atividades de mineração alteram fortemente os solos em que estão localizadas.

“Inauguramos uma guerra total contra Gaia”, diz à PLANETA o teólogo Leonardo Boff. “Ela precisa de um ano e meio para repor o que o ser humano lhe rouba num ano. Se não contivermos esse movimento, ele poderá nos levar a um caminho sem retorno, numa Terra devastada, coberta de cadáveres e com parca vitalidade. Nessa guerra, não temos chance de ganhar. A Terra não precisa de nós; nós, sim, precisamos da Terra. Ela pode continuar sem nós até que surja um ser complexo capaz de suportar a consciência, o espírito e a inteligência.”

Recentemente, a revista Nature defendeu em editorial a adoção do termo Antropoceno como uma oportunidade para fazer os seres humanos reformularem seu papel na Terra: “O conceito encorajaria uma atitude mental que será importante não apenas para entender por completo a transformação que está ocorrendo agora, mas para agir a fim de controlá-la.”

Zalasiewicz e Crutzen salientam que a validação formal dos geólogos teria o poder de ajudar a integrar as discussões sobre o papel da humanidade nas várias disciplinas científicas. Essa nova postura, permeada por uma consciência ética sobre o convívio com o planeta, pode resultar na reformulação necessária. Trata-se, no entanto, de uma tarefa indigesta, politicamente complicada, que exige mudanças nos modos de produção e consumo cujas dificuldades aumentam ainda mais em tempos de crise econômica como a atual.

“Os princípios de responsabilidade e de cuidado são axiais para um novo rumo civilizatório global”, observa Boff. “Mas essa consciência ainda não chegou aos tomadores de consciência. Talvez só chegue quando se realizar o que Hegel prognosticou: ‘O ser humano aprende da história que não aprende nada da história; mas aprende tudo do sofrimento.’ Quando a crise global atingir a pele de todos, todos darão o máximo de si para salvar-se, porque esse é o instinto de vida, mais forte do que o instinto de morte.

“Gaia precisa de um ano e meio para repor o que o homem lhe rouba num ano. Se não contivermos esse movimento, ela poderá nos levar a um caminho sem volta. Nessa guerra, não temos chance de ganhar.”

Leonardo Boff, teólogo

(Fonte: http://www.revistaplaneta.com.br/)

 

TAMBÉM SOMOS CONTRA

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Banco Mundial: serão necessários 3 planetas para manter atual estilo de vida da humanidade

Se a população global de fato chegar a 9,6 bilhões em 2050, serão necessários quase três planetas Terra para proporcionar os recursos naturais necessários a fim de manter o atual estilo de vida da humanidade, lembrou o Banco Mundial. A voracidade com que se consomem tais recursos fez as Nações Unidas incluírem o consumo em sua discussão sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030.

O nosso consumo global já é 1,5 maior que a capacidade da Terra de aguentar. Foto: Flickr/woodleywonderworks (CC)

O nosso consumo global já é 1,5 maior que a capacidade da Terra de aguentar. Foto: Flickr/woodleywonderworks (CC)

Se a população global de fato chegar a 9,6 bilhões em 2050, serão necessários quase três planetas Terra para proporcionar os recursos naturais necessários a fim de manter o atual estilo de vida da humanidade, segundo o Banco Mundial. A voracidade com que se utiliza tais recursos fez as Nações Unidas incluírem o consumo em sua discussão sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030.

A meta número 12 dos ODS não poupa os países desenvolvidos nem as nações em desenvolvimento. Insta todos a diminuir o desperdício de alimentos — um terço deles é jogado fora anualmente —, repensar os subsídios aos combustíveis fósseis e reduzir a quantidade de resíduos lançados sem tratamento no meio ambiente, entre outras tarefas urgentes.

A América Latina e o Caribe têm desafios importantes a cumprir em relação a esses e outros quesitos. Atualmente, a região joga fora 15% da comida que produz. Conseguiu diminuir de 1% para 0,68% o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) gasto em subsídios para os combustíveis fósseis entre 2013 e 2015, mas alguns países ainda dedicam cerca de 10% do PIB a eles. Finalmente, cada latino-americano produz até 14kg de lixo por dia, dos quais 90% poderiam ser reciclados ou transformados em combustível caso fossem separados por origem.

Conheça a seguir quatro metas de consumo sustentável que valem para a região e para todo o mundo até 2030.

Reduzir à metade o desperdício mundial de alimentos per capita na venda a varejo

Estima-se que a cada ano cerca de um terço dos alimentos produzidos — o equivalente a 1,3 bilhão de toneladas, avaliadas em cerca de US$ 1 trilhão — acaba apodrecendo no lixo dos consumidores ou dos varejistas, ou estraga devido a métodos ineficientes de coleta e transporte.

A degradação e queda de fertilidade dos solos, o uso insustentável da água e a pesca excessiva estão reduzindo a quantidade de recursos naturais disponíveis para produção de alimentos. Por isso, é essencial não só pensar em formas de preservar e recuperar tais recursos, mas também de reduzir o desperdício para alimentar as 8,3 bilhões de pessoas que o planeta deverá ter até 2030.

Alcançar uma gestão sustentável e uso eficiente dos recursos naturais

A voracidade com que os recursos naturais estão sendo usados fica clara quando se observam alguns números relativos a consumo de energia. Em 2013, apenas um quinto da energia utilizada no mundo veio de fontes renováveis, como água, vento e luz solar. Todo o resto foi gerado com petróleo, carvão, gás natural e urânio.

E quais setores avançam mais rapidamente no consumo de energia? Em primeiro lugar, o de transportes: até 2020, o transporte aéreo global deve triplicar, enquanto as distâncias percorridas pelos carros aumentarão 40%. Já o uso de energia para comércios e residências fica em segundo. A boa notícia é que as medidas para poupar podem facilmente começar dentro de casa.

Segundo estimativas das Nações Unidas, se toda a população mundial começasse a usar lâmpadas de baixo consumo, seria possível economizar US$ 120 bilhões anualmente. Em 2013, apenas um quinto da energia utilizada no mundo veio de fontes renováveis, como água, vento e luz solar.

Racionalizar os subsídios aos combustíveis fósseis

Segundo o estudo Indicadores de Desenvolvimento Global (WDI), do Banco Mundial, os países mais ricos do mundo são os que mais gastam com subsídios ao petróleo, carvão e gás natural (quase 14% do PIB).

Depois, vêm as economias de renda média-baixa, que incluem países da América Central como Guatemala e Nicarágua e gastam em média 11% do PIB com subsídios. Para a ONU, os subsídios ineficientes incentivam o consumo perdulário. Para racionalizá-los — e estimular, portanto, o uso de fontes de energia que impactem menos o meio ambiente —, é preciso adotar medidas que removam as distorções do mercado, como reestruturar os sistemas tributários nacionais, segundo a instituição.

Alcançar uma gestão ambientalmente racional dos produtos químicos ao longo de seu ciclo de vida

Ao incluir essa meta no ODS 12, as Nações Unidas buscam minimizar o impacto dos resíduos químicos tanto na saúde quanto no meio ambiente. A geração de lixo tóxico per capita praticamente dobrou no mundo inteiro entre o fim dos anos 1990 e da década de 2000. Nos países de renda média, como o Brasil, a quantidade subiu de 17kg per capita entre 1996 e 2000 para 42kg entre 2006 e 2011. Mas nem de longe eles são os mais poluentes: os de alta renda, mas que ainda não se uniram à OCDE (a qual exige boas práticas nas políticas públicas), despejaram 981kg de lixo tóxico per capita entre 2006 e 2011.

Outro dado preocupante é que cerca de 200 milhões de pessoas podem ser afetadas pelos resíduos presentes em 3,000 locais em todo o mundo. Para reverter o quadro, a ONU destaca a importância de incentivar indústrias a buscar formas sustentáveis de gerenciar seus resíduos. E, ainda, de estimular os consumidores a reduzir o consumo e reciclar o lixo.

Como se vê, o conceito de consumo vai muito além do simples gesto diário de fazer compras, e torná-lo sustentável passa por uma série de desafios que envolvem toda a sociedade. É uma meta que precisará ser levada cada vez mais a sério para não causar novos danos aos limitados recursos do planeta.

(Fonte: https://nacoesunidas.org)

Vivemos uma “ordem de guerra contra a Terra”

Entrevista com Vandana Shiva*

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Vandana Shiva, física, filósofa, ativista ecofeminista, nasceu no vale de Doon, no Himalaia. Seus pais faziam parte do movimento independentista da Índia. Apesar das dificuldades por ser mulher, estudou física e depois filosofia. Nos anos 1970, somou-se ao movimento Chipko, constituído por mulheres que se abraçaram às árvores de uma mata para evitar que fossem cortadas. Em fins dos anos 1980, criou o Movimento Navdanya, para defender as sementes nativas frente aos transgênicos. A partir daí, criou comunidades de sementes para cuidar da vida e evitar sua depredação. Formou aUniversidade da Terra, que promove a ciência digna, a soberania alimentar e alerta contra o impacto das políticas das corporações na mudança climática. Recebeu oPrêmio Nobel Alternativo em 1993.

Punto Final teve a oportunidade de entrevistá-la quando visitou a Argentina, convidada para o Festival Internacional de Cinema Ambiental (FINCA). A conversa começou a partir da recordação de nossa irmã Berta Cáceres, líder doConselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras(COPINH), assassinada por cuidar do Rio Gualcarque, junto à comunidade lenca deRio Branco, em Honduras.

“Quero render uma homenagem a minha irmã Berta, uma lutadora pela terra, que fez um sacrifício dando sua vida. Mas, sua vida não foi dada voluntariamente, foi arrancada mediante a violência. A terra, toda a comunidade ecológica, e Berta, merecem justiça. Deve haver uma comissão de investigação que seja independente, não só restrita aos crimes cometidos contra os ativistas ambientalistas em Honduras, mas por toda a violência perpetrada pelas corporações, tomando os governos e os convertendo em maquinarias de guerra contra seus próprios cidadãos. A vida de Berta é um chamado a despertar. Devemos despertar e exigir justiça para o planeta, e justiça para Berta”, disseVandana Shiva.

A entrevista é de Claudia Korol, publicada pela revista Punto Final, edição n. 857, 05-08-2016. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

O assassinato de Berta foi um crime contra uma guardiã da vida, e faz parte da criminalização das mulheres defensoras da vida. Como analisa esta política?

O sistema político e econômico, que tem mais de duzentos anos de história, o capitalismo patriarcal, se baseia na guerra contra a Terra, guerra contra as mulheres, guerra contra a vida. Por isso, quando mulheres como Berta Cáceres se levantam em defesa da vida, em defesa da terra, em defesa dos direitos das pessoas, o sistema as criminaliza, porque é um sistema criminoso. Criminaliza quem luta em defesa da vida. Vemos como aumenta a violência contra as mulheres, porque o capitalismo patriarcal é a convergência da cobiça, da acumulação e do extrativismo, como também é o medo a tudo o que está vivo e livre. EBerta estava em pé, pela liberdade e a vida. Por isso, gerou medo naqueles que destroem a Terra e destroem nossas sociedades a qualquer custo.

Sementes da vida

Aumentou a consciência mundial sobre o cuidado com as sementes, a terra, a vida e, por isso, cresce a luta dos povos, das mulheres, das comunidades, como também cresce a militarização em resposta a essas lutas. Como pensa que deve ser a resposta das comunidades, das mulheres, à estratégia de militarização?

Acredito que a primeira resposta frente à militarização deve ser entender suas raízes. O sistema se baseia na mentalidade de guerra patriarcal capitalista. É uma ordem de guerra contra a Terra, contra o corpo das mulheres, contra as economias locais e contra a democracia. Temos que entender as conexões destas formas de violência.

Tivemos Estados nacionais, alguns se converteram em ditaduras, outros em democracias, mas que não eram extensões do mundo global das corporações. A globalização converteu os governos em extensões de sua atividade corporativa e, por isso, se tornaram Estados corporativos. É muito evidente que quando esses Estados corporativos tomam a vida das pessoas, produzindo câncer e malformações congênitas em meninos e meninas, minando nossas terras ancestrais, destruindo nossos territórios, convertendo as pessoas em refugiados, as pessoas vão se levantar, as pessoas vão protestar, as pessoas vão fazer bloqueios.

Hoje, estamos olhando como testemunhas o último passo das corporações, convertendo os Estados nacionais, primeiro em Estados corporativos e, agora, em Estados militarizados corporativos, quando a violência militarizada é o único caminho que lhes resta para enfrentar as pessoas que estão procurando defender a terra e suas vidas de uma maneira não violenta. Primeiro, temos que expor esta continuidade de poder e violência.

Como respondemos a isso? Respondemos através da paz e da não violência do modo mais profundo. A primeira parte é, realmente, em nossas mentes e em nossas consciências, e em nossas vidas, viver em paz com a Terra. Essa é nossa maior força. A segunda é resistir a regra do medo. O modo mais efetivo de resistir o medo é não ter medo. E continuar tendo coragem, como teve Berta. Neste cultivo do não medo, cultivar nossa força comum, nossas solidariedades, para estarmos juntos. E, finalmente, reconhecer que o sistema econômico se tornou um sistema de guerra. Ao invés de cuidar e promover a vida, está eliminando a vida, e então está extinguindo a vida daqueles que estão em pé pela vida. Temos que construir o mais impressionante movimento planetário pela paz de nossos tempos, onde afluam o movimento ecologista, o movimento contra a militarização, o movimento feminista, o movimento pela justiça. Todos precisam se tornar um”.

Manipulação genética

Além do sistema de morte que o capitalismo patriarcal significa, a mercantilização está gerando vida sintética. O que pensa destas formas de manipulação da vida, aplicando conhecimentos científicos?

Eu chamaria a denominada manipulação da vida por meio da genética de manipulação da vida por meio da guerra. Qualquer um que faça uma biologia realmente independente, dirá que pegar um gene de um organismo e implantá-lo dentro de outro possui sérias consequências. Conhecer essas consequências é parte do fazer ciência. Estas empresas, que não são científicas, possuem três níveis. O primeiro é que não compreendem a vida. Porque a vida é uma complexidade auto-organizada e está sendo tratada como um jogo de tijolinhos. O segundo é que estão tramando suposições que não refletem como realmente funciona a vida. Estão baseados em um reducionismo genético que funciona como um determinismo genético, que é assumido como se existisse uma molécula mestra que dá ordens para todas as demais, e que tudo o que é necessário fazer é mudar essa molécula de lugar. Mas, não existe uma molécula mestra em um sistema vivo. O terceiro ponto é que não assumem a responsabilidade pelas consequências. Os primeiros cientistas que criaram as técnicas de recombinação de DNA colocaram fim nisto em 1972, assumindo em uma declaração que não podiam saber as consequências, e que os cientistas têm a responsabilidade de entender as consequências, antes de realizar ações. Qualquer entidade individual ou corporativa que mude a fabricação da vida, sem entender as consequências e sem tomar as responsabilidades disso, está atuando de maneira não científica. O que chamamos de ciência é um projeto patriarcal para um curto momento da história. É uma ciência reducionista, baseada na dominação da natureza. É o conhecimento gerado para a exploração.

Soberania alimentar

Nós, feministas comunitárias – indígenas, campesinas, populares – neste continente, pensamos que a defesa dos territórios faz parte de nosso projeto de vida, e que o corpo é nosso primeiro território a ser cuidado. Nesta perspectiva, propostas como a soberania alimentar se integram na lógica de luta contra o capitalismo patriarcal.

Concordo. Todas as estruturas artificiais de conhecimento se basearam no que chamei de ‘apartheid ecológico’, separando-nos da Terra em nossas mentes, já que não podemos realmente nos separar da Terra em nossas vidas, porque estaríamos mortos. Desta ideia de separação vem a ideia de que é possível substituir os processos de vida com materiais químicos e tóxicos. Então, nosso corpo não está vivo, não é da Terra, é só uma máquina, da qual você pode remover as partes e acrescentar moléculas sem que isso provoque algo em nossa saúde. Você pode produzir soja transgênica e imaginar que não provoca nada à vida, ainda que mate a todas as bactérias em nosso interior. Pode pretender substituir o açúcar natural por xarope de alta frutose, mas seu fígado vai se rebelar.

A soberania alimentar se baseia em superar o apartheid ecológico, sabendo que somos parte da Terra. Somos o solo, somos o ar, somos a semente, somos a água. E a comida que cultivamos na terra se converte em nosso corpo, nosso sangue, nossas células. A comida é a força da vida, é a rede da vida, e é a continuidade da vida, da Terra e de nós mesmos. É por isso que o território e o corpo correspondem quando produzimos comida da maneira correta e comemos a comida adequada. Mas, quando não correspondemos e deixamos de pensar conscientemente na comida, nos tornamos parte deste sistema de guerra. Ainda que sejamos um pequeno elo da cadeia, estamos ajudando a fazer com que permaneça. É necessário ser consciente disto. Caso se controle o mercado de armas, se controla as guerras. Caso você controle a comida, controla a sociedade. E se você controla as sementes, controla a vida na Terra”.

A maioria das mulheres foi separada da Terra. Este é um obstáculo para realizar esta cadeia de vida.

As mulheres e as comunidades indígenas foram separadas da Terra violentamente. É a maior crise que estamos enfrentando. Porque estar na Terra quer dizer ser guardiões e guardiãs da terra. Nosso desafio é, passo a passo, campo a campo, sítio a sítio, semente a semente, voltar à terra. Isso está acontecendo em todas as partes do mundo onde as pessoas produzem sua própria comida. É o que eu estou fazendo na Índia com oMovimento Navdany, porque ainda que a tendência seja retirar os camponeses e as camponesas de sua terra, nós trabalhamos para mantê-las em sua terra, criando economias através das quais possam ficar na terra.

Essas economias propõem estimular a biodiversidade

Claro. Isto é muito necessário, e em especial na Argentina, que vive uma escravidão da soja, onde os cidadãos se fecham em si mesmos, assim como os camponeses. A monocultura prejudica a mente. Parte do problema que temos é que há muitas ‘soluções individuais e globalizadas’. Temos que permitir que cresçam soluções múltiplas. Para poder sair da escravidão e produzir a biodiversidade que a terra e as pessoas necessitam é preciso criar associações entre moradores do campo e das cidades. Por que os produtores se relacionam com a Monsanto e não com os moradores das cidades? Porque o sistema está trabalhando para aqueles que criaram este sistema totalitário, mas não está trabalhando para as pessoas que cultivam a terra. Este sistema rompeu os processos ecológicos da Terra, como também as relações entre os povos. Temos que reparar este sistema rompido. Cada pessoa criativa pode trabalhar para respeitar os direitos da Mãe Terra e os direitos da Humanidade.

(Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/)

A Humanidade É Especista

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves*

“Caso houvesse um Tribunal Penal dos seres vivos da Terra, a humanidade seria
condenada pelos crimes do ecocídio, do especismo e do holocausto biológico”
Alves, 07/06/2016

“Eu não tenho dúvidas de que é parte do destino da raça humana, na sua evolução gradual,
parar de comer animais, tal como as tribos selvagens deixaram de se comer umas às outras”
Henry Thoreau

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Em 27 de agosto acontece o Dia Mundial pelo Fim do Especismo (DMFE). É um dia para dar visibilidade ao genocídio das espécies, ao holocausto biológico, ao ecocídio e à escravidão animal. É um dia para dar vez e voz aos seres sencientes que sofrem silenciosamente e dão a vida e o sangue para o engrandecimento das civilizações humanas.

Do ponto de vista dos ecossistemas e das milhões de espécies vivas da Terra, a humanidade não tem problema, pois ela é considerada o problema. A humanidade, do ponto de vista ambiental, se converteu (no Antropoceno) em uma força maligna que destrói a biodiversidade do Planeta e está ameaçando provocar a 6ª extinção em massa da história.

Anthony Giddens, no livro “As Consequências da Modernidade” (Ed. Unesp, 1991), criticou a sociologia clássica que não deu o devido valor às questões ambientais: “Para dar um exemplo, todos os três autores [Marx, Durkheim e Weber] viram que o trabalho industrial moderno tinha consequências degradantes, submetendo muito seres humanos à disciplina de um labor maçante, repetitivo. Mas não se chegou a prever que o desenvolvimento das ‘forças de produção’ teria um potencial destrutivo de larga escala em relação ao meio ambiente material. Preocupações ecológicas nunca tiveram muito espaço nas tradições de pensamento incorporadas na sociologia, e não é surpreendente que os sociólogos hoje encontrem dificuldade em desenvolver uma avaliação sistemática delas” (p. 13).

Ou seja, as forças produtivas, em vez de libertar a humanidade dos condicionantes de suas necessidades naturais, passou a ser uma força destruidora da natureza e da biodiversidade. Em vez de haver uma convivência respeitosa e pacífica entre todas as espécies da Terra, a humanidade se transformou em uma espécie invasora que ocupou todos os espaços do Planeta; destruiu florestas e as vegetações nativas; ampliou os desertos; poluiu os rios, lagos e pântanos; reduziu a disponibilidade de água potável; transformou os oceanos em uma grande lixeira junto a uma “fossa negra” que acumula esgoto e mata a vida marinha; acidificou o solo, as águas e o ar; emitiu gases de efeito estufa gerando a maior concentração de CO2 na atmosfera dos últimos milhões de anos; provoca o aquecimento global, as mudanças climáticas extremas e a elevação do nível do mar; está transformando o Planeta em um lugar inóspito para a vida selvagem afetando o direito à existência de espécies que habitam a Terra dezenas de milhões de anos antes do Homo Sapiens.

Assim, em nome de combater os “predadores ariscos e o caos natural”, a humanidade está destruindo a vida selvagem e a própria natureza. Por conta disto, o filósofo britânico John Gray, em entrevista à revista Época (29/05/2006), apresenta um prognóstico pessimista sobre a humanidade. Ele diz: “A espécie humana expandiu-se a tal ponto que ameaça a existência dos outros seres. Tornou-se uma praga que destrói e ameaça o equilíbrio do planeta. E a Terra reagiu. O processo de eliminação da humanidade já está em curso e, a meu ver, é inevitável. Vai se dar pela combinação do agravamento do efeito estufa com desastres climáticos e a escassez de recursos. A boa notícia é que, livre do homem, o planeta poderá se recuperar e seguir seu curso”. Nessa mesma linha, o ambientalista David Attenborough disse que os seres humanos são “Uma praga na Terra” (Humans are plague on Earth) que aniquila as áreas anecúmenas.

O homo sapiens utilizou o cérebro para construir uma avançada civilização planetária, mas tem utilizado a sua inteligência de maneira instrumental e egoísta. O impacto humano já ultrapassou a capacidade de regeneração de todos os continentes. Não há mais fronteiras para novas migrações e para a ampliação das atividades antrópicas. O mundo está em uma situação de déficit ambiental. E o desequilíbrio entre a Pegada Ecológica e a Biocapacidade cresce a cada dia. O tempo passa e o dia da Sobrecarga acontece mais cedo. Em 2000 foi no dia 5 de outubro, ano passado foi dia 13/08 e este ano foi dia 08 de agosto.

Estudo publicado na revista Science, em julho 2016, mostra que a dimensão da perda de biodiversidade no mundo todo ameaça o funcionamento dos ecossistemas da Terra e inclusive a sobrevivência dos seres humanos. Em 58% da superfície terrestre, onde vive 71% da população mundial, “o nível de perda de biodiversidade é substancial o suficiente para questionar a capacidade dos ecossistemas de suportar as sociedades humanas”.

Como disse Ulrich Beck, no livro “Sociedade de Risco”, na modernidade desenvolvida (ou modernidade tardia) prevalece a lógica do perigo: “Não é a falha que produz a catástrofe, mas os sistemas que transformam a humanidade do erro em inconcebíveis forças destrutivas” (p. 8). Tais forças destrutivas podem se voltar contra a própria humanidade, mas já são uma realidade para as espécies não-humanas.

A civilização está rompendo com as fronteiras planetárias e sitiando a biodiversidade da Terra. Neste momento em que o Brasil e a sociedade mundial do espetáculo promovem os atletas bombados e a corrupção das olimpíadas do Rio 2016, não podemos esquecer o que aconteceu com a Onça Juma, em Manaus. A bela onça foi usada para promover a passagem da tocha olímpica, que deveria ser a tocha da paz, mas acorrentada e submetida ao estresse da exibição antropocêntrica, ficou agitada e foi assassinada covardemente por um soldado do exército.

O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal lançou uma campanha pedindo que o Exército acabe definitivamente com a prática de exibir esses animais em eventos públicos. Como disse Elizabeth Mac Gregor, diretora do Fórum Animal: “Exibi-los, ainda mais um acorrentado, é um ato atrasado e comprovadamente perigoso para o próprio animal e as pessoas presentes. Depois da lastimável tragédia com a onça Juma, nós esperamos que o Exército reconheça esse fato e declare imediatamente que exibições públicas com animais silvestres nunca mais vão ser realizadas”.

A crise de alimentos que atinge a Venezuela, chegou aos zoológicos e já foi responsável pela morte de cerca de 50 animais nos últimos seis meses em um dos maiores parques do país. Porcos vietnamitas, antas, coelhos e aves — alguns dos quais não comiam por duas semanas — não resistiram à escassez crônica de comida no Zoo Caricuao, em Caracas. Outros animais também correm o risco de morrer de fome.

Além da escravidão animal e do holocausto biológico, parece que o ser humano está em guerra contra as demais espécies. Quando isto acontece, a violência tende a ser internalizada e a própria humanidade terá dificuldade de encontrar a paz.

O manifesto do Dia Mundial pelo Fim do Especismo (DMFE) diz: “A fronteira da espécie não é, e não pode ser, uma fronteira moral. Nossa sociedade deve evoluir para incluir os animais no nosso círculo de consideração moral. Veja no link abaixo as proposições que tendem à realização deste objetivo:

Dia Mundial pelo Fim do Especismo http://www.end-of-speciesism.org/pt/reivindicacoes/

*José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE

(Fonte: https://www.ecodebate.com.br)

Extração mundial de matérias-primas triplicou em quatro décadas, diz PNUMA

A quantidade de matérias-primas extraídas da Terra passou de 22 bilhões de toneladas em 1970 para 70 bilhões de toneladas em 2010, segundo relatório apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Os países mais ricos consomem em média dez vezes mais recursos que os mais pobres e duas vezes mais que a média mundial. Se a tendência se mantiver, em 2050 o planeta precisará de 180 bilhões de toneladas de matérias-primas anualmente.

Drástico aumento do uso de combustíveis fósseis, metais e outros materiais aprofundará as mudanças climáticas, diz relatório apoiado pelo PNUMA. Foto: EBC

Drástico aumento do uso de combustíveis fósseis, metais e outros materiais aprofundará as mudanças climáticas, diz relatório apoiado pelo PNUMA. Foto: EBC

O aumento do consumo, impulsionado por uma classe média em crescimento, triplicou a quantidade de matérias-primas extraídas da Terra nas últimas quatro décadas, segundo um novo relatório do Painel Internacional de Recursos (IRP, na sigla em inglês), apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

O drástico aumento do uso de combustíveis fósseis, metais e outros materiais aprofundará as mudanças climáticas, aumentará a contaminação atmosférica, reduzirá a biodiversidade e finalmente levará ao esgotamento dos recursos naturais. O relatório adverte que o resultado será a escassez de materiais essenciais e a intensificação do risco de conflitos locais.

“A taxa alarmante na qual os materiais estão sendo extraídos atualmente já está tendo um importante impacto na saúde humana e na qualidade de vida das pessoas”, disse Alicia Bárcena, copresidente do painel. “Isso mostra que os padrões governantes de produção e consumo são insustentáveis”.

“Devemos enfrentar urgentemente este problema, antes de esgotarmos de forma irreversível os recursos que impulsionam nossas economias e tiram as pessoas da pobreza. Este problema, profundamente complexo e um dos principais desafios que até agora a humanidade teve que enfrentar, exige retomar a governança da extração de recursos naturais com o objetivo de maximizar sua contribuição no desenvolvimento sustentável em todos os níveis.”

As informações sobre os fluxos de matérias-primas do novo documento complementam as estatísticas econômicas, identificam a escala e a urgência dos problemas ambientais globais e apoiam o acompanhamento dos avanços que estão sendo feitos pelos países na busca pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A quantidade de matérias-primas extraídas passou de 22 bilhões de toneladas em 1970 para 70 bilhões de toneladas em 2010, de acordo com o relatório. Os países mais ricos consomem em média dez vezes mais commodities que os mais pobres e duas vezes mais que a média mundial.

Se as condições permanecerem as mesmas, em 2050 as 9 bilhões de pessoas do planeta precisarão de 180 bilhões de toneladas de matérias-primas anualmente para satisfazer sua demanda. Esse número equivale a quase três vezes a quantidade atual e provavelmente elevará a acidificação e eutrofização dos solos e das águas no mundo todo, aumentará a erosão do solo e produzirá maiores quantidades de resíduos e contaminação.

Quantidade consumida por cada país

O relatório também classifica os países pelo tamanho de sua taxa de consumo de commodities per capita, ou seja, a quantidade de matérias-primas necessária para satisfazer a demanda final de um país. Trata-se de um indicador que mostra o verdadeiro impacto de uma nação na base global de recursos naturais. Também é um bom indicador indireto de seu padrão de vida.

Europa e América do Norte, que em 2010 tinham uma taxa de consumo de matérias-primas per capita de 20 e 25 toneladas por ano, respectivamente, lideram o ranking. Em comparação, a China tinha uma taxa de consumo de 14 toneladas per capita e o Brasil, de 13 toneladas.

A taxa anual per capita de Ásia-Pacífico, América Latina e Caribe, Ásia Ocidental, varia entre 9 e 10 toneladas. A taxa da África é inferior a 3 toneladas per capita.

Globalmente, desde o ano 2000 o uso de matérias-primas acelerou-se rapidamente à medida que as economias emergentes como a China passaram por transformações industriais e urbanas que demandaram quantidades sem precedentes de ferro, aço, cimento, energia e materiais de construção.

O relatório “Fluxos de matérias-primas e produtividade dos recursos em escala mundial” apresenta também recomendações com as quais o mundo pode manter o crescimento econômico e aumentar o desenvolvimento humano enquanto reduz a quantidade de matérias-primas que utiliza para consegui-lo.

Desvincular o uso cada vez maior de matérias-primas do crescimento econômico é o “imperativo da política ambiental moderna e é essencial para a prosperidade da sociedade humana e um meio natural saudável”, afirma o painel, formado por 34 cientistas de renome internacional, mais de 30 governos nacionais e outros grupos.

Essa desvinculação, que será necessária para que os países alcancem os ODS, requer políticas bem desenhadas. Serão essenciais os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, junto com melhores políticas públicas e melhor financiamento, disseram os especialistas. Isso criará importantes oportunidades econômicas para um crescimento inclusivo e sustentado e para a criação de emprego.

No entanto, o documento aponta que não basta a eficiência no uso das matérias-primas. Ao reduzir os custos, a maior eficiência permitirá um maior crescimento econômico, mas poderá criar obstáculos para os esforços de reduzir a demanda global.

O painel recomenda colocar um preço nas matérias-primas no momento da extração, com o objetivo de refletirem os custos sociais e ambientais da extração e do uso de recursos e, ao mesmo tempo, reduzir o consumo desses materiais. Os fundos adicionais gerados poderiam ser investidos em pesquisa e desenvolvimento nos setores da economia que utilizam esses recursos de forma intensiva.

O painel adverte também que os países de baixa renda irão requerer quantidades cada vez maiores de materiais para alcançar o mesmo nível de desenvolvimento dos países ricos. Essa demanda crescente possivelmente contribuirá para gerar conflitos locais como os observados em áreas onde a mineração compete com a agricultura e o desenvolvimento urbano, de acordo com os especialistas.

Leia aqui o relatório completo (em inglês).

(Fonte: https://nacoesunidas.org)

Temperaturas globais batem novos recordes nos seis primeiros meses de 2016

Por Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York

Segundo a OMM, 2016 está a caminho de se tornar o ano mais quente já registrado. Foto: OMM/Guillaume Louÿs

Segundo a OMM, 2016 está a caminho de se tornar o ano mais quente já registrado. Foto: OMM/Guillaume Louÿs

As temperaturas globais nos primeiros seis meses deste ano bateram novos recordes, segundo a Organização Meteorológica Mundial, OMM.

Segundo a agência da ONU, isto significa que 2016 está a caminho de se tornar o ano mais quente já registrado.

Mudança Climática

O gelo do Oceano Ártico derreteu de forma rápida e precoce, mais um indicador da mudança climática, de acordo com a OMM.

A agência alertou que os índices de dióxido de carbono, que estão impulsionando o aquecimento global, alcançaram novos níveis máximos.

Dois relatórios separados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, Noaa, e do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa destacaram as mudanças “dramáticas e radicais” no estado do clima.

Terra e Oceano

Segundo a OMM, junho de 2016 marcou o 14º mês consecutivo de calor recorde para terras e oceanos e o 378º mês consecutivo com temperaturas acima da média do século XX.

O último mês com temperaturas abaixo da média do século passado foi dezembro de 1984.

“Outro mês, outro recorde”, alertou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas. Ele afirmou que décadas de tendências de mudança climática estão chegando a novos ápices, impulsionados pelo forte El Niño de 2015/2016.

Taalas alertou que o fenômeno climático agora desapareceu, mas a mudança climática, causada por gases de efeito estufa, não.

Acordo de Paris

Os índices de dióxido de carbono estão em alta. Para o chefe da OMM, isto “ressalta a necessidade mais clara do que nunca de aprovar e implementar o Acordo de Paris sobre mudança climática e acelerar a mudança para economias de baixo carbono e energia renovável”.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convidou líderes mundiais para um evento especial em 21 de setembro onde possam “depositar seus instrumentos de ratificação, aceitação, aprovação e adesão ao Acordo de Paris”.

Temperaturas

A temperatura média nos primeiros seis meses de 2016 foi 1,3ºC mais quente que a era pré-industrial no fim do século 19, de acordo com a Nasa.

A Noaa afirmou que a média global da temperatura de terra e oceanos entre janeiro e junho foi 1,05ºC acima da média do século 20, batendo o recorde anterior de 0,2ºC em 2015.

(Fonte: https://www.ecodebate.com.br)

Qual o preço de um rio? Pesquisador da ENSP analisa tragédia em Mariana

Por Pedro Leal David, Informe ENSP*

Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais. Foto: (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais. Foto: (Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ano de 2015 começou sem água e terminou em lama. Não a lama nossa de cada verão, vinda dos deslizamentos e enchentes, mas lama tóxica, misturada a rejeitos de mineiração. Em fevereiro, enquanto os estados mais ricos do país contavam milímetro a milímetro o volume de seus reservatórios de água, o Informe ENSP entrevistou o pesquisador do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, Marcelo Firpo, para uma reportagem sobre custos da poluição. “Qual o preço de um rio?”, perguntou Marcelo, na ocasião. Naquele momento, a pergunta parecia flutuar entre a literalidade e a hipérbole, conferindo dramaticidade ao conteúdo da conversa com o pesquisador. Nove meses depois, ela ganhou concretude, nome, sobrenome e endereço: quanto nos custará o assassinato do Rio Doce?
A Fiocruz, esta semana, divulgou uma moção em que se solidariza com os moradores das áreas atingidas pelo rompimento da barragem de rejeitos da Samarco, que deixou, até o momento, mais de uma dezena de mortos e outra dezena de desaparecidos, devastou comunidades, matou toneladas de peixes e chegou ao mar do Espírito Santo. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Abrasco, também divulgou nota em que convoca as organizações da sociedade civil a unirem esforços para buscar saídas para o desastre, que é ao mesmo tempo causa e sintoma de um conjunto complexo de relações sociais e políticas. A equipe do Informe ENSP voltou a ouvir Marcelo Firpo. Atualmente, na coordenação do grupo de trabalho, saúde e ambiente da Abrasco, o pesquisador, mais uma vez, ressaltou a importância de se rever o modelo econômico vigente que, para ele, está prenhe de tragédias como a que acabamos de assistir.
Informe ENSP: Professor, qual a sua avaliação desse acidente em Mariana?
M_Firpo_sibsa_capa_esq_2014Marcelo Firpo: Este acidente é considerado um dos piores, talvez o  pior com impactos socioambientais, no mundo, envolvendo uma barragem de rejeitos de mineração. É um acidente de muitos mortos, desaparecidos e as consequências ainda serão sentidas por décadas. É claro que há toda uma preocupação quanto ao papel do setor saúde em acompanhar e contribuir pra entender e minimizar os impactos desse desastre na saúde da população, mas existe uma discussão de fundo, que a mim me interessa, que busca compreender esse acidente como uma tragédia anunciada. Marx, no 18 Brumário de Luís Bonaparte, diz que a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa. Esse acidente é também uma farsa, no sentido de que existe um conjunto de processos sociais, institucionais, políticos e econômicos por trás da megamineiração, atividade que transformou o Brasil no segundo maior exportador mundial e a Vale na maior empresa mundial de exploração de minério de ferro. Entre 2003 e 2013, houve um aumento de mais de cinco vezes da demanda mundial por minério de ferro, puxada pela China e outros emergentes. Há um mercado violento de commodities, pesadíssimo, e o Brasil possui, em operação ou  construção, cinco das dez maiores minas do mundo, quatro delas localizadas em Minas Gerais. São megaminas com construção de barragens de rejeitos, que são extremamente problemáticas.
Informe ENSP: O que são exatamente essas barragens?
Marcelo Firpo: No processo de produção de minério de ferro, vão sendo retiradas  camadas superficiais, até que se atinja a jazida, quando se começa a trabalhar propriamente com o minério. Passa-se por diversas etapas de produção até que esse minério seja transformado na pelota, naquilo que vai ser exportado ou entrar nas siderúrgicas e metalúrgicas. Todo resto produzido nesse processo vira uma lama gigantesca que é armazenada ao ar livre nos vales ao redor dos morros.
Informe ENSP: Mas se é uma tragédia anunciada, uma situação de risco clara, o que leva o Brasil a investir nesse modelo de exploração de minérios?
Marcelo Firpo: Existem dois modelos de gestão ambiental em sociedades de mercado. No primeiro, que normalmente ocorre em países em que a vida e o meio ambiente são mais valorizados, se tem uma série de compromissos, desde o processo de licenciamento e proposição dos empreendimentos até a proibição ou o acordo para que a empresa siga adiante. São exigidas tecnologias e processos de fiscalização e monitoramento com um patamar extremamente elevado de segurança e proteção ambiental. Só que isso envolve muitos custos. Primeiramente, por parte do estado, que precisa ter recursos econômicos, tecnológicos e humanos para cumprir seu dever constitucional de proteger as pessoas, os trabalhadores, a saúde e o meio ambiente. Em segundo lugar, pelas próprias empresas, que devem internalizar esses gastos. E tudo tem que ser negociado com a sociedade. Se existe uma comunidade tradicional no local em que se dará o empreendimento, ela participará das negociações. Não se trata, simplesmente, de se chegar ao local, retirar os moradores e indenizá-los por uma bagatela, como ocorre no Brasil. Esse padrão elevado de licenciamento, se tivesse sido aplicado em nosso país, impediria que as megaminas tivessem sido construídas da forma como foram, nos últimos 15, 20 anos.
O segundo modelo é justamente o que temos, que é  o modelo do faroeste e da barbárie. A legislação é falha. Quando existe, não é cumprida. Os órgãos licenciadores, de regulação e fiscalização, são extremamente frágeis. Seus recursos humanos, técnicos e econômicos não dão conta da tarefa de avaliar os processos de licenciamento, os relatórios de impacto. Para piorar, não são órgãos independentes, autônomos, porque sofrem pressão das empresas, gestores e políticos, inclusive financiados em suas campanhas eleitorais diretamente pelas empresas. A Vale é um dos maiores financiadores privados de campanhas eleitorais do Brasil.
Informe ENSP: Muitas concessões são feitas com uma série de condicionantes. Eles não costumam ser cumpridos?
Marcelo Firpo: Nesse modelo da barbárie, do faroeste,  os técnicos de órgãos reguladores, em sua busca por fazer um trabalho digno, ainda conseguem colocar os condicionantes, mas são uma espécie de confiança no futuro, em que se crê que a empresa vá empreender ações que não estavam, inicialmente, na sua proposta. Muitas vezes, os órgãos ambientais não tem condições de fiscalizar o cumprimento desses condicionantes ou de interromper o empreendimento depois de inciado. Isso acaba reforçando um processo muito intenso de autoregulação. É claro que as empresas não querem que acidentes ocorram, mas nesse modelo da barbárie, quando acontecem tragédias ou impactos ambientais, sociais e humanos, quem paga a conta é a sociedade. As empresas não assumem os custos. É a previdência social, o setor saúde, ambiental, os territórios, populações, economias, a agricultura, a pesca artesanal, o turismo, que arcam com os ônus das tragédias.
No caso do setor de mineração, é importante também dizer que nos últimos dois anos, mais ou menos, há uma crise de preços nesse mercado volátil das commodities, que é uma fria. Quando há uma crise mundial, todo mundo que produz determinado tipo de commoditie entra em crise junto. O preço da tonelada do minério de ferro, que já passou de US$ 150, atualmente está na ordem de US$ 50. As grandes empresas buscam reduzir custos diante de situações de crise, então, temos que investigar de que maneira Vale, BHP e Samarco vêm enfrentando essa crise a ponto de continuar produzindo lucro, pois possivelmente estão debilitando seus  padrões de segurança.
Informe ENSP: A Folha de São Paulo acaba de noticiar que a Samarco engavetou, em 2009, um plano de monitoramento e alerta das barragens, por causa da crise financeira.
Marcelo Firpo: Sim. Se um plano desses não tivesse sido engavetado, uma quantidade enormes de mortes poderia ter sido evitada.
Informe ENSP: Existem exemplos de países ou locais que conseguiram administrar de maneira responsável e sustentável a atividade de mineração?
Marcelo Firpo: Sim. Isso ocorre em áreas mais inóspitas, como em partes da Austrália, ou por meio de modelos custosos, mas democráticos de negociações, como eu expliquei. As comunidades atingidas têm que ser ouvidas para que se decida, de forma clara, quem assumirá os ônus e os bônus desses processos. No Brasil,  privatiza-se os lucros, nas mãos de grupos particulares, e democratiza-se o ônus, pago pela parcela mais vulnerável da população. Para mim, portanto, a única solução possível é uma radicalização de democracia e de justiça ambiental. É preciso que os movimentos por justiça ambiental, os movimentos sociais e as organizações das populações atingidas tenham um papel de destaque no enfrentamento dessa atual tragédia. É fundamental, dentro do jogo institucional, que os Ministérios Públicos e as Defensorias Públicas tenham protagonismo, porque, nesse momento, várias instituições de estado não tem a possibilidade e a legitimidade política e técnica, isoladamente, para enfrentar a tragédia. Para que as mudanças sejam efetivas, elas têm que vir a reboque de um processo social e político mais amplo, que essa tragédia vem mobilizando.  Como disse anteriormente, é um desastre anunciado, porque faz parte de um processo que desde a década de 1980 e, principalmente, desde a virada do século, vêm se acelerando, com acidentes, mortes, destruição, degradação ambiental. Não há nada de novo. Dessa vez, entretanto, pela dimensão do desastre, talvez se consiga uma mobilização maior e mudanças, por parte da sociedade.

* Informe ENSP é um boletim eletrônico diário da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca.

(Fonte: https://www.ecodebate.com.br)

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O relógio da Terra mostra-nos alguns dos impactos causados pelo Homem na Terra. As estatísticas nele apresentadas, que estão a ser actualizadas ao vivo, podem ser verificadas nos sites seguintes:


População mundial: US Census Bureau
Taxa de crescimento populacional: CIA World Factbook
População prisional: UK Homeoffice
Divórcios (apenas para os Estados Unidos): Wikipédia
Imigração ilegal nos Estados Unidos: Wikipédia
Abortos: Wikipédia
Mulheres que morrem durante procedimentos abortivos incorrectos: Organização Mundial de Saúde
Taxa de infecções por HIV: Avert
Taxa de incidência de cancro: UICC
Temperatura média da Terra: Wikipédia
Extinções de espécies: National Wildlife Federation
Produção de petróleo: CIA World Factbook
Produção de carros: Mation Master
Produção de bicicletas: Earth Policy
Produção de computadores: Top Secret
Estatísticas de mortalidade: Organização Mundial de Saúde